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Archive for Maio, 2013

não é o fim!

Eu sei que parece. Eu sei que de repente o mundo dá a sensação de que se abriu aos teus pés e que nada consegue aplacar essa angústia que te aperta o peito, te mareja os olhos e te faz sentir aquilo que raramente sentes -a impotência e a injustiça de um mundo que julgavas melhor. Eu sei. Eu sei que a distância só piora tudo e que na verdade tens vontade de estar cara a cara a perguntar por que raio te aconteceu isto.

Mas eu cá tenho a minha teoria, e ainda que ela te não resolva as angústias, um dia vai revelar-se certa. Eu sei. Eu sinto. E tu sabes que as coisas que sinto são coisas que acontecem.

Minha querida, pensa exatamente ao contrário do que fazes agora. Não é por mal que as coisas acontecem. A maior parte das vezes, é por bem. E só as coisas que nos custam nos fazem crescer. Primeiro, porque são coisas que nos são queridas – e isso é bom. É tão bom termos coisas queridas, que adoramos. Depois, porque é assim mesmo, às vezes a perder o que de tão bom temos, que nos abrimos ao mundo para algo melhor.

Não duvides. Primeiro, não duvides de ti. Tu és grande, és enorme. És maior que este Oceano que nos separa e maior do que o que tens feito. Podes ser mais, assim abraces este novo desafio. Podes ser maior. Mereces ser maior. Vais ser maior.

Começo eu por acreditar nisso, mesmo que o não faças já já. Ser maior precisa de tempo. Precisa de crença. Mas é para isso que cá estou. Para remar contigo. ‘Porque a duas é difícil mas é possível’.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito do novo desafio da Mary.

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escrever

Saiu de casa a correr. Adormeceu na cama na noite anterior, ainda vestida. Tinha saído tarde do trabalho, vestira à pressa aquele vestido preto justo, pintara os lábios de vermelho e as bochechas de um cor de rosa clarinho e as pestanas com rímel preto. Vestiu-se à pressa, umas calças, uma tshirt, um blazer básico preto, umas botas de salto alto. A carteira a tiracolo, as chaves no bolso do casaco, o telemóvel numa mão e os óculos escuros na outra. No autocarro, procurou o bloco de notas que nunca largava: era fiel àquelas folhas em branco, sempre escritas a lápis, onde quer que fosse. A lapiseira tinha sido prenda dos pais quando acabou o curso. “Há sempre maneira de apagar as coisas menos boas fazendo-as bem”, disse-lhe o pai naquele dia meio nebulado de Maio, antes da missa da Benção das Fitas.

E era sempre o que andava com ela na carteira, fosse para onde fosse. Quando se esquecia do caderno, era na lapiseira que ela se refugiava. Roubava guardanapos dos cafés que ia enchendo de rabiscos, pedia folhas emprestadas. Apontava o que via, coisas que lhe chamavam a atenção, ideias de coisas para fazer. Tirava notas até no verso de papéis de embrulho. Escrevia sobre as pessoas que conhecia nos cartões de visita que lhe davam, observava para contar. Acumulava apontamentos em carteiras, em bolsos de bolsos de carteiras. “Um dia hei-de pôr estas ideias em prática”. Naquele dia, ao sair de casa para mais um dia de trabalho naquele escritório cinzento e monótono, com caras cinzentas e monótonas a rodeá-la, apontou no caderno de notas, a lápis, que aquele era o dia. O último assim.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito destas e de outras manias.

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