Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Dezembro, 2008

Em 2008 falámos de crise. E falámos muito. E foi um tema do mundo inteiro!

Em 2008 Ingrid Bettancourt foi libertada depois de 6 anos de cativeiro.

Os Jogos Olímpicos realizaram-se em Pequim e Michael Phelps bateu todos os recordes.

Foi o ano em que Radovan Karadzic foi encontrado e Nicolas Sarkozy foi notícia porque casou com Carla Bruni. Ano em que Espanha foi campeã da Europa de futebol. Em que Scolari deixou a Selecção e em que Newman deixou o mundo.

2008 trouxe de volta – e em força – os conflitos da Geórgia e um avião caiu em Barajas. E foi o ano da mudança mais significativa dos últimos anos: os Estados Unidos da América, pela primeira vez na História, elegeram um afro-americano para o cargo de presidente do mais poderoso país do Mundo.

Barack Obama ficará para sempre ligado ao ano de 2008. Como Hillary Clinton. E John McCain. E Sarah Pallin.

 

Em Portugal, José Sócrates e Cavaco Silva. E Manuela Ferreira Leite.

O desemprego aumentou assustadoramente. Os preços dispararam. A qualidade de vida diminuiu drasticamente. Os professores invadiram as ruas e exigiram direitos. Os alunos excederam-se a Matemática. Manuel de Oliveira fez 100 anos.

 

E de 2008, em Portugal, pode dizer-se o mesmo que, há tanto tempo, Eduardo Prado Coelho já disse e que nós, hoje, ousamos transcrever:

 

“A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres. Agora dizemos que Sócrates não serve. E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada. Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria-prima de um país. Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal e se tira um só jornal, deixando-se os demais onde estão. Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos….e para eles mesmos. Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
[…] Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada… […] Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez. Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido. Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar no espelho. Aí está. Não preciso procurá-lo noutro lado.”

(Eduardo Prado Coelho in Público)

2008 foi marcante para o mundo. Na Nossa Agenda, 2008 foi determinante. Foi ano de ideia, de início, de estreia. Ano de experiência, de risco, de ousadia…de certeza.

De 2009, esperamos que nos conte as suas histórias. E acreditamos que o novo ano nos vai deixar contá-las – nas nossas estórias – aos outros. A todos. Feliz Ano! 

Anúncios

Read Full Post »

Esfregou os grandes olhos azuis para se certificar que não estava a sonhar. Visto de cima, o planeta azul parecia ter sido tranformado numa grande laranja. Mesmo dali, o cenário era assustador: o calor das labaredas chegava a aquecer as suas mãos geladas. Coçou a cabeça verde com a impressão de nunca ter visto nada igual. Uma brutal labareda de fumo, um barulho ensurdecedor, gritos aflitos e de sofrimento. Pareceu-lhe que toda aquela bola verde e azul, vista preferida do banco do pequeno jardim marciano, tinha sido invadida pelo inferno, sem aviso nem expectativas. Carregou com o fino dedo no botão do comando e um enorme ecrã apareceu à sua frente. A imagem e a voz do pivot chegavam através do satélite mais próximo e era possível perceber – mesmo ali – que a situação não era fácil. Ouviu com atenção as notícias e questionou a razão de tudo aquilo a que tinha assistido. Nunca tinha percebido a razão das guerras, porque para ele não fazia sentido que seres semelhantes lutassem uns contra os outros por algo que pertencia a todos. Fazia sentido que se lutasse pelo comum, por aquilo que seria em prol do bom, do bem, do melhor para todos. E matar – para conseguir conquistar mais, ter mais, ganhar mais, explorar mais – era mecânica que não percebia, de todo.  

Rodou a cabeça ligeiramente e engoliu em seco. Imagens chocantes passavam a um ritmo alucinante na tela invisível. Não conseguiu dizer nem mais uma palavra. Perdeu a fome. A fala. Perdeu a consciência. Caiu. Mas os sentidos não impediram que as imagens voltassem a projectar-se em frente aos seus olhos, cerrados, sem reacção, sem percepção. No subconsciente havia imagens que se atropelavam, ocupavam o lugar de outras. Os locais confundiam-se num mix de chamas, de explosões, de tiros. Luzes azuis de ambulâncias apregoavam socorro urgente enquanto pais carregavam os corpos dos próprios filhos ao colo e os apertavam, na esperança de que a bomba mortífera voltasse a estar prestes a explodir, sem que o desfecho fosse esse mesmo. Desejo de um rewind que não acontece (nunca). 

