Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Política’ Category

Sorriso nos lábios e um brilho no olhar. Espera enquanto acertam as luzes, suas conhecidas, e prepara-se para a maquilhagem, a que já se habituou de tanto aparecer em frente às câmaras.

Passa em revista tudo o que lhe podem perguntar. Resposta pronta a cada ataque. Sorriso preparado a cada dúvida. A pose estudadamente descontraída. O cabelo bem penteado. O ar cansado para não parecer que está tudo demasiado bem. E a convicção. O que é preciso é acreditar. Sempre foi o seu lema. Seis anos passaram e ele continua. Crente. Firme. Irredutível.

Luzes. Câmara. Acção.

Aquele pontinho vermelho sempre o fascinou. Sabe que todos os olhos estão fixados nele. Que pode falar e que, com o olhar certo, conseguirá tudo o que quer. Baixar o tom de voz, respirar pausadamente e sorrir. Sorrir sempre. Mesmo que minta, mesmo que saiba que o país não vai bem, que há gente que passa fome para não ficar sem luz nem água. Mesmo sabendo que os colegas de colégio dos filhos comentam aquilo que os pais comentam à mesa de jantar. Que ele mente, que não sabe o país onde vive, que parece habitar outro país, que merece um país pior só para ele.

Nem os assessores sabem como consegue manter a serenidade. Gabam-lhe a resistência, a resiliência, a fuga à realidade. Há ainda menos de humano nele do que parece. Ele é pouco homem. Todo máquina. De sorrir, de ignorar, de fantasiar, de mentir. 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito dele: o José que marca a actualidade de um país que parece ser o de todos menos o dele.

Anúncios

Read Full Post »

Adeus!

As coisas não estão para brincadeiras. Toda a gente sabe disso e sente-o na pele, todos os dias. É preciso trabalhar, lutar, manter um sorriso nos lábios e continuar a trabalhar. E a lutar. E a manter um sorriso nos lábios.

Foram anos difíceis, duros, mas cheios de alegria, também. Anos de muita felicidade, em que percebi finalmente que liderar pessoas não era só vantagens. Nem eram só facilidades. Era, acima de tudo, dormir pouco, pensar muito, rodear-me dos melhores e tentar perceber uma vida que não é a minha. Nunca foi. Não sei o que é chegar ao final do mês sem dinheiro para o supermercado. Não sei o que é esperar subsídios. Não sei o que é sentir o peso dos impostos em tudo o que faço.

Mas sei que tentei. E que dei o meu melhor, mesmo que muitos tenham dito o contrário. E mesmo que o meu melhor não tivesse melhorado nada. Mas tentei.

E agora saio, cansado, semi-derrotado por não ter conseguido fazer mais e melhor. Saio para dar lugar a sangue novo e a ideias novas. Saio para descansar do mundo e da vida. E passo a ‘batata quente’ a outros, que, seguramente, poderão fazer mais e melhor. Acredito nisso.

Adeus. Obrigado por tanto. Adeus.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia

Zapatero dice adiós

http://www.eldiarioexterior.com/zapatero-dice-adios–39391.htm

Read Full Post »

Não se trata de ser ousado – que ousados são aqueles que desafiam todas as leis só com a força interior, sem precisarem de ratings nem de empréstimos do BCE, nem sequer de votos nos domingos eleitoriais. Não é uma questão de coragem: coragem é ir para a guerra e deixar a família em casa. Coragem é decidir continuar quando anda descalço por um caminho de brasas e pedras pontiagudas. Coragem é remar contra a maré sem saber bem para o que se vai, sabendo apenas que aquilo que há não é aquilo que se quer. Tomar medidas que arrancam críticas dos outros – dos que decidem a médio prazo mas que têm uma mui curta memória – é fácil. Tendo as costas quentes, os bancos do nosso lado a amparar-nos as quedas, um pára-quedas para uma saída de emergência e uma rede para quando o fio do equilíbrio falha é fácil de mais. Não é coragem, não é ousadia, não é personalidade. Não é sequer mérito. É só obrigação. E isso demonstra pouco da essência da palavra vida. É cobardia. Reconhecida por cobardes. Iguais a tantos outros.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Sarkozy felicita a Zapatero por sus “valientes decisiones”

http://www.elpais.com/articulo/espana/Sarkozy/felicita/Zapatero/valientes/decisiones/elpepuesp/20110203elpepunac_5/Tes

