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Archive for Janeiro, 2010

Posso explicar-te como era dantes, mas nunca vais conseguir perceber. Porque hoje conheces os teus amigos pelas palavras que eles escrevem no teclado do trabalho. E vês como estao no ecrã no computador. Contas-lhes as novidades por telefone. E trocas ideias com os teus colegas e com os chefes por email. Agora tens um telefone que te diz a que horas acordar, que te lembra daquele medicamento que tens de tomar à hora certa. E uma lista com nomes e números aos quais podes ligar se for precisa alguma coisa. Partilhas as novidades com o mundo no Twitter, contas as pequenas e grandes conquistas no Facebook. Desejas “Feliz Natal” por sms e cantas os “Parabéns a você” por telefone. Os outros respondem com “carinhas alegres” :), tristes 😦 ou chateadas :/ . Ou remetem-se ao silêncio de quem não sabe bem o que dizer. E tu, falas, escreves, conquistas, descreves, confessas-te sem precisar de falar. Sem precisar sorrir a alguém. Sem precisar tocar na mão de alguém. Quando eu te quiser explicar como lhe acariciava a face e conseguia dizer-lhe o quanto gostava, o quanto precisava através desse toque, tu não vais perceber. Porque isso do alcance “toque” não é exprimível apenas a soletrar a palavra. Por mais que eu mastigue “t-o-q-u-e”, não vai chegar. Desculpa. Não vou perder o meu tempo a explicar-te. Encontramo-nos logo? Mostro-te como é.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito dos encontros da actualidade. Em formato digital.

http://www.elmundo.es/especiales/2010/01/4000encuentros/index.html

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Pegamos em  acontecimentos. Em pequenos gestos. Em vidas alheias. Em imaginação. Com todos estes elementos, temos construído a nossa agenda. E temo-la dado a conhecer. Depois foram os olhares dos outros que passaram a fazer parte dela – nossa e vossa – com imagens e palavras. Agora, preparamos outra maneira de ver o mundo, de contar histórias. De agendar a vida.

Há músicas que nos marcam. Melodias que nos entram na pele. Letras que não nos saem da ponta da língua. Há momentos que nos percorrem a memória quando uma música passa na rádio. Quando uma letra é sussurrada por um desconhecido na rua. Quando acordamos com uma canção que nos percorre o dia e adormece connosco. A rúbrica número dois da Nossa Agenda é esta. Outros Ouvidos. À terceira 3.ª-feira de cada mês. Porque a vida – e a nossa agenda – (também) é feita de música.

Hoje, os ouvidos são do Rodolfo Oliveira Leal.

Quando a Margarida me pediu este “árduo” desafio, confesso que tive que dar voltas à cabeça! Passados alguns minutos, concluí que não tenho 5 músicas da minha vida. Tenho 500 músicas que aos poucos e poucos vão passando e vão marcando os meus percursos. Contudo, consegui seleccionar facilmente o número que a Guida me pediu. Não sei se são as 5 músicas mais importantes da minha vida, mas são músicas que me fazem parar…que me fazem pôr o rádio mais alto…cantarolar a letra ou mesmo partilhar o seu significado. São músicas para mim intemporais, de vários estilos. Tentei re-pescar na minha cabeça um bocadinho de cada de forma a diversificar a minha escolha.

A primeira é o RUNAWAY dos THE CORRS…esse grupo que marcou a minha adolescência. 4 irmãos, ao estilo bem irlandês e bem típico que sempre me esforcei ao máximo por seguir! Tenho a discografia completa e cheguei mesmo a ir vê-los (em plateia vip) ao pavilhão atlântico. Runaway (em especial na versão UNPLUGGED) é a música mais marcante e com a qual mais me identifico.

A segunda que escolhi foi o PRESÉPIO DE LATA do português RUI VELOSO. Vale a pena ouvir música portuguesa e o Rui Veloso é a prova disso. O Presépio de Lata não é nenhum êxito do cantor, daqueles como o “Não há Estrelas no Céu” ou mesmo “a Paixão”. O Presépio de Lata fala das pessoas que não têm Natal…das pessoas com um Natal diferente. E quem ouviu a música uma única vez (em especial durante a quadra natalícia) sabe do que falo!!

