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Archive for Novembro, 2011

Aniversário três #5

Hoje é a nossa vez. Acaba a semana de comemorações. Obrigada. E parabéns a nós. Cá vai, pelas duas. *

Imaginámo-la primeiro, já crescida, com histórias para contar. Como aquelas caras cheias de rugas, que algumas mulheres tentam disfarçar com pó da cor da pele, aquelas cabeleiras com brancos pintados de outra cor mas onde se vê que as raízes têm anos e anos de vida. Sabes que as coisas mais bonitas são as feitas por nós? Porquê? Porque são nossas. E nós não somos como aquelas miúdas que acham que a galinha da vizinha é sempre melhor do que a delas. Porque quando nos apetece encontrar-nos, mudamos de planos, apanhamos táxis, fazemos trinta por uma linha. Saltamos entre pingos de chuva ou entre raios de sol, arranjamos desculpas por telefone e sorrimos na rapidez de um segundo – se só tivermos um para partilhar. Porque quando temos prazos que cumprir, dormimos menos, acordamos mais cedo, bebemos mais cafés, abdicamos de ler os jornais. Partilhamos trabalho em horas de jantar curtas – como todas – e vamos pela noite dentro, se preciso for. Que ela é boa conselheira e é no seu silêncio que melhor nos mexemos entre sinais de pontuação e imagens alheias. É que o mais importante é cumprir os compromissos que assumimos, aqueles que escrevemos na nossa agenda, os que sublinhamos com marcadores fluorescentes ou os que escrevemos com cores mais garridas. Aqueles que assumimos connosco e com os outros e com as estórias que nos cruzam o caminho.
Depois, criámo-la pequena, recém-nascida, sem arquivo, só com planos. Começámos com cadência certa, entre vírgulas e pontos finais, e continuámo-la sem a interferência de um oceano pelo meio. Notou-se que viajámos, que vimos outras coisas. E basta reler os primeiros textos para perceber o quanto crescemos – e como crescemos! O quanto mudámos a nossa maneira de falar, de ver as coisas, de olhar em volta, de nos relacionarmos com os outros. O mais interessante da nossa agenda – a nossa terceira agenda (cujo quarto ano inauguramos agora ) – é aquilo que ela reflecte de nós.
Dos nossos dias, da nossa falta de tempo, da nossa inspiração, na nossa vida. Dos olhares dos outros mas tanto dos nossos, da nossa correria, dos nossos pensamentos e dos nossos sorrisos (que isso é coisa que não mudou. Os sorrisos. Continuamos a sorrir como há três anos, ainda que com mais cansaço e eventualmente mais uma ou outra ruga de expressão).
É isso mesmo. Há três anos que esta agenda reflecte a nossa vida. Vivida a quatro olhos. A quatro mãos.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do 3º aniversário.

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Mais um dia de comemorações, mais um presente especial. A Débora (que, acho, mal conhece a Margarida) escolheu dois textos publicados nestes três anos. E sim, hoje é o dia. Criámos o Na Nossa Agenda faz hoje três anos. Certinhos. Mas amanhã há mais festa.

Cá vai. Gosto muito do conceito deste blog, vocês deviam divulga-lo mais!! Até já eu olho para as noticias de outra forma. 🙂

Lisboa Menina e Moça

Pelo sabor a Lisboa com um aroma de Nova Iorque. Porque Nova Iorque é sonho mas Lisboa será sempre Lisboa.
Enquanto leitora emigrante este texto faz-me recordar o orgulho que tenho das minhas origens, apesar das razões que me levaram a deixá-las. Tem as cores do Tejo, da bica, dos croissants… e sobretudo cor de Casa.

Taxi Driver

Por ser um texto ao estilo (alucinante) da Mariana. Senão vejamos: conduzir, família, jornais, querer saber sempre mais. Trabalho com paixão. Conversas dentro do táxi. Seja de dia ou de noite, o que importa e que ela vá a caminho de alguma coisa. Só que, por acaso, a Mariana vai sempre sentada no banco de trás.”

Obrigada Deb. *

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E ao terceiro dia, outro presente. Uma leitora atenta, uma fã que faz corar e uma miúda que é das mais amiga, especiais s e divertidas que conhecemos. Mais um presente especial. Obrigada pela paciência, pela visão diferente e, sobretudo, pela amizade. Obrigada Teresa.

