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Archive for Outubro, 2011

Chegaste com os ténis tão teus quanto o sorriso maroto que trazias por entre o cabelo solto. Começámos a falar por sinais ainda faltava atravessar a estrada e entrámos, como se soubéssemos de cor aquele caminho que só percorremos juntas umas duas vezes. Também não importa, porque é um caminho parvo e fácil. E nós temos outros tantos mais difíceis para percorrer, todos os dias.

Em 3 minutos – juro que não demorou mais – pegámos no almoço, pagámos e estávamos a repetir o ritual bom de almoçar juntas ali com vista para o MP. “O dia está estranho”, disseste entre duas colheres de sopa. “Verdade”, respondi entre duas garfadas.

Eu sorri, para dentro, por saber que fazíamos, ao mesmo tempo, revelações tão mais importantes do que o estado do tempo. Demorei 30 minutos a conseguir chegar ao pé de ti para uma refeição de mais 30 minutos. Que me salvaram o dia. Porque contigo acabo sempre a sorrir das mensagens que trocamos à mesma mesa – tolas.

“Vamos sair de Lisboa? Agora? Hoje?”

“Hoje não dá. Mas ‘bora”.

Não saímos. Fomos cada uma para seu lado. Escrever estórias mais ou menos chatas. Com mais ou menos pessoas e vidas e importância. Fomos fazer aquilo que mais prazer nos dá. Aquilo que nos juntou e nos faz ter, hoje, um espaço em comum – para além dos almoços corridos no centro.

Não! Não declaramos  o óbito. Ganhaste isto com a unanimidade do costume.

Não pode morrer algo que foi feito com tanta vida. E era só isto que te queria dizer.

 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da publicação anterior. “Volta e meia, volto cá”.

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Não me parece. Sei que tenho estado afastada, mas quem não está? No meio do caos, é preciso concentrarmo-nos em medidas para o ano que vem, em taxas de crescimento pós-austeridade, em encontrar soluções para a crise, em planos de apoio de capitalização da banca e em resultados de cimeiras europeias. Com tanta coisa para pensar, achas que podemos declarar óbitos?

Não me parece. O projecto, como todos, nasceu com ânimo, com força, com fôlego. É normal, é natural, é quase óbvio. Tenho conhecido tanta gente assim, que se aplica, que se multiplica, que se anula e se reinventa, que reinventa os outros, que inspira. Gente que não pára, que respira a correr e corre sem respirar. Isso admite declarar óbitos?~

Não me parece.

Não me parece que, passado este tempo – que já não sei quanto e que também não tenho tempo de ir precisar – nos seja tão fácil optar pelo caminho mais simples. E, não me leves a mal. Tenho insistido menos do que tu, resistido menos do que tu, negado mais do que tu. Tenho-me focado noutras coisas. Mas nego-me. Nego-me a declarar morto um projecto que construímos assim. Tão bem. Com tanto ânimo. Tanto fôlego. Tanto. Declaramos o óbito.

Não me parece. *

Entrada Na Nossa Agenda a propósito de um esforço de regresso. Volta e meia, volto cá.

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