Read Full Post »

O nosso blogue é feito de estórias. Nossas, mas especialmente de todos aqueles que de uma forma ou de outra, constroem a história que é, inevitavelmente de todos nós. E o nosso blogue é também feito de ajudas. Porque o tempo [e o nosso em particular] teima em encurtar quando só precisamos que ele duplique. E porque há tantas estórias boas por aí, tantas opiniões escritas por mãos que tão bem o fazem…hoje as letras são do Paulo C. Graça Moura.

Contra-ciclo. O Planeta Terra – antes orgulhosamente só – bóia num mar crescente de água que implode em sofrimento, numa clara manifestação de desagrado pelo comportamento do Homem. Num mundo em que o imediato é muitas vezes visto como pouco ambicioso, o degelo parecerá inofensivo. Ontem, tempo era dinheiro…hoje é mais, muito mais. Aliás, sempre demos valor a tudo aquilo que é escasso – base simplista do conceito de mercado e da lei da oferta e da procura.

Escassa é também como muita gente definirá qualidade na politica em Portugal.

Curioso é o facto de também aqui, o tempo sofrer de atrofia, envolto em contra-ciclos cada vez mais instantâneos. Depois de um 05 de Outubro de 1910 desenhado em mais de 2 anos, passando por um 25 de Abril de 1974 que se estabeleceu em pouco mais de 1 ano, que a história política de Portugal se faz de contra-ciclos mornos e enfadonhos.

Isaac Newton descreveria a democracia portuguesa como gravitacional. Um pêndulo que gravita da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, em movimentos absolutamente previsíveis.

Essa previsibilidade cria algumas interrogações, tais como, a utilidade dos partidos políticos. Na teoria, os partidos surgem como elites representativas dos cidadãos. No entanto, hoje em dia, os partidos políticos representam apenas o seu aparelho político e os seus próprios interesses, utilizando a lógica da eleição como uma ferramenta de legitimação.

Na verdade, creio que todos sabemos isso. A questão está onde sempre esteve: haverá melhores alternativas? Para responder a esta pergunta (ou tentar), teremos sempre que andar para trás. A democracia não me parece estar em causa. O desespero dos que nunca se sentiram representados cria algumas ilusões sem futuro. De facto, a democracia é um conceito bastante incipiente, todavia, sem retorno.

Não estando em causa o conceito, está em causa a forma. Existem na realidade variadas formas de democracia, todas elas com qualidades e defeitos, próprio de uma criação humana. Os paradigmas vão-se sobrepondo no tempo, na politica como na ciência, com experimentação. Mas não sejamos ingénuos, o poder exerce uma força maligna, quase animal sobre quem o detém. Como podemos nós livrar-nos de um mal necessário? Não podemos. Mas podemos trabalhar para minimizá-lo, controlando-o. Algo que se diz hoje ter sido a grande falha na causa da crise económica mundial.

Como controlamos a democracia sem estarmos no poder? Com votos. De facto, temos ao nosso alcance uma ferramenta poderosa e desde sempre adormecida: o voto em branco. Temos 3 alternativas: direita, esquerda ou nenhuma. Não está em causa a democracia mas sim os governantes, os tais que estão no poder com o objectivo de alimentar o seu círculo.

A politica e os partidos deviam fazer-se representar pela elite do Pais. No entanto, os partidos fazem-se de profissionais da politica que vão subindo desde as juventudes partidárias. Eles alimentam-se da politica como único meio de sobrevivência (bastante profícuo por sinal).

Embora defenda a necessidade da elite comandar o Pais, não é menos verdade que ela própria se auto-excluiu. A causa pública tem sido uma causa perdida, sendo a causa da causa a causa em si.

Compreender, aprofundar conhecimento, ganhar consciência do problema não o resolve por si. Uma das várias razões para a situação politica actual deve-se ao financiamento partidário. Mais uma vez proponho recusar a ingenuidade. A gigantesca máquina de financiamento partidário tem como sede as Câmaras Municipais. Uma roda-viva de interesses que começam e acabam nos concursos públicos ou muitas vezes na ausência dos mesmos. Podemos ter velhas conversas relativas à construção civil, mas na verdade, essa é a vítima mais fácil, a que está mais exposta – a ponta do iceberg. Difícil era prever o aquecimento global.

