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Archive for Outubro, 2012

Silêncio!

Hoje há silêncio. E é de tal forma silenciosa que ensurdecedor. É um silêncio que cega, que esvazia, que dói. Hoje há silêncio. Há páginas em branco e televisões a preto. A rádio passa música e o trânsito amontoa-se e compacta-se enquanto as horas rolam no relógio. Os telefones não param mas afinal? Sabes algo? O que se passa? Ninguém sabe. As histórias calaram-se e o mundo parece ter parado, embora continue a avançar à mesma velocidade dos outros dias. No seu espaço, tudo gira na normalidade de sempre. Mas ninguém mais a sabe. Ninguém mais a conta. Ninguém acompanha a eleição de Barack Obama ou as cheias em Santa Catarina. Não se sabe se o Benfica ganhou ou se o pão vai aumentar. Podem até ter matado os governantes e Guimarães estar em estado de sítio.

Hoje, o Rei é o silêncio. Porque a pouco e pouco mataram as vozes. Dos contadores de estórias que todos os dias fazem o mundo e o mantêm, de alguma forma, a rodar. O silêncio vai ser Deus e Senhor num mundo em que todos acreditam poder debitar palavras sem saberem que elas podem ser tão vazias quanto transbordantes de conteúdo. Em que acreditam que não é preciso respeitar as palavras para as transmitir aos outros. Mas sem respeito não se contam estórias. Nem se fazem notícias.
E a desinformação, de mãos dadas com o silêncio, podem escurecer ainda mais um mundo que se debate para gritar e para dar voz a quem a não tem. Estão a calar as vozes. E a matar as estórias. No longo prazo, matarão o mundo sem que disso se apercebam. Porque não há ninguém para lhes contar.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia

Despedimento colectivo no Público atinge 48 trabalhadores

http://economico.sapo.pt/noticias/despedimento-colectivo-no-publico-atinge-48-trabalhadores_153564.html

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Casa

É casa aqui. É casa no aconchego do teu abraço, no repenicar do teu beijinho, no calor do teu olhar. É casa quando te leio. É casa quando ligas, quando te sinto no fundo do telefone, um sorriso. É casa quando estás aqui e também quando não estás mas parece que estás porque nunca deixas de estar. É casa quando apareces depois de fingires que desapareceste, quando convidas para jantar de surpresa e esperas que eu leve o vinho. É casa quando telefonas no caminho para perguntar como corre a viagem, casa quando sinto a orelha vermelha porque estás a pensar em mim. Casa quando passo a ser palavra nas tuas frases. É casa sempre que estás e te sinto. Casa quando escreves, quando cantas, quando me apresentas uma música de que gostas muito e da qual eu nunca ouvi falar.

É sempre casa quando me citas um verso de cor e eu calo o final da frase – mesmo que a saiba – para tu sentires que brilhas para mim. É casa quando escondes o olhar de esguelha que queres que eu não veja.

É casa quando me negas um beijo que depois de dás em troca de outro. É sempre casa quando olhas para mim, quando os teus olhos percorrem os meus lábios e sorriem às minhas palavras, mesmo que não faças ideia do que falo ou porque o digo. É casa quando os teus olhos dizem que sim ao que a tua boca diz que não, porque é casa conhecer-te melhor a cada passo. Casa sempre que ameaças abraçar-me e cumpres a tua promessa. É casa a sensação de te conhecer hoje melhor do que ontem e pior do que amanhã, porque a doce expectativa de ver em ti aquilo que eu procuro é sempre quente. É casa sempre que penso em ti. Porque é sempre casa quando chegamos e nos sentimos bem. E tu és esse sítio.

É casa quando chego, casa quando cheiro, casa sempre que tu estás, onde tu estás. É casa quando tenho saudades e sempre que as mato. É casa em ti.

Entrada na nossa agenda a propósito de coisa nenhuma, senão isto.

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De repente todo um País voltou a acreditar. A ter esperança. De repente, a cada frame visto, a cada caracter lido, houve um lampejo de alegria, de ‘suspense’, de uma magia que se queria que nunca mais acabasse, enquanto lá fora o mundo continuava a girar, ininterrupto, envolto na negra sombra provocada pela palavra ‘crise’ que não pára de ser pronunciada.

Nada escapa: nem a televisão à hora do jantar, nem as redes sociais, os ‘sites’ noticiosos. Está em todo o lugar a arrancar sorrisos e suspiros e a ocupar conversas de café. É motivo de olhares no meio da rua, à passagem pelos cartazes, pelo número de telefone, pelas referências e tentativas que foram crescendo, que se foram multiplicando, que são agora parte do imaginário de todos – sobretudo dos apaixonados, dos amantes, dos crentes, dos crédulos.

E de repente, como que nunca brincadeira sádica de um destino que – todos crêem – não se adivinha fácil, a bomba explode. A desilusão. O desapontamento. A revolta. A tentativa de encontrar uma explicação para a própria ignorância. Gritos. Choros. Ranger de dentes. A crítica feroz. A condenação. A crucificação. As desculpas. Os desabafos. A tristeza.

E o mundo volta a ensombrar-se pelo terror da ‘crise’, esse bicho papão que serve de justificação a todas as mudanças de humor, nos últimos tempos. E a mentira volta a ganhar e a destruir os sonhos e os sorrisos. E de repente, o mundo está demasiado concentrado em dar importância a mais a algo que nunca devia ter passado de isso mesmo: uma mentira.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da campanha publicitária ‘À procura de Diana’

http://www.dinheirovivo.pt/Buzz/Artigo/CIECO062879.html

 

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