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Archive for Outubro, 2009

O clima de desconfiança sente-se no ar. Há tensões por recolver. Há ódios de morte. No chão acumula-se o lixo junto com os sonhos desfeitos de milhares de pessoas que nem sabem bem pelo que lutam. Há uns meses eram só cidadãos de um país que pouco conheciam. De repente os seus rostos passaram a fazer parte da História. De pequenos pedaços de História que daqui a alguns anos vão estar nos manuais escolares, e que ontem e hoje fizeram as manchetes dos principais jornais em todo o mundo.

Dois homens num braço de ferro conseguiram mobilizar centenas, milhares. Dois homens que lutam, cada um por seu ideal, catapultaram para a cena internacional um cenário político que ninguém conhecia. Mas talvez tenha sido para dar voz aos mais pequenos. Aos que querem aprender com os maiores e com os melhores, mas que nunca têm oportunidade. Dois homens ocuparam embaixadas, cadeiras presidenciais e páginas de jornais e revistas. Dois homens definiram a vida de rostos desconhecidos que vão ser esquecidos em menos de 100 horas. Mas a História é assim. Cheia de voltas revoltas. E de revoluções. E de acordos. Como este. Milagroso!

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Zelaya y Micheletti ponen fin a la crisis

El presidente depuesto de Honduras será restituido con la aprobación del Congreso.- El mandatario renuncia a modificar la Constitución para optar a la reelección

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Zelaya/Micheletti/ponen/fin/crisis/elpepuint/20091030elpepuint_4/Tes

 

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Os outros

“Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os outros agiram muitas vezes por medo, outras tantas por vaidade. Vários foram corajosos, mas esqueceram o brilho no olhar. Minto. Talvez um ou outro possa rivalizar com a força que agora emanas a cada palavra proferida.

Os outros calaram-se tantas vezes quando era preciso gritar. Ficaram vozes surdas, mudas, vazias, perdidas no vendaval em que o mundo andou porque calaram. Por medo? Por coragem? Por sabedoria?

Os outros não tinham a tua presença. Nem a tua estatura. Nem a tua inteligência e a tua candura. Os outros mostravam-se altivos, tu mostras-te humilde. Os outros agiram sem ter, tantas vezes, em conta quem estava em redor; tu escutas. Os outros preferiram a fama ao trabalho. A popularidade ao efectivo. Tu preferes a justiça. E a verdade.

Os outros podem ter sido melhores e piores. Mas tu és diferente! E isso basta…

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Obama levanta la prohibición que impide la entrada en EE UU de seropositivos

La restricción fue establecida hace 22 años, en época de Reagan

 http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Obama/levanta/prohibicion/impide/entrada/EE/UU/seropositivos/elpepusoc/20091030elpepusoc_14/Tes

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Abrupto

Esperámos por ti mesmo quando ainda nem te pensávamos. Sabíamos que virias, mais dia menos dia, sem avisar. Só porque te queríamos muito. E tu vieste, e abraçámos-te tanto que às vezes até tinha medo que ficasses sem ar de tanto de apertar entre as minhas mãos que queriam amar-te mais e mais, não deixar fugir nem um segundo da tua respiração, controlar todos os teus movimentos e proteger-te de tudo e de todos. Do mal do mundo. E sempre debaixo da asa, te levei aqui e ali, te mostrei como plantar uma flor. Como cobrir os vasos com terra. Como comer com a colher. Como lavar os dentes, esfregar bem os olhos e pentear o cabelo. Ensinei-te a atar os sapatos para evitar que caísses, e a ver as horas para nunca te atrasares. Ajudei-te nos trabalhos de casa, quando te cansavas com o lápis entre os dedos que nem sabiam bem como pegar-lhe. E agora, aqui estendida, rogo pragas à médica que não quis ouvir o meu choro. Contorço-me com dores que nem se vêem, quero ter-te outra vez nos meus braços. Um corpo quente que me aqueça o coração. Quero-te aqui comigo, amor da minha vida. Tu que me foste retirado assim, abruptamente, tão cedo e sem aviso.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Gripe A (H1N1)

Menino de dez anos infectado morreu no Hospital D. Estefânia

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Foi no dia 24 de junho. (E junho passa a ser em caixa baixa segundo o acordo ortográfico). Já passaram quatro meses mas tudo continua fresco nas memórias viventes. Especialmente nas dos fãs n.º1. Continua a encher capas de jornais, páginas centrais de revistas, destaques nos sites noticiosos, destaques nos sites dos fãs.