De igual dificuldade é prever o futuro próximo do panorama politico português, pelo que proponho uma alternativa que enche as medidas à maioria dos portugueses: tenham fé.

Eu, como agnóstico, vou continuar a acreditar em Darwin e na sobrevivência dos mais adaptáveis em detrimento dos mais fortes…pode ser que tenhamos boas surpresas.

Read Full Post »

O som veio lá do alto. Como todos os dias. Ecoava pela cidade para acordar para mais um dia de trabalho. De vida. Hoje era diferente. Hoje era o primeiro dia do resto da sua vida, mas tudo começou como sempre.

Pela janela a torre erguia-se imponente, em todo o seu esplendor, em toda a sua majestade. Símbolo de força para o mundo. Sinónimo de final, para ele.

Pegou no jornal e sentou-se à mesa do pequeno-almoço. Sorriu agradavelmente para a empregada que lhe serviu o café e contraiu os músculos da cara. Não se sentia bem. As mãos, frias, agradeceram aquela chávena quente mas o coração continuava gelado. Como o dia.

A decisão seria somente oficializada porque sabia o que todos pensavam. Falhara. Redondamente e sem retorno. Falhara naquilo que mais deveria ter feito bem, mas não conseguia sentir remorso. Sentia tristeza, somente. Por não ter conseguido ser melhor. Por não ter sabido. Por não ter concretizado.

Sim, o dia ia continuar cinzento. A semana, talvez. Mas ele já não teria aquele monstro sempre pontual a olhar para ele. Ia viver novamente no anonimato do seu cubículo. Cinzento, como o dia lá fora.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

UK election scramble for undecided vote

http://www.ft.com/cms/s/0/7e8dac80-5874-11df-9921-00144feab49a.html

Read Full Post »

Num continente deste tamanho, é impossível manter as amizades e inimizades por muito tempo. As fronteiras desvanecem-se com o tempo, com as mudanças, com as esperanças e com os sonhos.

Num continente deste tamanho não importa a cor da pele ou a crença religiosa. Não importa a profissão, quem são os pais ou em que escola cada um estudou. Não importa o que se defendeu ontem, porque muitas vezes não é o que se defende hoje, ou amanhã ou quando quer que seja.

Num continente deste tamanho o que importa é a quem se sorri. A quem se aperta a mão e com quem se faz negócios, protocolos ou somente uma conversa de circunstância.

Num continente deste tamanho importa que um presidente democrático aperte a mão a um presidente não tão democrático. E que eles sorriam. E caminhem de mãos dadas para o desenvolvimento da região.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Lula recebe Chávez amanhã para discutir assuntos bilaterais

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lula-recebe-chavez-amanha-para-discutir-assuntos-bilaterais,543688,0.htm


Read Full Post »

Ciclos

O filme passa rápido diante dos olhos. Pessoas, corredores, papéis, máquinas de escrever, computadores, um ‘chairman’, outro ‘chairman’, um presidente, mais um presidente, mais um presidente…

Das dificuldades, essas, é melhor nem falar. Mas é impossível. Passam-lhe diante dos olhos, junto com o filme. Os dias passados no gabinete com as equipas a tentar esboçar um plano de emergência. As notícias, sempre piores antes de melhorarem. A correria dos funcionários que tinham que ser sempre mais rápidos, mais eficientes, mais competentes.

Olhou em redor para as caixas cheias de memórias tão boas. A maior parte delas. As fotografias naquela, os livros a que tantas vezes recorria na outra. Os documentos que elaborou, os presentes que recebeu.

Ele era uma rocha, aqui. Uma rocha com tantos anos de trabalho quanto de vida, quase. Uma rocha que também precisa de descanso, e de ser apoiada por alguém. Porque é assim que funcionam os ciclos.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Vice Chairman Kohn to Leave Fed in June*

http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704754604575095353771917046.html?mod=WSJEUROPE_hpp_LEFTTopWhatNews

*Vice-presidente da Reserva Federal norte-americana abandona o cargo em Junho

Read Full Post »

Older Posts »