“Estou com o Luís Baptista: É tramado, este convite! Só não digo que vem envenenado, porque é um prazer ler, reler, e re-emocionar-me com os vossos textos.

Pressão enorme, esta de escrever no vosso espaço de mestria literária… e para além da dificuldade na escolha dos textos, existe também a urgência de mudar as regras, para não magoar duas amigas… vocês são as duas TÃO igualmente boas que, lamento, vou iniciar um post de indignada e marchar em forma de pura desobediência em relação ao convite endereçado!

De cada uma escolho não um, mas DOIS textos, aqueles que me puseram a pensar: “raios, quem me dera ter pensado isto e desta forma”! De seguida, ainda os esquartejo e divido em dois grupos, o grupo da tragédia e o grupo da esperança… confusos? eu também, mas vamos todos acreditar que isto no fim vai fazer algum sentido!

O grupo da tragédia é tão importante como o da esperança…. porque uma das coisas que gosto no vosso blog é a abordagem das tristezas que nos assolam! Hoje em dia ninguém olha para a tragédia, ninguém quer aprender com ela… vocês retratam-na de uma forma que me comove, com a poesia que me realça a compaixão, e o lirismo de quem sabe que o hoje e todas as experiências da vida são para ser tratadas com carinho, não vá o diabo tecê-las…    
 
Doeu-me o coração quando li isto… volta-me a doer de cada vez que releio… é dos posts mais duros de uma pessoa geneticamente gentil… mas há posts que têm de ser escritos assim, há realidades tão cruéis e desnecessárias que só podem ser pintadas com brutalidade!
Não sei como é estar naquele lugar escuro, mas já tive uns quantos lampejos da vida de hospital… e o melhor combate ao abandono é descrevê-lo com fidelidade, por vezes chocante… como ela o fez.
O vosso blog também é recheado de esperança… esperança para dar e vender. A esperança de fazer a diferença tem sido concretizada em realidade. Os vossos textos fazem diferença na minha vida, e os vossos leitores ficam diferentes depois de passarem aqui no vosso “modesto estabelecimento virtual”. A esperança neste “estaminé” é de uma candura que comove!
 
A esperança no caos, o medo e a adrenalina… balas esvoaçantes panelas fazendo parte do cenário… há um nonsense neste post que imita o nonsense de uma favela… a vida rotineira lado a lado com o crime, os milhões sem voz, a impunidade de neo-bábaros… até que um dia surge a esperança, num colectivo e Brasileiro “vamo qui vamo”… um post brilhante de quem ama o Brasil, e sabe que neste povo há uma eterna generosidade.
Esperanças des-sintonizadas… esperanças que chegam tarde demais, esperanças de receber mais… a complexidade da vida de casal, o ponto onde tudo desaba, mesmo que na altura não se suspeite… a gota de água… e de shampôo… uma radiografia ao cérebro masculino e feminino, um tratado sobre relacionamentos! Que nos surpreende e deixa de queixo caído.
E pronto, para os que viram sentido nisto tudo, obrigado por terem chegado até ao fim, para os outros, mil desculpas e o conselho de lerem o blog, que é bem mais claro do que eu… para elas, um grande beijinho de parabéns, e o desejo de muitos mais posts nesta mágica e poética agenda!!!”
Obrigada. *

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Todos os dias a mesma mecânica. O dia nasce mais cedo ou mais tarde consoante a estação do ano, mas nasce sempre pelas mesmas horas. No hemisfério Norte há mais frio. No Sul, mais calor. Nos cinco continentes diferem as cores, a luz, os sabores, os cheiros e as recordações. Em cada país divergem a cultura, os hábitos, as dificuldades e as especificidades de povos, mais ou menos antigo.

Queremos que todos eles tenham lugar Na Nossa Agenda. Pelos olhos de quem os visitou, de quem lhes sentiu a essência, e a tentou retratar através de uma simples lente que encerra em si os segredos do congelar de momentos. Queremos também que, em poucas palavras nos contem a História e as estórias. Porque Na Nossa Agenda cabe um mundo inteiro de sonhos, de palavras, de imagens!

Assim,  está marcada Na Nossa Agenda uma viagem pelo mundo fora. Por diferentes caminhos, experiências e objectivos. Com novos olhares. Diferentes do nosso!