Enquanto vê tudo o que se passa, pensa em tudo o que foi a sua vida. Em tudo o que fez para ser sempre mais notado, mais rebelde, mais famoso, mais, mais, mais. Pelo bizarro conseguiu ser incrível. Pela bom que era conseguiu ser ótimo. Pela sua vontade conseguiu chegar onde nenhum outro. E de que me valeu, after all?*, pergunta para si prórpio ao mesmo tempo que recorda os espectáculos, Neverland ou os filhos que sempre tentou proteger e que não podiam estar mais expostos.

Quatro meses não chegam para a apagar a memória de alguém que é indelével. Quatro meses não são sequer o início do seu fracasso. Quatro meses foi o tempo para subir ao céu – onde já se encontrava metaforicamente – e para brilhar ainda mais. 

Uma estrela. Da pop. Do céu.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia

Michael Jackson: ‘This is It’ recebe aplausos pelo mundo

Fonte: Veja

http://veja.abril.com.br/noticia/variedades/michael-jackson-this-is-it-recebe-aplausos-pelo-mundo-508636.shtml

 

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Mudam-se…

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades..”

Há quatro anos pensava-se que as vontades eram umas. Resultado dos tempos, certamente. Ou da ousadia. Tudo foi considerado tendo em conta essas certezas, essas tendências. Quem sabe fossem apenas desconfianças.  Com o  passar do tempo as certezas deram lugar à dúvida, as tendências passaram de moda e aquilo que se achava que era acabou por não ser.

O mundo dá muitas voltas e todos merecem oportunidades. Elas vêm e vão e é preciso saber pegar nelas e transformar o mau em bom, os erros em sucessos. Muitas vezes não é à segunda, nem à terceira. Muitas vezes não chega a ser. Mas há-que ter sempre em conta a intenção.

E a intenção de mudar é sempre o primeiro passo para o sucesso!

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Sócrates anunciou novo Governo e posse é na segunda-feira

Fonte: Público

http://publico.clix.pt/Política/socrates-anunciou-novo-governo-e-posse-e-na-segundafeira_1406413#

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Pegamos em  acontecimentos. Em pequenos gestos. Em vidas alheias. Em imaginação. Com todos estes elementos, temos construído a nossa agenda. E temo-la dado a conhecer. Depois foram os olhares dos outros que passaram a fazer parte dela – nossa e vossa – com imagens e palavras. Agora, preparamos outra maneira de ver o mundo, de contar histórias. De agendar a vida.

Há músicas que nos marcam. Melodias que nos entram na pele. Letras que não nos saem da ponta da língua. Há momentos que nos percorrem a memória quando uma música passa na rádio. Quando uma letra é sussurrada por um desconhecido na rua. Quando acordamos com uma canção que nos percorre o dia e adormece connosco. A rúbrica número dois da Nossa Agenda é esta. Outros Ouvidos. À terceira 3.ª-feira de cada mês. Porque a vida – e a nossa agenda – (também) é feita de música.

Hoje, os ouvidos são de Pedro Neves

Escolher as cinco melhores músicas da minha vida é das tarefas mais ingratas que já me pediram; obrigou-me a um grande exercício de memória e a uma hercúlea capacidade de selecção, como se de repente fosse júri do Ídolos e tivesse de ouvir milhares de candidatos para escolher os melhores. Com a diferença que fi-lo ao meu ritmo e sem ter de aturar músicas/candidatos que sabia, à partida, estarem excluídos.
O compasso da vida é marcado pelo ritmo da música que nos acompanha e faz parte de nós. Decidi escrever sobre estas cinco canções (a ordem apresentada é totalmente arbitrária), mas dezenas de outras poderiam fazer parte desta lista… na música não existem fronteiras nem preconceitos:

Steve Vai – “For The Love of God”
Muitas vezes as palavras não chegam, ou não são sequer necessárias, para exprimirmos os nossos sentimentos. Há músicas que nos deixam em êxtase, outras que realçam o nosso lado melancólico; um sentimento como ponto de partida para uma mescla de emoções. Raramente um trecho musical me faz viajar tanto como “For The Love of God”. As notas tomam forma e vão ganhando vida ao ‘saírem’ da inspirada guitarra de Vai… sinto que dizer algo sobre esta música é tentar explicar o inexplicável.
http://www.youtube.com/watch?v=sp1fLW-DS8Q

Al Di Meola – “No Potho Reposare”
Amor à primeira audição. A versão de Al Di Meola desta música popular italiana é simplesmente arrebatadora. Ouvi-a pela primeira vez ao vivo e senti-me pequeno. É por canções como esta que se tornaria penoso viver sem música. São cinco minutos de arrepiar, cinco minutos em que acreditamos que tudo é possível, antes de o final nos trazer de volta à realidade (para manter o estado ‘alucinatório’ utilizar a função ‘repeat’ do leitor de cd). “No Potho Reposare” podia escrever-se no dicionário na entrada da palavra “beleza”.
http://www.youtube.com/watch?v=pvw854eq_Xg

