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Archive for Abril, 2009

Olhou lá para fora pela janela do quarto. Tinha acordado com o cheiro do café a entrar-lhe pelas narinas enquanto se aconchegava no edredão. Certamente fora a senhora do andar de baixo. Ela acordava sempre cedo e fazia um dos melhores cafés da cidade. Ou do prédio. Ou então somente da vida dela, mas não importa. O café era óptimo. O sol batia no rio e toda a cidade estava envolta naquela luz amarelada que não se via em mais lado nenhum. Os pináculos de História recortados contra o céu e os topos dos edifícios faziam-na voar para longe. Para a 5.ª Avenida. Onde passeava com os inúmeros sacos de compras, se divertia, tomava uns deliciosos cappuccinos e se punha a par das novidades. Porque as viagens a Nova Iorque têm que ser com as amigas. Num estilo Sex and the City, para ela se sentir uma Carrie Bradshaw. Olhou em volta. O soalho de madeira encerada, a cómoda bem arrumada e a roupa largada em cima do sofá. Uma parede vermelha. As outras três brancas. Foi até à cama, novamente, e deu-lhe um beijo de bom dia. Voltou à janela, abriu-a e sentiu crescer-lhe a água na boca quando o cheiro a croissants quentinhos com chocolate subiu até ao quarto. E a rio. E a gente. E a história. E a café. E a sonhos. E a música de violino e lá ao fundo de um acordeão. Mas os croissants? Esses valiam o esforço de se vestir em dois minutos e descer as escadas. E voltar com eles quentes. E sentar-se na cama, com um tabuleiro preparado para dois.

Ah, não. Ninguém me convence do contrário. Não há melhor do que viver em Lisboa!

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

 

Lisboa com melhor qualidade de vida que Nova Iorque

A capital portuguesa oferece melhor qualidade de vida do que Nova Iorque, Madrid ou Roma

 

http://aeiou.expresso.pt/lisboa-com-melhor-qualidade-de-vida-que-nova-iorque—=f511234

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Oh,oui. L’amour!

Não teve tempo para mais nada. Pegou no cobertor do bebé e nos documentos de todos e abrigou-se na ombreira da porta, como sempre lhe tinham ensinado. E rezou. Que a sua mãe sempre lhe dissera: quando te sentires aflita, com medo ou muito alegre, agradece a Deus tudo e pede-lhe a Sua protecção.

As lágrimas corriam-lhe pela cara enquanto apertava o filho contra o peito. Não ia aguentar perder mais daqueles que amava. Sem aviso, pelo surto de gripe, ficara sem aquele que mais amou em toda a sua vida. Não era justo! Quando disse “Sim”, fazia agora dois anos, tinha sido um “sim” para toda a vida. Uma daquelas vidas que levam a usar dentadura e bengalas e a passear de mãos dadas a ver os netos correr. Não um “sim” de dois anos que a deixou com um filho nos braços e uma vida de sonhos desfeita.

Desfiava rosários como quem se agarra à vida com todas as forças. Não ia deixar que a Natureza a tratasse assim. Não ia. …rogai por nós pecadores, agora e na hora…Aconchegou o bebé e pensou na mãe, sozinha naquela casa cheia de madeiras soltas. …cheia de graça, o Senhor é convosco…Lembrou-se do marido, novamente. Sabia que enquanto ele os protegesse, nada podia acontecer. Confiou plenamente na força daquela casa e no poder do amor que ali vivera. Não, a morte e o sofrimento já tinham tirado o suficiente dali. Agora seria ela a mandar.

…como era no princípio, agora e sempre, amén!

