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Archive for the ‘Em roteiro’ Category

Azul.

Acordou-me com um beijo. Gosto de acordar com os beijos dela. Sabem a pasta de dentes e a amoras silvestres, do creme que usa sempre antes de se deitar. Tinha o pequeno-almoço em cima da mesa do quarto, com direito a sumo de laranja, ovos mexidos, café e o jornal. Estranhei toda aquela atenção, mas achei melhor não discutir. Retribuí o beijo mas deixei-me ficar, naquele monte de roupa quente, enquanto a envolvia com os meus braços.
O cabelo dela cheirava a frutos exóticos e tinha vestida a mais bonita camisa de noite. Algo se passa aqui.. Olhei rapidamente para o relógio à procura de uma data que me fizesse não passar por marido que se esquece tudo. Nada. Não era aniversário de casamento, de namoro, de primeiro beijo, de primeira noite de amor, de primeiro fim-de-semana juntos…nada. Optei por me não fazer de esquisito e reagi aos avanços da manhã. Afinal, um dia não são dias e nada como começar o dia como uma espécie de lua-de-mel versão mais curta.
Fui para o banho, ainda assim, com a ideia de que algo me estava a falhar. Liguei a música alto e meti-me debaixo do chuveiro. Enquanto a água me lavava aquela estranheza impregnada na alma apercebi-me que de facto não importava. Porque importando significava que precisava de momentos, de datas, de dias para a amar. E não preciso. Nem quero precisar. E aquela frase – a sempre – começou a martelar-me: Amar é um exercício de vontade. Sem dia nem hora marcada.
Saí do banho e voltei a envolvê-la nos meus braços. A manhã seria nossa. Como a vida. Toda.

Rosa.

Ontem comprei um champô novo. Compro sempre os champôs pelo cheiro, e nunca pelas características. Os de amêndoa enjoam-me, os de côco lembram-me a praia e não gosto de a ter no cabelo, mas na pele. Gosto dos frescos, de frutos silvestres ou de citrinos. Gosto dos mais leves, como gosto dos vinhos brancos em vez dos tintos. Os brancos são mais frutados, mais amargos, menos encorpados. Encorpados, gosto de amores. Daqueles que me fazem querer gritar de tanto acreditar. Dos que me deixam sobressaltada pela ausência e pela aproximação. Dos que baralham os dados e nos fazem ser aquilo que nunca pensámos conseguir. Mais forte, mais corajosa, menos maricas, mais comunicativa, melhor. Como estava a dizer: hoje comprei um champô novo. Estava a acabar o outro e resolvi mudar, que o meu cheiro já me é familiar de mais. Quero um aroma que se misture com o meu, uma pessoa que seja a minha casa, um perfume que se misture com a luz da manhã. Quero um novo amor.

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Agita os braços na varanda de casa, lugar tão familiar. É daí que, em dias normais observa a vizinha de sempre passar devagar, que as pernas não são as mesmas de há quarenta anos, quando se mudou com o marido para a Bica. Tinham acabado de casar, precisavam de uma casa. E ali, os pais dele tinham um pequeno apartamento. Um segundo andar que dava para a rua paralela à do elevador da Bica. A vida daquele bairro mudara muito nos últimos anos. Era calmo há quarenta anos. Meia duzia de vizinhos, casas antigas. Uns morreram com o passar dos anos – tudo desaparece, mais tarde ou mais cedo. Foi perdendo a memória aos primeiros que desapareceram. Algumas das caras, recorda-lhes apenas a cor dos olhos. Ou sem lembranças de maior, recorda o corpulento vizinho da frente, ou a voz da vizinha de cima que cantava fado às quartas à noite no bar da esquina mas cantarolava desde o primeiro degrau da rua. A voz ia-se aproximando, com os passos. Mas as maiores recordações eram de dias de Santos. Os preparativos desde manhãzinha. A rua muito limpa. Muito arranjada. A calçada brilhante, o corrimão polido e acabado de pintar. Como todos os anos. O verde-escuro reluzente. As portas pintadas de fresco também. Pela hora de almoço, os fogareiros acesos. Como se fosse preciso apenas carregar no botão para que as brasas largassem o calor do dia inteiro. Junho está sempre quente. Felizmente que o Santo António é quase no verão. E capricha, ela, nas floreiras da varanda estreita do segundo andar daquele velho prédio de sempre. Agita agora os braços. Agora que as floreiras com sardinheiras estão prontas. Gosta de lhes sentir o cheiro. Não que logo à noite se lhes sinta o aroma doce. Pelo menos na rua que sobe. Ou que desce. Entre o cheiro das sardinhas assadas, o calor da noite de Junho, as cervejas frescas e a música. Entre luzes, manjericos e balões coloridos, quase ninguém dá pelas floreiras. Não porque não interessem. Mas porque são – também – parte da festa.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Marchas Populares – As 22 marchas de Lisboa

