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Archive for Agosto, 2011

Liguei a telefonia esta manhã. A notícia, a juntar a todos os ecos sombrios, era sobre o perigo da interrupção de transportes dos doentes às consultas. Motivo: falta de pagamento por parte dos hospitais às corporações de bombeiros que prestam o serviço.
Ontem. Notícia: Transferência de verbas para os municípios põe em risco fornecimento de refeições aos alunos do pré-escolar. Mais logo, decerto: Corrupção, facturas não contabilizadas, assaltos aos multibancos, contestação ao novo modelo de avaliação, desemprego, perspectiva de aumento do IVA.
Sente-se no ar o desalento, o cinzento nas roupas, o vaguear das famílias sem rumo, a alienação nos centros comerciais, nos “reality-shows”, nas telenovelas e revistas cor-de-rosa, agora mais cinzentas e menos rosa; nos cartões CETELEM, FNAC, IKEA, que alimentam o consumo e enganam a miséria. Mas a substância não existe, o dinheiro é virtual, como são virtuais as fontes de rendimento. O que produzimos agora? O que produziremos? O que estamos a fazer para mudar a situação? Nada. Porque aguardamos inconscientemente que um Deus maior nos salve. Só que Ele desta vez não vem.
Um amigo sensato dizia-me – os problemas resolvem-se, o que assusta é não vislumbrarmos a luz ao fundo do túnel.
Temos problemas, sim. Temos dívidas, sim. Desemprego e agitação social, sem dúvida. Mas teremos saída? Por mais optimistas que sejamos, por mais empreendedores que tentemos ser, onde está a matéria-prima necessária? A mão de obra qualificada, uma estrutura fiscal eficiente, um sistema de justiça célere, um código de trabalho claro e flexível, códigos de ética e rigor…
Temos problemas, sim. Mas para esses há soluções. Pensaremos e poremos em prática alternativas, ideias e sonhos.
Mas quando nos tirarem a esperança, aí sim, vamos definhar.

*Escrito por Luísa Lopes.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito das surpresas. De um pensamento matinal, de um texto escrito e que se quer ver publicado. Só porque as boas reflexões são para partilhar. Não têm que ser privadas como uma agenda pessoal, mas tornadas públicas como uma agenda que é um pouco de todos.

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E num instante..

O Fim da Linha

Mário Crespo

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

[Fonte: http://www.institutosacarneiro.pt/?idc=509&idi=2500%5D

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Mário Crespo convidado pelo Governo para correspondente da RTP em Washington

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Vamos recomeçar. Não ficou legal.

A frase já o faz sorrir. Respirou fundo, voltou para a marcação e recomeçou a cena. Sorriu com aquele sorriso-de-dentes-todos e o olhar de galã que já lhe dera tantos protagonistas. Desta vez a cena chegou ao fim sem interrupções.

Bom trabalho, gente. Nos encontramos amanhã. Até mais.

Foi até ao camarim e trocou de roupa. No telefone, sempre no silêncio, tinha uma mensagem de texto por ler: Te espero à porta do estúdio. Marquei restaurante. Beijo. Sorriu, agora com o sorriso-reservado-aos-amores. Pegou nas coisas e saiu, respirando aquele cheiro a época das chuvas que parecia vir do Pão de Açúcar e abarcar toda a cidade num abraço gigante.

Jantaram no restaurante de sempre e aconchegaram-se no sofá. Ele estudava textos, ela via séries. De vez em quando ele levantava os olhos e percorria a sala que tinham decorado os dois. Na janela brilhava, longe, a imagem do Cristo Redentor, senhor da cidade, sombra de uma vida que sabia ser abençoada. Vou dormir. Amanhã começo bem cedo. Te amo.

[…]

“Estou pronto para a luta”. A mensagem, escrita, deixava adivinhar o sorriso-de-dentes-todos. Ah, a vida estava boa demais. A marcação agora é outro. Tal como o palco. E as luzes. Mas pode também haver espaço para o recomeço. Assim a vida e a força e o sorriso o queiram.

“Conto com o carinho e amor de todos vocês”.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia

‘Estou pronto para a luta’, diz Gianecchini sobre tumor

http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/estou-pronto-para-a-luta-diz-gianecchini-sobre-tumor

 

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Lisboa, Lisboa.

Lisboa cheira a flores e amores. Cheira a ausências esquecidas e a chegadas ansiadas. Lisboa veste-se daquela luz de Verão que nenhuma cidade no mundo tem. Nem a cidade do Amor, nem a cidade que nunca dorme, nem a cidade dos canais ou a cidade abarcada pelo Cristo Redentor.

Calcorreiam-se espaços, de mãos dadas ou sorrisos abertos, como se o calor não incomodasse. Contam-se histórias, partilham-se vidas, há beijos nas esquinas abençoadas por Santo António.  Ocupam-se cadeiras com vista para o rio enquanto o sol mostra o seu fulgor numa luta desmedida com o vento que teima em não chegar para acalmar as temperaturas. Lisboa cheira a terra prometida. Sobe, desce, curva, estreita-se, alarga-se, mostra-se ladina, de chinela no pé.

Lisboa cheira a sonhos por realizar e a disparates por dizer. Cheira a sucesso. A mar. A amor. A cores.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da chegada do Verão à cidade das sete colinas.

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