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Archive for Agosto, 2013

Silêncio. Depois da notícia, dita em apenas quatro palavras, foi silêncio o que mais se ouviu. Um raro silêncio unânime num País onde tanto há a dizer sobre toda a gente. Desta vez só o silêncio da humildade de quem sabe da pobreza que recaiu sobre todo um País.

Sempre que um Homem morre é toda uma biblioteca que se incendeia, diz um provérbio indiano. Repetiram-no durante o dia inteiro. Como se as palavras ajudassem a entender e sobretudo a aceitar.

Parece certo, o provérbio. Mas não percebo por que não param de o repetir. Não é como se fosse uma biblioteca. Um livro? Talvez… Sim!, sessenta anos de vida dão um bom livro. Interessante, talvez. Mas uma biblioteca? Não. Precisaria mais de 150 anos para poder ser algo parecido com uma…

Olha de cima, agora, como nunca olhou antes. Vê o mundo que quis melhorar com a distância de quem, apesar de tudo, ainda pode fazer tanto para ajudar: pelo trabalho, pelo empenho. Ficam as memórias. Os exemplos.

Era apenas o que tinha que ser feito. Remar contra a maré. Gritar aos quatro ventos as crenças. Trabalhar para um mundo – para um País – melhor. Entregar-se. Literalmente. E dar a vida pelos ideais que espera que não morram também com ele.

Eles vão conseguir. O preço a pagar é alto, mas a recompensa…ah!, sim, eles vão conseguir. No descanso de quem nunca quis parar, a certeza de que o mundo não ficou igual depois da sua passagem. Firme. Determinado. Genial. Empenhado. Destemido. Levou o País mais longe. Fez capa de revistas internacionais. Ora, não foi nada de especial. Era o que tinha que ser feito. O mundo reverenciou-o como nunca o País.

Que, no entanto, se quedou mudo num silêncio de tristeza, de perda e de pesar profundo. Um País que afinal ainda sente. Ainda sofre. Ainda cala no luto. O País para onde sempre quis voltar. O meu País. O meu País.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da morte de António Borges.

http://www.publico.pt/economia/noticia/antonio-borges-um-economista-liberal-1603942

 

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E ontem, quando bateu a saudade, abri pela primeira vez a única coisa tua que tenho  em casa. E quase te pude ver a usar estes brincos, esta pulseira, estr colar… E todos os outros que guardo com o carinho e a angústia de quem queria era ter-te aqui nas coisas ao invés de ter só as coisas sem ti.

E não me julgues mal, que a saudade é proporcional à alegria que sinto por teres ido. Arriscado. Porque agora te sei melhor e mais completa. Agora vejo-te, novamente, como há uns tempos: genuína, observadora, sem limites para a escrita, para o mundo.

Mas esta coisa da saudade – boa – é uma maçada sobretudo em alturas destas. Em que trocava tudo por um jantar em terras de um Paramaribo imaginário. Só nosso.

Tenho saudades tuas. E se as palavras as não aplacam, vou esperar que o tempo – e o saco cheiinho de coisas tuas que lá anda por casa – o faça.

[guardei tudo novamente no saco de pano e pus junto às minhas coisas. A ver se te sinto tão perto quanto as nossas bijuterias estão umas das outras 🙂 ]

Entrada na Nossa Agenda a propósito da distância da Mariana. O meu outro par de mãos.

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