http://dn.sapo.pt/especiais/especial.aspx?especial=Marchas%20Populares&seccao=Cidades

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“Volando voy/ volando vengo”, canta Xavier enquanto toca acordes com a guitarra, no canto da sala. Algumas bailarinas já chegaram e estão alinhadas, numa fila imaginária atrás da primeira linha, onde só está a professora. As restantes vão chegando no decorrer das danças, cumprimentam-se e prendem as saias compridas e rodadas atrás, para não perturbarem os movimentos. “A saia é um instrumento para a dança. A roda possibilita o efeito visual e também trabalhar com ela”, refere a professora de sevilhanas e flamenco. As mãos rodam no ar enquanto a expressão facial se altera constantemente, projectada nos espelhos.

À frente, Maria José Navarro orienta a aula. Repete os movimentos sempre que há dúvidas, assim como o músico e cantor pára de tocar e retoma a melodia desde o início. No flamenco não há regras. Em comparação com as sevilhanas, “é mais sentimental, muito mais pessoal e também mais difícil”, sendo que a música ao vivo é essencial. “O flamenco é sempre com música ao vivo, porque não é sempre igual e é muito difícil encontrar uma música que guarde as normas desta dança. Cada dança tem uma estrutura. Aquilo que se consegue fazer com a música ao vivo, dificilmente se consegue fazer com a música gravada. E o que quero trasmitir às minhas alunas é: o que é o flamenco”. 

Mas o que é o flamenco? “É paixão, sentimento, principalmente isso. Sentir. Muito sentimento.”, defende. Talvez por isso, o habitual para os bailarinos seja “começar pelas sevilhanas e, só depois, se passa para o flamenco”. Maria José Navarro é uma das professoras a dar aulas de flamenco e sevilhanas no Centro Galego, em Lisboa. Tem alunas que a acompanham desde há uma década, e que integram as classes mais avançadas. Entre os alunos, há crianças a partir dos cinco anos e adultos com mais de sessenta. “A idade não é importante, mas claro que em termos de percepção e de interiorização de movimentos, ser criança ou jovem facilita a aprendizagem”, sublinha. 

Dança é movimento Basta observar por uns minutos a aula e ver rodopiar as bailarinas para perceber que a dança é mais do que expressão de sentimentos. A nível físico, o flamenco trabalha os músculos das pernas e dos braços, sendo a parte abdominal a mais negligenciada. Maria José acredita que “Na dança mexe-se da ponta do cabelo à ponta do pé. Trabalhas tudo. Sentes tudo.”. Os pés batem no chão e ampliam o ruído do ‘sapatear’ com o metal que têm no salto e na biqueira. O som é quase ensurdecedor na sala, nestas alturas. Mas quando os pés rodopiam, as bailarinas parecem o dobro, reflectidas nos espelhos da sala.

A importância do reflexo Maria José está à frente mas de costas para as bailarinas. Sem os espelhos, diz a professora que “seria muito difícil ensinar uma coreografia, porque eu não conseguiria corrigir fosse o que fosse”. No entanto, assegura que numa primeira fase é difícil lidar com a própria imagem: “faz confusão porque o espelho funciona ao contrário da nossa cabeça, mas as pessoas acabam por habituar-se”. O espelho é reflexo da dança, e é também regresso. Permite corrigir os erros. Ver o músico a tocar guitarra. E perceber que até as bailarinas vão cantarolando ao som dos acordes. “Volando voy/ Volando vengo /Por el camino / No me entretengo”.

Entrada Na Nossa Agenda como retrato – aos meus olhos – de uma aula de flamenco no Centro Galego, em Lisboa, no último Sábado, 14 de Fevereiro.