Uma nova explosão. E o regresso dos sentidos. Abriu os grandes olhos e olhou para baixo a certificar-se de que o planeta azul estava laranja. Deu-se conta de que o tempo é cumulativo e não volta para trás. Entretanto, mais crianças tinham morrido, mais bombas explodido, mais casas e escolas e vidas tinham sido destruídas. Sem ninguém que contasse as histórias.  De cima – de fora – um cenário assustador. Medonho. Avassalador. Um verdadeiro inferno, pensou. Imagine-se para quem o vive – e morre – com ele.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito das notícias do Público e do El Pais (edições online):

 Responsável militar diz que o mais difícil está por vir – Nenhum edifício do Hamas ficará de pé em Gaza, ameaça general israelita 

 Israel declara guerra sem misericórdia contra o Hamas 

 Dois a quatro quilómetros a partir da fronteira – Israel interdita a jornalistas áreas limítrofes com a Faixa de Gaza 

El buque ‘Dignity’, de la ONG Gaza Libre, llevaba 4 toneladas de productos médicos a la Franja.- Una patrulla israelí no ha permitido que atracara en la costa palestina

Read Full Post »

Vozes

Antes de ir lavar a loiça, decidiu ligar a televisão para que o barulho lhe fizesse companhia. A casa ficava estranhamente vazia quando todos se levantavam e voltavam ao trabalho, depois do almoço preparado por ela.

Enquanto levantava a loiça suja, terminou a série que estava a dar e começaram os anúncios. Sempre os mesmos. Na altura das festas começavam a aparecer as figuras públicas com os incontáveis anúncios sobre os pobres em África. Ou noutro sítio qualquer. E depois um novo gel duche, uma caixa de maquilhagem que prometia deixar a pessoa qual estrela de cinema de Hollywood. Ou um novo creme hidratante. Os CD e os filmes do momento.

A loiça tilintava por entre as suas mãos protegidas pelas luvas que se recusava a não utilizar. De repente vieram-lhe à memória as músicas da adolescência. Quando os problemas e as obrigações eram só um passatempo, porque o que importava era arranjar namorados e dinheiro para ir aos concertos de então. Ou pelo menos não perder nenhum na televisão, ainda a preto e branco, lá em casa. Começou a trautear a música que era só deles – seria? – e que tantas vezes cantaram em conjunto.

Depois outras surgiram. Toto Cotugno, Abba, GNR – tão novinhos – e os Beatles. Claro. Como esquecer? O John Lennon era o ídolo de todas as raparigas da sua idade. Os cabelos longos e os óculos redondos. O ar rebelde e divertido enquanto cantavam “Yellow Submarine”. A recordação estava-lhe tão presente que parecia que a voz de Lennon enchia a sala. Mas não..era só mais um daqueles anúncios sobre a necessidade de apoiar os meninos pobres e garantir-lhes o acesso a computadores…

Ah, como ela gostava de voltar a ouvir a voz do seu ídolo da juventude…

 

Entrada na Nossa Agenda sobre a notícia:

John Lennon ‘resucita’ para promocionar ordenadores

El fallecido cantante de los Beatles protagoniza un anuncio de televisión de una organización de caridad.

REUTERS / ELPAÍS.com – Nueva York / Madrid – 29/12/2008

Read Full Post »

Na sala, o ar era quase irrespirável de tão condensado. Eram às centenas, as pessoas que se acumulavam, desde a entrada até ao corredor. Era preciso que conseguissem aproximar-se do balcão para pedir uma senha. Com essa senha, seriam, a seu tempo, encaminhadas para uma das salas de triagem, onde lhes seria atribuída outra, de uma cor, entre três disponíveis. A seguir, esperar a vez para serem atendidas pelo médico, segundo o grau de urgência. Nessa altura, seriam tratadas ou encaminhadas para um especialista, de acordo com o grau da doença. Só que todo este processo, apesar de eficaz, era intensamente, fatidicamente lento. E com uma afluência recorde, o processo seria moroso e indiscutível, assustadoramente ineficaz.

