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Archive for Novembro, 2012

Parabéns

A quatro mãos. A quatro olhos. A quatro bocas e tantos pensamentos. Curiosamente, são quatro anos. Quarenta e oito meses. Na mesma cidade, ao início. Em dois continentes, depois. No mesmo País, novamente. Quatro olhares, que vos entraram vida adentro, enquanto saíam das nossas porque formados nas nossas mentes. Centenas de histórias que quisemos contar da forma como cada uma de nós sentiu. Sorriu. Chorou.

Quatro anos com colaborações. Com ajudas. Com tanta [tanta, tanta] falta de tempo mas ainda mais vontade. E se às vezes o tempo se sobrepõe à vontade, foram quatro anos em que lutámos para que  o oposto acontecesse.

Mil quatrocentos e sessenta dias. De sorrisos e dificuldades partilhadas De ideias que se foram adensando, umas concretizadas, outras tantas somente sonhadas num espaço e tempo que criamos porque remar contra a maré a duas…é difícil, mas é possível.

Quatro anos a quatro mãos. A crescer e a tentar ser, durantes todos estes milhares de horas que entretanto passaram, mais e melhores. Quatro anos a quatro mãos. A viajar, a trabalhar, a ser, simplesmente, que a vida também precisa que sejamos, somente.

Quatro anos a dois sorrisos. E um obrigada. Vezes quatro. Porque remar contra a maré com a tua ajuda tem sido muito mais fácil. E a impossibilidade nem sequer tem surgido como hipótese…

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alex total

Vou pegar nas coisas que tu disseste para começar o meu texto. Não me leves a mal o plágio, mas há coisas que as outras pessoas escrevem e dizem tão bem que nem vale a pena tentarmos mudá-las para tentarmos fazê-las brilhar mais do que brilham.

“Tínhamos um início de carreira e ele era perfeito. Passados 4 anos tudo mudou: se hoje o Sr Presidente quiser falar com o Marco tem de ir a Londres, se quiser conhecer a Joana, a Tatiana ou a Catarina tem de ir a Paris. Dentro de uns meses se quiser falar com o Rui pode ter de ir a Málaga, se quiser falar com o Mike terá de ir ao Rio de Janeiro, se quiser falar com a Daniela terá de ir a Hong Kong.”

Ontem disseste tudo. Vieste receber um prémio que te foi atribuído enquanto estavas fora, porque este país não te soube prender. Puseste a boca no trombone, seu sem vergonha, para uma coisa que nos angustia a todos. Falaste dos amigos que estão fora, dos outros que planeiam sair, pediste misericórdia, respeito pelo jornalismo. Aproveitaste o microfone para dizer verdades – uma coisa tão rara para a maioria que tem essa oportunidade – e falaste dos que te fazem falta, dos que foram.

Esta semana, numa entrevista sobre empreendedorismo – o palavrão que está na moda, que toda a gente usa mas que poucos sabem o que quer mesmo dizer – perguntava eu – acho que num tom já agressivo – se a pessoa em causa achava justo as pessoas novas, da nossa idade, terem que sair do país que não tem espaço nem oportunidades para elas. Dizia ele antes: ‘olhe que a emigração não é de hoje, que nos anos 60 já se emigrava muito’. ‘Olhe que não, que não é um drama que muitos fazem, que os jovens vão para fora para construírem carreiras apetecíveis’. E mandam postais, e marcam conversas de skype, e mandam prendas por correio nas festas de anos porque nem sequer podem cá estar. ‘Olhe que não, que até os meus filhos saíram há uns anos, bem antes de a crise ser tão grave’. E eu a insistir que não é justo a crise obrigar os de quem mais gostamos, que mais nos orgulham, a emigrar porque cá não têm hipótese. E, nos meus olhos, a ver a angústia e o desalento de quem adora um trabalho que não dá hipótese para mais nada: não dá tempo, não dá para uma casa arrendada, nem para grandes luxos, básico à parte.

Isto não é nostalgia. É real. Porque a Débora, a Catarina, a Rita, a Sara, foram mesmo embora. Despedi-me delas, dei-lhes abraços de até já, prometi-lhes visita. Foram embora porque a luz de Lisboa, os pastéis de Belém, o ‘bom dia’ em português e o conforto da casa dos pais ao fim-de-semana não chegaram para as prender cá. Foram à procura de uma coisa melhor (e quem as pode condenar?). Hoje estou em modo Alex total. Porque acordei com a sensação de que o teu jornalismo ontem – além de falar de todos os teus amigos que Cavaco não poderá conhecer se não viajar – contou a tua história. Porque ele não teria a oportunidade, a sorte, de te conhecer, se não fosse o prémio. Ou então, tinha de meter-se num avião a caminho dos States.

Um dia não serão precisos prémios para nos trazer de volta a casa.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do Alex.

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O ciclo repete-se. Despertador toca. Entre uma espreguiçadela e um sorriso, levantamo-nos a custo. Dar comida ao gato, ao cão e ao peixinho. Banho. Os gestos são mecânicos. Tanto quanto a nossa vida parece ser também. Está frio, hoje. Toalha ao largo. Roupa quente. Botas. Make up. Como é que eu viveria sem make up? Um pequeno-almoço rápido enquanto se ouvem as notícias. Futebol, que as manhãs são parcas em importância nos noticiários.

Sair. Enfrentar o frio o trânsito, os caminhos cortados. O ciclo repete-se. Bom dia, como está? Há quanto tempo? Sorrisos. Ainda bem que veio. Sorrisos. O ciclo repete-se. Sentar à secretária. Escrever. Contar. Falar. Telefone. Barulho. Televisão. Contar. Contar. Contar. Escrever. A luz começa a desvanecer-se ao mesmo tempo que as ideias. O cérebro aguenta cada vez menos horas de trabalho seguidas. Está tudo bem. This is your life. Do what you love and do it often. Como um mantra, repete-se a leitura. This is your life. Para o bem e para o mal.

Percorrer, pela enésima vez, os sites de informação. (Re)ler trinta vezes o que aí vem:

Governo quer diluição de pelo menos um subsídio no privado já em Janeiro.

Actividade económica cai e agrava-se em Setembro

Governo prepara-se para aumentar horário de trabalho no Estado

O ciclo repete-se. Eu não quero morrer sem braços e sem pernas e com a bandeirinha na boca. O patriotismo acabou. A esperança acabou. O ciclo repete-se. O burburinho recrudesce à medida que a luz se esvai. Aceleram-se os movimentos. Contar. Escrever. Ouvir. Contar. Contar.

Abrir a porta de casa e fazer uma festa ao gato. Alimentar o cão, o gato e o peixe. Fazer o jantar. Enrolar numa manta e sentar no sofá. Amanhã é outro dia. Infinitamente igual. O ciclo repete-se. Tal como a História.

E a História diz que também isto passará.

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