Diversificando os estilos, e talvez dada a minha formação musical ter sido maioritariamente clássica, é impossível não citar o prelúdio de John Sebastian Bach que foi adaptado recentemente e é reconhecido pelo AVE MARIA de GOUNOD. Obra sacra de forte carga emocional, interpretada por muitos cantores e com estilos diferentes. Ainda assim, o prelúdio está lá e a ideia de Bach permanece tão actual como a canção.

A quarta música é algo especial também. Gravada no dia do meu aniversário (25/11/1984), DO THEY KNOW IT’S CHRISTMAS reúne vários artistas mundialmente conhecidos numa causa única de solidariedade. Ok! Algo corriqueiro nos nossos Natais, Do They Know it’s Christmas segue a mesma linha de causas sociais como o We are the World etc etc. Vale a pena ver este vídeo e relembrar vozes únicas na mesma música e por uma boa causa!

A última tinha obrigatoriamente que ser da Disney! Ainda hesitei entre escolher aleatoriamente uma do Andrew Lloyd Webber ou da Disney mas rapidamente me lembrei do GO THE DISTANCE intepretado pelo Michael Bolton no filme Hércules. Balada única com uma musicalidade genial e tão característica, ao estilo inconfundível das bandas sonoras Disney!


E por mim…não são as 5 musicas da minha vida mas sim…5 músicas que me marcaram! 😉

Porque é bom partilhar música com os outros e sobretudo porque é bom diversificar as escolhas! 😉

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Há em todas as cores. Rosa choque, amarelo, cor-de-laranja, preto, branco e até o tradicional castanho e afins, mais próximo – dizem – da realidade. Uns gostam mais dele, outros não ligam nenhuma. Muitos certamente não acreditam. Uns viram-no de cabeça para baixo quando se zangam com ele. Outros oferecem-lhe flores para agradecer.

Ele vai passando imune aos comentários, às dissertações e difamações. Já está habituado a ser culpado pelas consequências da desatenção, do egoísmo, do egocentrismo. Mas ele mantém a sua expressão calma e serena: a idade já lhe ensinou que não vale a pena dramatizar. Nunca vai conseguir que o ouçam, mesmo! Aliás, tem pena de já não conseguir rir a bom rir.

Interiormente está a rir-se como nunca. As coisas estão a ficar tão absurdamente divertidas, com todos a fazerem considerações sobre a sua pessoa – uma vez mais. Sobre aquilo de que ele gosta ou não gosta, sobre aquilo que abençoa ou não, sobre o que vai acontecer ou deixar de acontecer num dia que, afinal é o seu.

Enquanto as flores lhe toldam o olhar, sorri com a mente. Porque se lembrou de repente que, pelo menos desta vez, não vai ter as culpas pelos acontecimentos. Quem sabe, até o vão deixar esquecido no seu próprio dia!

Entrada na Nossa Agenda a propósito das notícias:

Câmara de Lisboa vai permitir casais gays nos casamentos de Santo António

http://www.publico.pt/Local/camara-de-lisboa-vai-permitir-casais-gays-nos-casamentos-de-santo-antonio_1417928

Gays fora de bodas de Santo António

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Começaram a encher o céu como se fossem pássaros migratórios. Do nada passou-se ao tudo, e embora isso não trouxesse mudanças, a ele soube-lhe a qualquer coisa muito parecido com a liberdade. Um sinal, vindo do alto, de que ainda era possível a mudança. Concentrou-se novamente no seu trabalho, mas sempre com os ouvidos presos ao céu. Era incrível.

Nas ruas toda a gente comentava sobre o mesmo. Finalmente havia um assunto de conversa novo e – surpresa – podia ser falado livremente, sem medos. Há tanto tempo isso não acontecia qe todos falavam em surdina, com medo de que o volume lhes tirasse a verdade. O existir. Além disso, sabiam que não ia durar muito tempo, por isso, aproveitavam enquanto podiam. Para que a oportunidade não fugisse!

Ele levantou os olhos mais uma vez e agradeceu aos céus. Podia parecer egoísta, mas a verdade é que pelo menos uma coisa boa estava a revelar-se no meio de tantas coisas horríveis: a mudança. A abertura. A esperança de que ainda era possível.

Quando voltou a baixar os olhos, sorriu.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Cuba permite a EE UU usar su espacio aéreo para vuelos de evacuación en Haití

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cuba/permite/EE/UU/usar/espacio/aereo/vuelos/evacuacion/Haiti/elpepuint/20100115elpepuint_6/Tes

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A calma. Ainda ontem me lembrava dela e pensava que tinha que a escrever aqui. É a tua calma que me sossega, mesmo  quando o mundo parece cair. Chegas às 7h como quem chega às 11h ou às 12h. Com o mesmo sorriso, o mesmo vigor, a mesma graça. És detalhista, observadora. Gostas de partilhar com os outros as tuas estórias, gostas de contar as estórias que vês. É disso que é feita a tua tão cheia vida: de estórias que não perdes, de pedaços de vida(s) que nunca deixas para trás.