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

 

Não há registo de danos na capital

Forte sismo abala sudoeste do México 

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1377035&idCanal=11

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Sucediam-se os relatórios. Tinham sido meses de trabalho exaustivo, com equipas no terreno à procura do menor vestígio de perigo. O problema era a falha de informação. Havia muitas pontas soltas para arrumar num curto de espaço de tempo. Detalhes mínimos que poderiam determinar o sucesso ou o falhanço. Uma panóplia de hipóteses a considerar, sem que se dessem conta de quantas exactamente. Como num jogo de probabilidades. Num lançamento de dados. Num rodar de roleta.  A sorte também se planeia. Também se faz. Antes que a segurança nacional se visse comprometida. Antes que [ainda] mais vidas fossem ameaçadas. O presidente dera-lhe luz verde. Importava agora garantir que os acontecimentos não se repetiriam. Não importava quais os custos. Quem responderia. Quantos seriam injustamente punidos. Injustamente beneficiados. Chegara a hora de deixar de lado as contas e fazer acontecer. Por favor, traga-me novamente o último relatório sobre Abu Zubaydah. Retirou da secretária ao papéis que passara a manhã a ler. Tocou nas pontas das folhas ao de leve, tão rapidamente que o toque das margens finas e afiadas lhe feriu a pele do dedo de uma das mãos. Um almoço rápido. Pode ser uma sanduíche e um sumo de laranja. Leve, paranão pesar no estômago. Já chega o peso que levo nas costas. 

Não havia tempo a perder. Era terça-feira e quanto mais rápidas fossem algumas decisões, mais rápido resolveriam os problemas. Amanhã terão a minha decisão. Até lá, não façam nada que a lei não preveja…ainda. O telefone voltou a tocar. Era o Presidente a perguntar como corria a análise da informação. Tudo bem, sr. Presidente. Daqui a pouco dou-lhe dados mais concretos. E o suor em bica, a correr-lhe pela face, como se o calor da rua não fosse destruído pelas máquinas potentes de ar condicionado. Mas julgo que caminhamos no sentido certo para resolver o problema da falta de informação. No deixaremos a Al-Qaeda sair impune, senhor. Confie em mim. Mas tenho de pensar. Preciso de reler. De analisar. Não posso determinar assim – sem mais nem menos – a vida de outros.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Rice, Cheney e Rumsfeld, deram ‘sim’ à tortura

Fonte: DN

 

http://dn.sapo.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=1211019

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Beijo

Aproximaste-te e deste-me um beijo bom. Simples. Lento. Sentido. Foi mais do que alguma vez podia esperar de ti. Perguntaste-me há quanto tempo esperava eu por ele. Como se nos conhecêssemos há anos. Como se não fosse recente. Como se fôssemos amigos desde sempre. Falássemos desde sempre. Sorri. Lembrei-me das conversas, dos olhares. Das palavras e das mensagens. Da tua mão na minha, a caminho de casa. De quando deixei ficar a minha mão para trás, na confusão do bar barulhento e cheio. E da tua a chegar-se à frente, como se adivinhasse o atraso da minha. Dos dedos a tocarem-se cheios de certezas na incerteza das dúvidas. E depois os olhares. Oh, os olhares. E os teus lábios nos meus. Nunca vou esquecer os teus lábios nos meus. O teu beijo foi perfeito.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

À procura do beijo perfeito

 

Há mais ciência num beijo do que se imagina à primeira vista. Vários estudos científicos recentes ajudam a dominar os segredos de uma prática comum a nove em cada dez seres humanos.
Fonte: Público (P2)

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Podem passar os anos, sucederem-se os acontecimentos, as vidas viverem-se num ápice. Podem passar-se gerações, os dias andarem a uma velocidade alucinante e nem darmos conta da passagem dos anos, a não ser por perdermos pessoas queridas. Pelas rugas na cara. Pelos cabelos brancos. Pelo crescimento dos mais pequenos. Sabemos que o tempo passa porque vemos os seus efeitos no mundo. Mas retomando o assunto, bem podem passar os anos que há memórias perenes, que ninguém apaga. Creio que nem a mais poderosa das sanguessugas, nem a mais inovadora  das lavagens cerebrais, nem o mais devastador AVC poderia alguma vez apagar da minha cabeça as recordações que guardo sobre aquele dia. Foi difícil voltar a entrar pelo portão gradeado, ainda que o tenham pintado de cores diferentes ao longo dos anos, para mudarem também de cor as memórias negras daquele dia infernal. Foi complicado voltar às salas, rever professores com olhares carregados. Foi pesado reconhecer alguns colegas, porque parecia que tinham envelhecido 20 anos naquelas poucas semanas em que a escola esteve fechada. Bem mudaram as mesas de lugar, substituíram as cadeiras. Os balcões e o soalho foram renovados. Mudou-se o ambiente exterior, plantaram-se árvores e encheram-se as floreiras há muito vazias com flores de todas as cores. Mas os dias – até agora – tardam em alterar a cor carregada de quem não consegue senão recordar aquilo que aconteceu. Voltei hoje àquele portão, fronteira com o mundo real, dentro dos limites em que os meus pais me sentiam seguro. Mas a sensação de perda é a mesma de há dez anos. A tua cadeira, na ponta da sala, é outra. Mas continua vazia como no dia em que regressei sem ti no autocarro.