Enfermeiros e médicos estavam apinhados de trabalho e não tinham mãos a medir há horas. Alguns, exaustos do turno de banco, sentiam os olhos quase fechar-se pelo passar das horas, sem tempo sequer para um café. Outros, não sabiam por que lado começar, porque desde a entrada à sala de espera, passando pelas casas-de-banho e pelos corredores, tudo eram doentes. Tosse, espirros, febres altas, tudo a acumular-se com ar condicionado contaminado, e uma corrente de ar constante, do entra e sai da porta das urgências. Crianças ao colo dos pais tremiam de frio pela febre alta. Velhos deitados em macas, deliravam entre os corredores sombrios iluminados com aquela luz amarelada, artificialmente colorida. Eram muitos, centenas. Iam chegando e acumulavam-se, debaixo do olhar impotente dos técnicos de saúde, sem maneira de atenuarem o sofrimento e acelerarem a cura dos doentes.

Os tarefeiros passaram a médicos. Os auxiliares a tarefeiros. Os internos a chefes de medicina. À falta de máscaras que de alguma forma protegessem os profissionais de saúde das maleitas que pareciam não querer abandonar os espaços, cada um tentava proteger-se como podia, sabendo, porém, que os esforços seriam infundados. Cada turno só acabava quando houvesse quem substituísse o que saía. Não há tempo para buracos negros nas consultas. Mas nem isso era reconfortante. Em vez de sair à rua e encher os pulmões de golfadas de ar fresco, cada um saía à rua e gelava com o frio cortante que entrava nos pulmões e os fazia doer. Cachecóis, gorros, luvas, casacos de pele. Nada parece travar o frio. Que se adensa e aperta contra as paredes teimando entrar em cada casa e passar por cada frincha, por mais bem vedada que esteja.

É inútil avisar que não vale a pena vir para aqui. É inútil dizer que o tempo de espera de oito ou nove horas pode agravar para pneumonia aquilo que ainda é só uma gripe. É inútil dizer que também nós morremos um bocadinho de cada vez que não conseguimos atender devidamente alguém. É inútil lutar contra o frio, o vento, o sono, o cansaço e as lágrimas que teimam em cair porque desta vez, a febre não baixa dos 39ºC mas teima em subir como se os medicamentos lhe dessem ainda mais força. Resta rezar para que o corpo pequenino – ainda mais porque tolhido pelo frio e pela tensão das tremuras – resista. Rezar continua a ser útil, espero.

E enquanto percorria o corredor branco, ela só teve tempo de se desviar de uma das tantas macas que se encontrava no caminho. Perdeu os sentidos no vazio. Fora finalmente vencida…pelo cansaço!

 

 Entrada na Nossa Agenda sobre a notícia:

Pico da epidemia de gripe ainda está para chegar e urgências já estão em sobrecarga

Procura surpreendeu os responsáveis da Direcção-Geral da Saúde, que há duas semanas pediram aos hospitais para activarem os planos de contingência devido à epidemia

Foi um dia “absolutamente excepcional”: na sexta-feira, entre hospitais públicos e centros de saúde, registaram-se mais de 37 mil episódios de urgência, uma afluência quase duas vezes superior ao normal, que provocou o entupimento de vários serviços e longas horas de atraso no atendimento.

Fonte: Público

Read Full Post »

Apoiou uma das mãos na cabeça e, com a outra folheou o livro. Estava quase a terminar a história. O livro era uma colectânea de vários contos, todos europeus. Gostava da cultura ocidental. Sempre o fascinara. Normal, pensava. Lembrava-se da primeira vez que o avião aterrara em Londres. Logo no aeroporto, deu-se conta das diferenças. A cor da pele, a maneira de vestir, os restaurantes. Tudo era tão diferente do Paquistão. Nem para uma criança com dois anos isso era difícil de perceber, constatou. O mundo era um só, mas ao mesmo tempo tão diferente. Àparte todas estas diferenças, aquilo que mais o fascinava na cultura europeia era o gosto pela opinião. Cada um, por si só, era uma fonte de opinião, de discordância, de concordância, de discussão. E a melhor parte era que a liberdade de dizer aquilo que se pensa e a total liberdade de pensar era um dado adquirido. Isso era maravilhoso.