Consigo ver os teus olhos atentos a varrer os espaços à procura do novo, do inédito. Consigo ver os teus sentidos todos sintonizados para o mesmo objectivo. E o ar sério que tantas vezes usas, seja de verdade ou a brincar. Lembro-me da tua expressão interrogativa quando não entendes alguma coisa. Da de espanto quando alguém – ou algo – te consegue surpreender. Mas aquela de que mais gosto é a tua expressão de sempre: concentrada, com um brilho nos olhos e muitas novidades para contar.

Porque essa é a expressão com que te encontro a cada reencontro. E é por isso que hoje, que estamos no mesmo lado do Oceano, eu faço questão de a ver. No meio de dois abraços, dois beijinhos e dois Parabéns. Porque além de parte da minha vida, tu és também a metade daqui; e vários dos meus sonhos foram possíveis porque tu os partilhaste comigo. O que faz com que mereças tudo a dobrar.

Hoje o dia é teu! O amanhã também.

*

Entrada na Nossa Agenda a propósito do teu aniversário. Porque tu és metade disto. E por isso os Parabéns devem ser a dobrar. Parabéns*

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Cinzento, vermelho e azul. As cores sucediam-lhe nos olhos à velocidade dos passos. Rápidos, inseguros. Era preciso ver mais, ouvir mais, saber mais. Para poder contar mais. Era a primeira vez que o fazia, mas sabia que ia ser capaz. Sabia que seria possível. A adrenalina ajudaria, tal como os telefonemas de tempos a tempos para confirmar procedimentos, ideias.

Fotografou cada detalhe e cada grande plano que lhe mereceu atenção. Anotou tudo o que viu e que sabia precisar de ajuda para decorar. A rua cheirava a pessoas e a sangue. Cheirava a destruição. Enquanto as nuvens de pó iam baixando era possível distinguir o azul do mar lá ao fundo. A apelar à esperança e à ajuda que tardavam. Deteve-se por 30 segundos ao pé daquele corpo pequeno, tão vazio de vida e tão despido de ajuda. De tudo. Não sabia como deveria reagir às imagens que o rodeavam. Quando o telefone tocou continuava nesta abstracção momentânea:

Não reajas. Nem penses no que poderias sentir. Olha e conta o que vês. É disso que precisamos agora!


Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Presidente do Haiti teme que sismo tenha feito milhares de mortos

http://www.publico.clix.pt/Mundo/sismo-no-haiti-pode-ter-feito-milhares-de-mortos_1417662

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Da primeira vez doera-lhe. No corpo e na alma. Fora apanhada tão de surpresa que a dor não deixava lugar a outros sentimentos. Mas calou. E pensou que tinha sido uma vez sem exemplo. Apagou da memória à medida que se ia apagando do corpo.

Da segunda vez já quase que estava à espera. Conseguiu sentir no ar a ameaça. Aquele silêncio ensurdecedor que previa o momento. Mas mais uma vez calou. E sentiu, no seu íntimo, que seria a última vez. Mas depois vieram a terceira e a quarta vezes. Já faltava um candeeiro do conjunto da sala, uma bomboneira e tantos bibelots cujos cacos ela apanhara como se de pedaços do seu coração se tratassem.

À 20.ª – será que era a 20ª? Talvez já lhes tivesse perdido a conta – deicidiu que não aguentava mais. Que já tinha aguentado de mais. Sofrido de mais. Que era altura de mostrar que era ela quem mandava. Fez as malas e seguiu viagem. Não sabia para onde. Pensaria mais tarde. Não havia pressa de conhecer o destino. Só de esquecer o passado e denunciar o presente. Para garantir que ninguém, ninguém mesmo, sofresse tanto quanto ela! E para garantir que nem mais uma aumentasse as estatísticas.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

55 mujeres muertas en 2009 por violencia machista, un 27,6% menos que en 2008

http://www.elpais.com/articulo/sociedad/55/mujeres/muertas/2009/violencia/machista/276/2008/elpepusoc/20100112elpepusoc_9/Tes

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