Entrada Na Nossa Agenda com base na notícia:

Dos estudiantes matan a balazos en EE UU a 23 compañeros y profesores de su instituto

La policía cree que los asesinos, que iban armados con rifles y granadas, se suicidaron

El País

http://www.elpais.com/articulo/sociedad/ESTADOS_UNIDOS/estudiantes/matan/balazos/EE/UU/23/companeros/profesores/instituto/elppgl/19990421elpepisoc_1/Tes

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Tensão…

Há anos que a situação é tensa. É uma verdadeira bomba o que temos na mão para resolver. O olhar concentrado e as linhas do rosto tensas demonstram a preocupação dos últimos dias. Apesar do sorriso e da certeza de ter consigo uma equipa à altura para resolver a situação, a verdade é que resolver esta questão exige-lhe toda a sabedoria do mundo. E riscos. Muitos riscos. Há mais de cinquenta anos que o clima de Guerra Fria não aqueceu nas mãos de ninguém. E agora não importa atribuir culpas, mas arranjar soluções. Agora, mais do que nunca, é altura para mostrar que ele não é o despreparado, imaturo, com pouca experiência. O miúdo que acha que sonhar basta para levar avante aquilo em que acredita.

Levantou-se e olhou lá para fora. O Bo corria pelo jardim com duas manchas coloridas a tentar acompanhá-lo. Sorriu e pensou: Se todos os dias puder ter um pouquinho disto, vale a pena a tensão de agora!

Pegou no telefone e mandou reunir todos. Era altura de tomar decisões. Sérias e muito concretas. O mundo vai começar a mudar…

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

 

Obama exige de Cuba sinais claros de democratização

Líder norte-americano disse que a política dos EUA para Cuba não funcionou porque o povo cubano não é livre

 

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,obama-exige-de-cuba-sinais-claros-de-democratizacao,357427,0.htm

 

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Dentro de um corpo esguio, uma alma imensa. Os braços curvam e esticam como se de borracha maleável se tratasse. As pernas finas, os ossos fortes, os ombros largos. Há qualquer coisa naquele corpo que não chega para traduzir a sua gandeza. Como uma coisa que não cabe numa caixa, ou palavras que não servem em certas conversas, ou pés que não cabem em determinados sapatos. Há qualquer coisa nele, que não é humano, que não cabe no corpo que se move ao som da música. Torneiam-se as pernas, os pés marcados pelos treinos bi-diários, os ossos curvos de tanto esticar e encolher. Os músculos desenvolvidos pelo trabalho de uma vida. E uma vida tão cheia de coisas, tão plena de música, tão completa. Apesar da perfeição dos movimentos, da sinceridade da expressão facial…apesar da completude do corpo…é impossível fazê-lo caber nesta caixa que é o mundo. O bailarino é etéreo. Vive na música. E ela no ar que ele respira.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

90 años de leyenda en movimiento

Nueva York celebra este jueves el cumpleaños y el genio del gran coreógrafo Merce Cunningham – Éste asistirá en silla de ruedas al estreno de ‘Nearly ninety’

http://www.elpais.com/articulo/cultura/90/anos/leyenda/movimiento/elpepicul/20090414elpepicul_2/Tes/

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