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Todos os dias a mesma mecânica. O dia nasce mais cedo ou mais tarde consoante a estação do ano, mas nasce sempre pelas mesmas horas. No hemisfério Norte há mais frio. No Sul, mais calor. Nos cinco continentes diferem as cores, a luz, os sabores, os cheiros e as recordações. Em cada país divergem a cultura, os hábitos, as dificuldades e as especificidades de povos, mais ou menos antigo.

Queremos que todos eles tenham lugar Na Nossa Agenda. Pelos olhos de quem os visitou, de quem lhes sentiu a essência, e a tentou retratar através de uma simples lente que encerra em si os segredos do congelar de momentos. Queremos também que, em poucas palavras nos contem a História e as estórias. Porque Na Nossa Agenda cabe um mundo inteiro de sonhos, de palavras, de imagens!
 
Assim, a cada segunda 2ª feira de cada mês, está marcada Na Nossa Agenda uma viagem pelo mundo fora. Por diferentes caminhos, experiências e objectivos. Com novos olhares. Diferentes do nosso! Hoje, o olhar é da Adriana Silva. 

 

 

 

A chegada

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Chegar a Goa em pleno inverno português é de facto uma experiência singular. Dezembro sob 34 graus consegue ser bastante inspirador e tranquilizante. Amabilidade, gentileza, boa-disposição são valores intrínsecos aos goeses.

 

A capital 

Goa era uma cidade efervescente ainda muito antes da chegada dos portugueses.

Em 1961 com a reconquista de Goa por parte da Índia, Portugal perde a chamada “pérola do Oriente”. Panjim é hoje a capital deste estado da Índia, que ainda conserva em si uma forte cultura portuguesa, evidenciada nos hábitos, na cultura e até na arquitectura.

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Em termos de área, Goa é o menor dos estados indianos e o quarto menor em população. Paradoxalmente é o estado mais rico em PIB per capita da Índia.

Sendo o Inglês e o Hindi, simultaneamente, línguas nacionais, cada estado assume uma identidade própria. Em Goa, o idioma regional é o Concani, registando-se ainda a presença da Língua Portuguesa como idioma remanescente entre muitos dos avós e pais desta antiga colónia portuguesa.

 

Panjim, a capital do Estado de Goa, apresenta uma grande diversidade de comércio, cultura e lazer, onde o acolhimento oriental é traduzido pela fácil inclusão dos visitantes, na gastronomia goesa, nas praias de água quente e na cultura oriental.

A herança portuguesa é uma evidência do presente, reflectida na arquitectura, na tipologia de muitos dos bairros, ruelas, fontes, igrejas, casarões e palácios, onde o estilo colonial assume no presente nomes portugueses.

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Religião

 

 

 

 

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Estima-se que os católicos em Goa correspondam, actualmente, a 30%, contra 60% de hindus e 10% de muçulmanos. Sob um enorme cosmopolitismo religioso, os templos hindus coabitam pacificamente com as mesquitas muçulmanas, ou as Igrejas católicas construídas pelos Portugueses. Na Igreja da Imaculada Conceição ainda há missa Dominical em português. Independentemente do idioma, as igrejas estão repletas de gente, onde a multiculturalidade social e religiosa, é patenteada pelos saris vs as mais vulgares saias do ocidente.

 

A Velha Goa é um museu a céu aberto, expondo um concentrado do melhor do estilo Manuelino, evidenciado numa dezena de igrejas e capelas, ligadas por avenidas ou ruas presentes nesta ainda imperial ex-capital de Goa.

Basilica do Bom Jesus

Basílica do Bom Jesus

 

Na Basílica do Bom Jesus estão guardados os restos mortais de São Francisco Xavier, que se preservaram até hoje e podem ser vistos através de um caixão de vidro. A Igreja reconheceu-o Santo associando a conservação do seu corpo a um milagre, já que testes de laboratório comprovaram que ele não passou por nenhum processo de mumificação.

 

Os hábitos

"Horn please" ("busine por favor") é o aviso que se pode ler na retaguarda de quase todos os veiculos pesados.

"Horn please" ("busine por favor") é o aviso que se pode ler na retaguarda de quase todos os veículos pesados.

É efectivamente aconselhável fazê-lo antes de qualquer ultrapassagem, entrando no verdadeiro “concerto” de buzinas que caracteriza o caótico trânsito indiano.