Hoje, o olhar é da Carolina Reis

Kuala Lampur

Assim que deixei o aeroporto apercebi-me de  que tinha entrado noutro continente. Não houve um choque, porque a simpatia asiática não o permite, mas o cheiro, o verde, as diferentes culturas asiáticas de Kuala Lumpur, ou KL como dizem os malaios, fizeram –me ver desde os primeiros momentos que estava noutro mundo.

A cidade tem muita coisa que pode ser comparada com outras no ocidente, no entanto é completamente diferente. Há edifícios enormes, como em Nova Iorque ou Chicago, mas lá para dentro entram executivos e executivas vestidos com trajes típicos. As mulheres, que apesar de gozarem cada vez menos liberdade ainda têm espaço na sociedade malaia, são deixadas de mota pelos maridos. Despedem-se deles com um beijo na mão, logo ali se vê um mundo corporativo diferente daquele a que estamos habituados.

O caminho da parte nova da cidade para a parte mais antiga merece ser feito a pé, com paragens pelos jardins tropicais para suportar o calor. Nos bairros mais antigos, como Litle Índia e Chinatown, está-se noutros países. No bairro indiano vive-se como na Índia e no bairro chinês como na China, os anúncios estão nas línguas nativas e os templos fazem, imediatamente, sentir onde se está. Os starbucks, os centros comerciais e as torres gigantes ficaram para trás.

KL impressiona não pelo tamanho, mas pela harmonia que tem. Pelo equilíbrio que permita que três tipos de cultura convivam, em paz, entre o novo e o velho.

 

 

 

Malaca

A duas horas de caminho, a sul, de Kuala Lumpur está Malaca. Já tinha ouvido falar da cidade, sabia que os portugueses a tinham ocupado e que lá se falava um dialecto parecido com o português. Mais foi a região que me provou o maior choque.

Quem chega a Malaca, ou Melacca como também se diz, não pode não deixar de saber o que é Portugal. No bairro português reina a língua portuguesa, falada à moda dos nossos avós, as ruas têm o nomes como Teixeira, Albuquerque ou Sousa.

Fora e dentro do bairro há restaurantes de comida portuguesa, os mais desejados da zona. O principal monumento da cidade é um forte construído pelos portugueses. E quem for ao fim do dia ao quarteirão chinês arrisca-se a encontrar “portuguese cream cakes”, que é como quem diz pastéis de nata.

Nenhuma das pessoas que mora na zona portuguesa algum dia veio a Portugal. Nunca nenhum Chefe de Estado lá foi em visita. Mas todos conhecem o fado, celebram os santos populares e têm orgulho nas origens.

 

 

 

Singapura

A ilha em forma de diamante é tão pequenina e é de tão fácil acesso a quem está na Malásia que só por isso vale a pena. Singapura é uma versão mais limpa e mais organizada de Nova Iorque. Reinam os arranha-céus, os centros comerciais (parece que há um em cada prédio) e o trânsito feito, maioritariamente, por táxis.

À noite os executivos, cada vez mais cidadãos estrangeiros, despem os fatos e vão correr para os parques da cidade, como nas grandes cidades do Ocidente.

O tamanho faz com que se possa fazer um milhão de coisas num só dia, uma manhã de praia, numa pequenina ilha adjacente chamada Sentosa, uma tarde de monumentos e compras e celebrar a noite com um jantar à Sex and the City perto da (iluminada) baía.

 

 

 

 

Parhetian

A 20 km da costa da Malásia fica a minha definição de paraíso. Não é pelo mar quente e transparente, pelo verde, pela areia branca. Ali, o mais importante é que não há quase ninguém.

Para chegar às Perhetian tem de se passar por uma turbulenta viagem de 45 minutos de lancha rápida. À medida que se deixa o continente para trás percebe-se que os dias serão de descanso. Nas ilhas há muito pouca coisa. Pouca água quente, não há televisão, nem multibanco, nem protector solar, nem as habituais lojas de compras. Apenas praia e selva e uma única aldeia, na ilha mais pequena, com duas mercearias, uma escola, um restaurante e uma mini mesquita.

Durante uma semana fui eu, o Nemo e o mar.