-Vem para a mesa! Levantou-se rapidamente e devolveu o marcador ao livro e o livro à estante. Terminar este último conto teria de ficar para mais tarde. Enconstou silenciosamente a porta do quarto e seguiu pelo escuro corredor. Mais ou menos a meio, uma mesa com a fotografia dela, sorridente, despojada, como uma verdadeira ocidental. Apenas o véu branco na cabeça o lembrava de que, afinal a sua mãe era paquistanesa. Chegou a mão à boca e soprou-lhe um beijo. Dirigiu-se à cozinha. À volta da mesa já estava o pai e a irmã. Sentou-se e aproximou a cadeira do tampo. Não gostava de comer longe do prato. Como ela. Como de costume, na mesa quadrada havia agora, com os três em redor, um lugar que permanecia vazio. É hoje, pensou. Um ano depois, e ela continua connosco.

Entrada Na Nossa Agenda sobre o notícia:

Benazir Bhutto morreu há um ano –  Uma paquistanesa reza junto à sepultura da antiga primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto, assassinada há precisamente um ano, após um comício em Rawalpindi…Fonte: Público.

Read Full Post »

– Olha, vês, eu bem te disse que ela não servia para isto.

– Oh, mas filho de peixe sabe nadar. Eu cá não sei o que têm contra a senhora.

– Mas se até a Europa já se manifesta. Não sei, não sei. Eles estão de fora. Se calhar distanciam-se mais do que nós.

 

O burburinho está em crescendo perto do quiosque. A notícia, apesar de não ser completamente inesperada, é no mínimo estranha. Afinal, praticamente nem é oficial a candidatura e já há opiniões?

 

Quando chega à mesa do pequeno-almoço, a empregada, impecável na sua farda preta e branca, está com um olhar tenso. Pergunta-lhe o que foi. Nada, senhora. Café? Sim, por favor. Senta-se, ainda de roupão e começa a desfolhar os jornais do dia, hábito quotidiano de tantos anos. Chega ao NYT e o olhar pára enquanto um leve rubor se espalha pela face. Continua a ler, rapidamente: “(…) na minha opinião, ela não está qualificada para a vaga da senadora Clinton”.  Ela levanta os olhos para a empregada e entende-lhe o embaraço. Levanta-se rapidamente e vai até ao escritório. Precisa de falar com a sua secretária e os assessores. O que fazer? Nada? Silêncio total? Pára no corredor e fixa a imagem do pai. Sorridente, bonito, com um olhar inteligente e o bom-senso espalhado no rosto. Respira fundo e entra no escritório.

 

**

Na redacção é convocada uma reunião geral. Geral a sério: editores, repórteres, fotógrafos, estagiários, secretárias. É preciso saber o que aconteceu e como aconteceu. Não sendo uma situação calamitosa, é suficientemente má para dar cabo do jornal se não for resolvida convenientemente. Valha-nos a confusão do Natal, foi confirmada a fonte? É preciso ligar para França e não é boa ideia demorar muito tempo. Com tanta gente com quem isto podia acontecer, porque é que aconteceu logo com ela? Porquê com ela? Tanta gente de pai desconhecido e agora temos esta bota para descalçar. Saiu-nos o tiro pela culatra e lá se foi a nossa bomba desta semana. Pior. Quando isto se souber vamos ser tratados como escumalha…e se já somos tratados bem…

Toca o telefone. A porta do edifício está repleta de pessoas que querem saber mais. Pedem explicações, amontoam-se, empurram-se, perguntam, querem saber melhor o que se passa.