 

 

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Sob uma cultura (hindu) de puro politeísmo, a vaca é à semelhança de tantos outros elementos, mais um símbolo sagrado. É comum encontrar-se vacas no meio do trânsito, obrigando os condutores dos veículos a fazer autênticas “gincanas”.

 

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As praias 

 

As praias de Goa correspondem ao cenário de postal ilustrado com muitos coqueiros e vegetação luxuriante. A temperatura da água é um convite impulsivo gritante, mesmo para quem pensa que não gosta de praia.

 

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Nas praias a Norte, de Calangute e de Baga, os vendedores ambulantes há muito que se habituaram ao fluxo de turistas ocidentais. Excuse me, Sir” “Where are you from?” “Can you have a look please” “Taxi?” “Bike?”, são as primeiras abordagens aos ocidentais, transformando aquele que poderia um cenário de tranquilidade num constante mercado ambulante de artesanato e das “bugigangas” mais diversas.

 

De Anjuna (celebrizada pelas dezenas de “hippies” que frequentam o seu mercado de artesanato, à quarta-feira), às praias de Ozran e Vagator, toda a costa Norte está assinalada por marcos de colonização portuguesa.

 

A comida

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Sob um conhecimento ancestral do uso das especiarias na arte da culinária, a comida goesa assume uma diversidade única. Com particular gosto pelo marisco que as águas de Goa oferecem, a variedade de temperos deriva numa multiplicidade de pratos sejam de carne, peixe ou vegetarianos.

Cultura / Lazer

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A Plantação de especiarias, possibilita uma visita guiada aos mais diversos tipos de especiarias. Logo na recepção, chuva de pétalas, colar de flores e sorrisos de boas-vindas. Antes do almoço e depois da visita, uma conchada de água fria é vazada nas costas; segundo eles, um ritual necessário que retempera as forças.

 

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Talvez uma das melhores cascatas da Índia possa estar situada em Goa. Envolta num parque natural, onde os macacos convivem com os turísticas em busca de bananas e caju, nesta cascata de Dod Saghor (mar de leite) é imperativo tomar um banho de lago, ao som do violento bater da água nas rochas.

 

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No Mayem Lake, uma tranquila paisagem de um Lago é visitável por barco. Para os mais apaixonados da fauna e flora, junto ao lago, flores das mais variadas espécies convivem com uma diversidade de animais: patos, gansos, pavões e outras aves que embelezam aquele ambiente.

 

Os centros culturais ou alguns dos mais relevantes Hotéis da Cidade, possibilitam os melhores eventos culturais. A noite de fados portugueses, tem lugar uma vez por mês, no esplêndido Hotel Cidade de Goa.

 

 

 

Goa transmite uma sensação de paz absoluta, ainda que embebidos no fluir de cores, sons, tráfego e movimentos da cidade, onde uma perfeita simbiose dos sentidos se experimenta em cada respirar fundo, em cada sabor degustado ou em cada passeio caminhado, na areia molhada de uma praia que só acaba na linha do infinito.

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Há a vida real. Somos pessoas normais, com sonhos, expectativas, com vida contada ao milésimo de segundo, preenchida com compromissos e atenuada com tempos mortos. Somos fruto de uma combinação entre genética e ambiente, um misto de caraterísticas relacionadas com signos, nomes, pais, avós; um cruzamento de cores do cabelo com tons de pele, uma união de dois cromossomas, ora iguais, ora diferentes. Começamos por depender da resistência de um espermatozóide. Depois ficamos dependentes de um corpo. Somos alimentados por um canal, protegidos pela fragilidade, de uma vida que ainda não conseguimos enfrentar. Nascemos, crescemos, evoluímos, aprendemos. Dependemos, tornamo-nos autosuficientes, e passamos num instante – o que será a vida senão isso? – novamente a dependentes. Erramos, lemos, escrevemos, ouvimos, vemos, experimenciamos, apaixonamo-nos, desapaixonamo-nos. Experimentamos sentimentos. Vivemos. E morremos. É a vida, pensamos. 

