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Archive for the ‘Opinião’ Category

Yes, I can.

Respirar. Olhar aquelas ondas, que se tornam maiores, menores, maiores, menores, maiores, menores. Deixar o sol queimar a pele, a vista e o cabelo. Deixar o sal lavar a alma. Respirar e agradecer, que a vida é feliz para quem agradece. Para quem sabe agradecer.

Passar em revista o último ano. O que fizemos de bem, de mal, de assim assim. Recordar os momentos melhores, os piores e escolher aqueles que queremos guardar na memória. No coração. Olhar aquelas ondas maiores, menores, maiores, menores e saber o que queremos que levem e o que gostaríamos que trouxessem. Sorrir por termos a felicidade de poder tomar opções. Por termos o coração cheio e a alma tranquila. Por podermos trocar as lágrimas por alegria, o cansaço por serenidade, a angústia por um sorriso.

Há tanto tempo que não te via sorrir, rir assim, disse ele. E eu ainda sorri mais, porque não me tinha dado conta de que o sorriso não me fizera falta apenas a mim.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da nova fase da minha vida. Porque remar contra a maré é difícil, mas não é impossível.

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Corpo de memórias

‘Mas por que raio é que não acerto nesta nota, hoje? Não é assim tão difícil!’

‘Não!, mas o teu corpo guardou a memória da errada. E vai ser difícil mudar isso’

A história repete-se e não só com quem canta. Repete-se com quem ouve. Com quem vê. E sobretudo com quem sente. Há acordes que nos fazem bater o coração mais depressa. Há imagens que nos fazem, sem sabermos porquê, chorar. Há letras que nos tocam como se todo o nosso mundo fosse ruir em menos de nada.

Meses passados depois de tudo, decidiu que era hora de testar os limites. Chegado a casa, largou as partituras em cima da mesa, libertou-se do peso da roupa e carregou no ‘modo aleatório’ da aparelhagem. Sabia que as músicas iriam aparecer de surpresa e sem aviso prévio. Acreditou que não havia mais memórias gravadas naqueles três minutos de melodia inócua.

Enquanto preparava o jantar, começou a ouvir. E começou a sentir o estômago a encolher-se. Os sentimentos bateram-lhe com a força de uma onda em dia de tempestade. Fechou os olhos e tentou distrair-se. Não faz sentido. Já passou demasiado tempo. Não pode ser.

Mas podia. Porque o corpo é assim. Guarda-nos as memórias do que não queremos lembrar. E fá-las saltar quando baixamos as defesas e nem nos apercebemos. Para o bem e para o mal, temos um corpo de memórias. Escritas em páginas de vida.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito do lançamento de Silent Hill: Book of Memories

http://www.paraiba.com.br/2011/08/19/80969-novo-trailer-de-silent-hill-book-of-memories-gera-polemica-entre-fas-veja-video

 

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Lisboa, Lisboa.

Lisboa cheira a flores e amores. Cheira a ausências esquecidas e a chegadas ansiadas. Lisboa veste-se daquela luz de Verão que nenhuma cidade no mundo tem. Nem a cidade do Amor, nem a cidade que nunca dorme, nem a cidade dos canais ou a cidade abarcada pelo Cristo Redentor.

Calcorreiam-se espaços, de mãos dadas ou sorrisos abertos, como se o calor não incomodasse. Contam-se histórias, partilham-se vidas, há beijos nas esquinas abençoadas por Santo António.  Ocupam-se cadeiras com vista para o rio enquanto o sol mostra o seu fulgor numa luta desmedida com o vento que teima em não chegar para acalmar as temperaturas. Lisboa cheira a terra prometida. Sobe, desce, curva, estreita-se, alarga-se, mostra-se ladina, de chinela no pé.

Lisboa cheira a sonhos por realizar e a disparates por dizer. Cheira a sucesso. A mar. A amor. A cores.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da chegada do Verão à cidade das sete colinas.

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Olham para lugar nenhum, com olhos tristes, vazios daquele brilho que associamos à felicidade. Velhos, novos, pretos, brancos, amarelos. Casados, noivos, solteiros, viúvos.

Desempregados ou quadros de empresas – são conjeturas, estas, que não sei quem são ou o que fazem estas pessoas que todos os dias me cruzam os passos. Sei que estão cansadas. Que aos 16 (não terá mais a miúda sentada aqui, agora) têm um olhar de sonhos desfeitos, quando ainda nem sequer os começaram a sonhar.

Têm olhos tristes estes que deviam agora levantar-se e lutar, com a mesma força com que há séculos se partiu por esse mundo fora quando esta terra não chegava para fazer sorrir. Têm olhos tristes e sem força.