 

**

No aeroporto, aterra o avião. O ruído ensurdecedor dos pneus nem lhe abala o sono. O comprimido que tomou antes da descolagem, em Nova Iorque, foi o suficiente para uma viagem sem enjoos e sem suores frios. A hospedeira toca-lhe no braço. Mr., aterrámos em Paris, segreda-lhe. Finalmente estava de regresso. Ia rever amigos, reencontrar lugares que já tinham feito parte do seu quotidiano diário…e ia finalmente poder voltar a passear nas margens do Sena, como antigamente. Levantou-se lentamente do banco, as pernas ainda banbas de tantas horas de viagem. Au revoir, murmurou. Corre pela manga de saída e segue pelo corredor. Trouxe apenas bagagem de mão para não demorar na saída. Quer revê-la rapidamente. Ainda mais depois das reacções à notícia. Ainda nem oficializou a candidatura e já é afastada por eles. Pobre Caroline, pensa.

 

**

Encosta-se à cadeira e recorda-o. Tens os meus olhos, dizia-lhe muitas vezes, entre sorrisos. E os olhos, são espelho da alma. Nunca te esqueças disso, ‘Carrotte’. Ali, no escritório, sabia que apesar de a notícia ainda não ter sido avançada, a informação tinha escapado por algum lugar. Poucos sabiam ainda da novidade. E ainda por cima, nem tinha contactado ninguém por causa de apoios. Que raio, pensou. Mas quem? Quem escreveria para o jornal, far-se-ia passar por Clinton para contestar a minha candidatura? Quem?

**

A criada bateu à porta. O senhor John chegou. Num pulo, a pequena ‘Carrotte’ levantou-se da cadeira. Correu à sala e lá estava ele. Já não o via há tanto tempo e continuava o mesmo. Uns olhos, que tal como os dela, era espelho da alma. Iguais a si próprio. Que saudades. Que bom que estás aqui. Estava mesmo a precisar de um abraço teu.

 

 

 

Entrada Na Nossa Agenda sobre a notícia:

‘NYT’ admite publicação de carta falsa sobre Caroline Kennedy

No documento, o prefeito de Paris supostamente criticava a intenção de Caroline se tornar senadora nos EUA

 Caroline, filha do ex-presidente John F. Kennedy, iniciou uma série de contatos para obter apoio em sua tentativa de ocupar no Senado dos Estados Unidos o cargo de Hillary Clinton, que assumirá como secretaria de Estado no futuro Governo de Barack Obama.

 “Com todo o respeito e admiração que tenho por seu pai, vejo sua tentativa como de muito mau gosto (…) na minha opinião, ela não está qualificada para a vaga da senadora Clinton”, dizia a carta.

 “Esta carta é falsa e não deveria ter sido publicada”, reconheceu o ‘New York Times’ em seu site, no qual explicou que o documento chegou por e-mail e que não se comprovou convenientemente sua autenticidade.

 O diário afirmou ainda que vai revisar seus procedimentos internos para evitar que algo assim se repita.

Fonte: Estadão

Read Full Post »

Noite de Natal

Olá. Feliz Natal! Vão chegando aos poucos, uns ainda de dia, outros já depois da noite cair. Trazem grandes sacos cheios de embrunhos que os adultos tiram sem as crianças de aperceberem e colocam no antigo escritório do bisavô, mesmo à entrada de casa. Entram em grupos, primeiro os primos e os tios. Cumprimentam-se com abraços de quem não se vê há algum tempo. É tempo de reunir a família, de cantar canções de Natal, de admirar o presépio cheinho de surpresas, de descobrir as novidades de decoração, de comemorar a nossa união. São muitos os primos, o barulho enche a casa. Tanto que chega a confundir.

A sala ainda espera as últimas chegadas e já a lareira arde e aquece. Logo, juntamo-nos em duas mesas – porque uma não chega -, comemos bacalhau, batatas e ovos. Há espectáculo com músicas, teatro, aplausos e seguimos depois, de carro com os mais pequenos, à procura do Pai Natal. No passeio fazemos o balanço do ano, procuramos o rasto das renas e do trenó, inspiramo-nos nas melodias e lembramos os avós que já não estão. Quando passarmos por casa e a vela estiver no parapeito da janela, é sinal que ele já passou. Aí entramos e há brilhos nos olhos de todos. Afinal, Natal é festa da família e nós estamos com a nossa.

 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da minha noite da consoada, na (minha) agenda de hoje. E também na vossa, provavelmente. Cada família, à sua maneira, reúne hoje. Um Feliz Natal a todos.

Read Full Post »

Older Posts »