E se, de repente, esta sucessão tão certa das coisas fosse questionada? E se, por momentos, houvesse alguém que caminhasse na direcção inversa, sem qualquer controlo mas com plena consciência? Seríamos os mesmos? Teríamos maneira de evitar certos erros? De prever situações? De impedir o mau e apressar o bom? Seríamos nós os mesmos se pudessemos – ainda que remotamente – viver ao contrário? Dentro desse cenário, a mim, faltar-me-iam as palavras…

*Adaptado do título do filme “O Estranho caso de Benjamin Button”

Entrada Na Nossa Agenda com base na notícia: 

“Benjamin Button” lidera nomeações para os Óscares”

Fonte: publico.pt

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1357128&idCanal=14

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Incompreensão

“Nunca compreendi o que é que se passou no Terreiro do Paço. Porquê tanto ódio, tanto sangue? Porque é que fizeram aquilo? Eu que não pensava a não ser no bem do meu povo.”

As palavras são da rainha D. Amélia, última monarca de Portugal e expulsa pela revolução que acabou com o regime monárquico em Portugal, implantando a República em 1910. Na entrada, há um fragmento de uma caixa de madeira, identificada com o nome de Amélia de Orleães, que terá servido para transportar alguns dos pertences da rainha, até Paris, onde passou a viver depois do exílio. Depois há um sem número de cartas, postais, pequenos bilhetes dirigidos aos empregados, fotografias com dedicatórias, recortes de jornais e até aguarelas pintadas pela rainha. Ao que parece, Amélia era amiga e fiel a todos aqueles que trabalharam consigo durante anos. A rainha deixou cerca de 90% dos seus pertences aos criados mais próximos, que os conservaram cuidadosamente e a quem Rémi Fenerol terá posteriormente adquirido a maior parte do seu espólio.

Entre os vestidos da corpulenta rainha, figuram também chapéus de chuva elegantes, com pormenores aos quais só uma monarca teria acesso, na altura. Há luvas com a marca dos armazéns Grandella, os sapatos de casamento usados por Amélia, da marca Coimbra Lisboa, e até a ementa do último almoço servido aos reis em Portugal, antes da partida para Inglaterra, país-destino em 1910.

“Era uma figura simpática, defensora de Portugal e preocupada com o país”, descreve o director do museu e guia da visita. Talvez por esta ligação, a exposoção termine com uma fotografia da rainha e a palavra Saudade (não poderia faltar esta palavra, existente apenas em português) – de partida para França. A fotografia, com a data de 17 de Maio de 1945, marcou a última visita da derradeira rainha de Portugal ao país. São fragmentos de história e marcas de um regime que desapareceu de Portugal há quase 100 anos. 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da exposição “Os anos de Exílio da Rainha D. Amélia”, patente na Casa Museu Dr. Anastácio Gonçalves, até 30 de Abril.

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Ajeitou o capacete na mala. Não queria chegar atrasado ao voo. Os aviões não esperavam, pensava. Mas sentia um vazio tão grande. Era português, daqueles que amam o país, o galo de Barcelos, que adoram pasteis de Belém, que vibram com a selecção, que não faltam às urnas em dia de eleições, que falam do país com uma paixão imensa e sentem saudades quando estão fora. Noutros anos, a corrida começava em Lisboa, sempre a conhecera assim. E de repente, os árabes apareceram, ameaçaram e a Europa retraiu e mandou o rali para as Américas. E ele, que sempre tinha passado aqueles dias que antecediam a partida em casa, com a família, fora obrigado, de repente, a alterar planos, a mudar tudo. Os rituais natalícios, a passagem de ano na praia da costa alentejana…
Um ano que começava de maneira diferente. Não que todos os outros fossem sempre iguais, mas agora era diferente. Estava a caminho da Argentina. O carro tinha ido mais cedo, e ia ele agora. O burburinho português em redor de Belém tinha desaparecido. A confusão das televisões, o barulho dos motores. Os comentários, a admiração. A partida do rali falava agora espanhol. E, a partir de agora, até o destino mudara. Dakar era na América do Sul.
Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:
Primeira edição fora de África gera controvérsia mas mantém principais pilotos
Terceiro rali Dakar sem Dakar arranca na Argentina 
03.01.2009 – 08h08 Hugo Daniel Sousa
Longe de África e da azáfama que marcou Lisboa nos últimos três anos, o Rali Dakar arranca hoje na Argentina. É a terceira vez que a mais famosa prova de todo-o-terreno não passa ou termina na capital senegalesa (já aconteceu em 1992 e 2003), mas é a primeira vez, em 31 anos, que se realiza fora do continente africano.
Fonte: Público

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