DreamTheater – “The Glass Prison”
Uma chuva miudinha anuncia a sua chegada. Poucos segundos depois percebemos que afinal é uma tempestade que nos espera. Daquelas que não nos pode molhar e que gostamos de ver através das janelas, no conforto da nossa casa. A música é ritmo, melodia, harmonia, “alma”… mas também pode desafiar regras e procurar chegar mais longe. “The Glass Prison” não é daquelas canções que nos fazem reflectir sobre o mundo ou que nos conforta nos dias menos bons. Não. Muito menos reflecte simplicidade. A sua pauta é longa, complicada e desafia convenções. Por vezes as coisas mais simples são as que nos dão mais prazer, mas neste caso acontece exactamente o contrário. Contratempos, compassos invulgares e uma mestria assinalável de cinco músicos conjugada na perfeição. É como se Messi, Ronaldo, Ibra, Ronaldinho e Kaká jogassem na mesma equipa. Os ritmos são excelentes, os solos alucinantes e o todo… divinal.
http://www.dizzler.com/music/Dream_Theater/The_Glass_Prison

 Miles Davis – “So What”
Só grandes génios podem aspirar a gravar uma música assim. Ainda para mais quando aquilo que ouvimos na primeira faixa de “Kind of Blue” é o primeiro take da gravação… de uma música que nunca tinha sido tocada. O jazz improvisado nunca tinha soado tão bem. Miles Davis e John Coltrane juntos só podiam dar nisto. “Kind of Blue is a defining moment of twentieth century music”, lê-se nas liner notes do disco. Assino por baixo.
http://www.youtube.com/watch?v=DEC8nqT6Rrk

Jimi Hendrix – “Red House”
“There’s a red house over yonder, that’s where my baby stays”, cantava Hendrix nos anos 60. Os blues e o rock nunca mais foram os mesmos depois do furacão de originalidade e de psicadelismo de Hendrix. “Are You Experienced” arrasou o mundo como álbum de estreia. Mas antes Jimi teve de se mudar para Londres, depois de anos a tocar em bares nos EUA, onde dificilmente alguém o respeitava, por ser negro. Em “Red House” Hendrix mostra que ninguém era melhor que ele. Morreu depois de ter tocado em Woodstock e Isle of Wight. Bastou-lhe quatro anos para mudar a música para sempre. Só lhe podemos estar agradecidos.
http://www.youtube.com/watch?v=1_9KOGaLXdg

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Entrou de rompante em casa, como quem vai tirar o pai da forca, que até me assustou. Sei que nesta idade – a idade da discórdia, da rebeldia, de todas as afirmações, aquela que chamam a idade do armário – são comuns este tipo de atitudes, mas quase me matou do coração, a marota da miúda. Vinha com o cabelo despenteado pelo vento, e vi logo pelos lábios frios que encostou na minha bochecha quando me cumprimentou, que tinha estado no telhado, a espreitar por aquele tubo ampliador do céu que o avô e eu lhe tínhamos dado, quando no 5º ano, começou a estudar as constelações. Nunca pensei eu que aquilo fosse incentivo para, agora aos dezoito, estar prestes a entrar para astronomia. Nunca acreditei nessas coisas de astronautas, planetas, luas e sóis, cometas e afins. Disse ao avô, na altura, que não comprasse o canudo à miúda, que a podia distrair de coisas mais importantes, e podia afastá-la da realidade. Eu sempre vi as estrelas, sei que elas existem, mas querer explorá-las é de mais. Acho descabido, quando aqui há tanta coisa que ainda não se sabe. Para quê explorar aquilo que está tão longe? que é intocável? Só que hoje estava eufórica – a sonhadora – com a descoberta divulgada. Hoje, via-se-lhe nos olhos um brilho especial, de quem está mais perto de concretizar um sonho. Hoje senti que ver é a melhor forma de comprovar. Mas só a seguir a sentir. E ela contou-me, entusiasmada, que tinham descoberto uns novos planetas num sistema diferente. E confirmou que integraria a equipa de exploração da descoberta. E eu repensei também as minhas dúvidas, pedi-lhe que me procurasse vídeos da chegada do homem à lua. E ouvi-a com atenção, a traduzir o relato jornalístico originalmente em inglês. Por ela, passei a acreditar que todos os sonhos podem ser passíveis de concretizar. É só acreditar neles.

 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

ASTRONOMÍA | Hallazgo realizado por la ESO

Descubren una treintena de planetas fuera de los límites del Sistema Solar

http://www.elmundo.es/elmundo/2009/10/19/ciencia/1255954813.html

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