E eu não gosto destes olhos. Não os quero ter, ver ou o ou ter qualquer ligação com olhares como estes. Lisboa devia ter olhos felizes, em cada uma das sete colinas com vista para o Tejo.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do atual estado de espírito português.

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Agarraste a oportunidade como quem se agarra à vida: com a mesma garra, confiança e certeza. Sabes que a vida não é fácil e que estás, há anos, a remar contra a maré. Com sucesso, é certo. Mas com muita dificuldade.

Deixaste de ter tempo para os amigos, para a família, para ti própria. Não que não estejas presente, porque estás. Mas estás menos do que todos gostaríamos. “Tem que ser”, dizes com o rotineiro encolher de ombros que dá lugar ao sorriso aberto de quem já nem tenta justificar-se. Não precisas. Sabemos que é tudo por amor.

Trabalhaste, durante dois meses, sem veres os teus textos serem invadidos por outros olhares. Soubeste pessoas, contaste estórias e acarinhaste numa barriga-que-não-é o teu segundo ‘bebé’. Voltas a ser chamada para uma equipa das boas, com ideias das boas e pessoas das boas.

Voltas a mostrar quanto vales e o que ainda podes ser. O sol tisnou-te a pele e agora já não pareces cansada. Pareces só feliz. E é dessa felicidade que me encho quando te vejo, sem to confessar.

Em segredo, levo para casa o teu sorriso, o teu encolher de ombros e a tua certeza gravada no olhar. E tento ser igual a ti. Todos os dias.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito do teu novo projeto. Da tua luta. Da tua vida.

 

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A guerreira

O cabelo curto e encaracolado foi afagado, vezes sem conta, por uma mão esquerda irrequieta. O olhar, perdido nas paisagens do Oeste, tinha o brilho de todos aqueles que amam a vida e o que dela fazem. Brincos coloridos espreitam por entre um caracol mais rebelde. Na mão direita o gravador, companhia de uma viagem que começou há tanto tempo e que não tem prazo para terminar.

Palavras discorridas a cada quilómetro percorrido!,a contar as historias que compõe a sua e que a fazem caminhar, errante, por uma Europa onde estudou mas que não tem como casa.

O relato, feito em voz baixa num autocarro semi-vazio, podia ser contado a um microfone que a ligasse directamente ao mundo. Provavelmente tenta guardar, pela voz, os sentimentos que a invadiram a cada facto, a cada pessoa, a cada pormenor.

“Vou escrever esse livro”, disse, confiante, à pessoa que a acompanhou à porta do autocarro. “Vou ter que ler muito, ainda ,mas vai dar certo”, concluiu com o sorriso dos projectos de uma vida.

A mochila verde, pequeno santuário de qualquer jornalista itinerante, fica, muda e queda ao seu lado enquanto ela fala do tanto que aconteceu este fim-de-semana.

E continua a contar as histórias dos outros, enquanto, sem perceber, escreve também a sua. Mão esquerda junto ao peito, mão direita no gravador. Olhos fitos no horizonte.

Recosta o banco em que viaja, arruma as coisas e fecha os olhos. A guerreira descansa antes de se atirar a mais uma história, em mais uma cidade desconhecida, num Pais que não é o seu.

Entrada na Nossa Agenda a propósito de todos os que amam o que fazem.

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Há um oceano entre nós.  Dos grandes. Séculos e séculos de tradição separam duas famílias que têm tanto de diferente no estar como na expressão dos olhos ou no tom de pele. Há séculos e séculos de História – tantas vezes cruzada, nem sempre pelos melhores motivos – que nos separam. Que nos fazem parecer estranhos quando na verdade temos tanto em comum como o cargo que ocupamos.

Ela ocupa um dos mais antigos tronos da Europa. E eu a liderança da maior economia do mundo. Ela atravessou décadas e Governos. Eu, guerras e crises. Ela mantém-se firme no seu posto como se estivesse na meia-idade. Eu tento aguentar-me, tão honradamente quanto possível, estando, precisamente, na meia-idade.

Há um oceano entre nós. E anos, muitos anos. Há experiências, diferenças, mortes, casamentos, valores, atitudes…há muita coisa que nos separa. Mas quando lhe olho nos olhos, naqueles olhos cheios de vida ainda que cansados dos anos que teimam em passar por si, sei que é muito mais aquilo que nos aproxima.

É a ela que devo a honra de ser o primeiro presidente dos EUA a discursar na sua residência oficial. De ser o primeiro presidente dos EUA a cometer gaffes com o brinde. De ser o primeiro presidente dos EUA a conhecer a sua nova família depois do casamento mais aguardado do século. De ser. E de estar.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da visita do presidente Barack Obama ao Reino Unido.

http://www.bbc.co.uk/news/uk-13537972

*A um Oceano de distância

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