 

 

 

 

(Obrigada*)

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Aniversário três #1

Esta é uma semana especial. A Nossa Agenda faz três anos. Por isso, planeámos uma festa diferente. Vai haver um bocadinho de tudo: palavras nossas, fotografias emprestadas e visões de outros. Pedimos a três amigos que escolhessem o texto favorito e escrevessem sobre ele. Desafiámos uma amiga a partilhar olhares de uma viagem. E decidimos fechar a semana com um texto nosso, tal como começámos este blog. Esta semana é de festa. Comemoremos já. E até sexta.

Primeiro presente de aniversário por Luís Batista.

estas coisas não se pedem assim. não me pedem para escolher um texto no meio de milhares. ou centenas. contem-nos vocês.

não me pedem porque não me vou lembrar de todos e as migalhas debaixo do tapete, se calhar, são as melhores.

mas escolho o da morte do saramago, vá. porque gosto de ler saramago. e os livros que ele escreveu, também.

o primeiro livro dele que li foi o ano da morte de ricardo reis. aquele onde o ricardo reis andou metido com a lídia, falava com pessoa e que no fim morreu uma espécie de morte.

se calhar porque também é uma espécie de conversa improvável. com um bocado de ricardo reis.

quando li o texto foi disto que me lembrei. e é o que me lembro agora.

Obrigada. *

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Paz

Por entre o azul e o verde ouviram-se os primeiros motores. Encostou-se à bancada da cozinha e pensou agora não tem jeito. Sabia que não poderia ter feito outra coisa, mas o medo de que a operação fosse um falhanço ainda lhe apertava o peito. Cravou as mãos marcadas pelo tempo e pelos trabalhos duros no lava-loiça. Os olhos, raiados do sangue de todos aqueles que já perdera, percorreram aquele morro onde sempre vivera.

Não tinha como não fazer o que fiz. Que Nossa Senhora Aparecida nos proteja, agora.

O barulho dos motores tornou-se mais forte e começou a ouvir as palavras de ordem gritadas pelos polícias, munidos de megafones. Viu centenas, milhares talvez a correr morro abaixo. A deixar para trás uma vida que já não lhes pertencia. Fechou os olhos e rezou.

Que seja o início de uma nova vida. Que todo o sangue tenha valido a pena. Que venha um futuro melhor.

Olhou em volta para a casa já vazia de todos os que foram partindo,levados pela droga, por gravidezes precoces, por escolhas mal feitas. Limpou as mãos ao avental e ergueu a cabeça. Estava pronta para uma nova luta, e para mostrar que ainda podia remediar algum do mal que tantos dos seus provocaram. Virou-se para o fogão e recomeçou a tarefa que deixara a meio. Sabia que no final de tudo havia quem precisasse de cuidados. Não se de alma, mas também de corpo. E ela lá estaria. A pagar a parte que lhe era devida.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Bandeiras do Brasil e do Rio hasteadas na Rocinha confirmam ocupação

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,bandeiras-do-brasil-e-do-rio-hasteadas-na-rocinha-confirmam-ocupacao,798244,0.htm

 

 

 

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Crise(s)

O que é a arte?, perguntam-lhe incessantemente como se ele tivesse todas as respostas. Não sei. É o que eu conseguir fazer dela?, diz entre dois sorrisos. A crise levou as pessoas a fazerem a pergunta mais vezes. Ah!, é que agora a arte é quem mais perde, com a crise.

Não é verdade. A arte é quem mais ganha. A arte passa por saber reinventar tudo, refazer tudo, reinterpretar tudo. Passa por saber olhar para o que já existe e transformá-lo em algo diferente. Melhor. Mais bonito.

Passou os olhos pelas lombadas que coloriam a estante branca – sempre gostara de estantes brancas. Davam-lhe luz. Cor. Paz.  Bateu com os olhos naqueles quer, sabia, seriam os livros que lhe podiam mudar a vida. Pegou na guitarra e dedilhou as cordas enquanto percorria, olhos ávidos, pedaços de uma estória solta que podia ter sido contada por ele.

Isto pode resultar. Isto pode resultar.

Sabia que não o podia fazer sozinho. Levantou-se. Pegou no telefone.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Estrellas pop unidas en la crisis

http://www.elpais.com/articulo/cultura/Estrellas/pop/unidas/crisis/elpepicul/20111102elpepicul_1/Tes


prop

 

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