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Archive for Março, 2010

De visita

Se me preocupo com o que os outros pensam? Eu sou o que os outros pensam. Escrevo para os outros lerem, sorrio pelo que os outros dizem, rio do meu comportamento para com eles. Se sou um produto das pessoas que passaram pela minha vida? Dessas e das outras todas. Sou resultado das viagens que faço aqui e acolá, das comidas que saboreio em todos os sítios por onde passo, das conversas que tive e das que não tive por vergonha. Conheço-me pelos outros, vejo-me aos olhos deles. E não é por isso que deixo de ser eu…não, isso nunca. Sempre que penso nisso arrepiam-se-me todos os pêlos dos braços. Claro que são os outros que me fazem, em conjunto comigo mesmo. É evidente. Sou fruto de mim com os outros. E isso nota-se. Noto-o. Não sei é se os outros notarão.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da minha agenda.

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Da arte

Já fui escrito com um pena. Em papiro. Daquele que vocês nunca viram.Depois passei para as canetas de aparo, as esferográfiacas, os lápis, as folhas brancas e as folhas recicladas.

Passei por papel químicos, fui desenhado por mãos manchadas, rudes umas, outras nem tanto. Passei para teclados, mais ou menos duros, para telefones, para ‘smartphones’. Há quem tenha mesmo dificuldade em fazer-me como eu sou, há quem nunca me trate pelo nome, há quem já tenha desistido e já tenha adoptado uns ‘sósias’ e os desenhe a fingir que sou eu.

Já tive vários nomes, denominações, sou referido em todas as línguas do mundo e todos me conhecem. Sim, nao é pretensão. Posso dizer que todos me conhecem.

E agora, a honra maior, a glória com a qual nunca sequer me atrevi a sonhar…

Eu sou parte do MoMa. Eu sou arte. Arte…

Com licença, meus senhores. Vou tirar uns dias de férias, que isto de ser arte dá-me um novo estatuto. Artístico.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

@ AT mOmA

http://www.moma.org/explore/inside_out/2010/03/22/at-moma/

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Os tempos não estão para sorrisos fáceis nem para ironias descabidas. Não há tempo. Não há tempo para simular, para pensar, para estudar.

Não ha tempo nem condições para tentar fazer o impossível. Fomos longe demais cedo demais. E agora o problema é volta para trás. Garantir que conseguimos resolver o que devíamos ter feito antes. Não conseguimos. Chegámos ao ponto do não retorno. E agora o caminho é para a frente. De cabeça erguida, carapaça preparada para o que ainda teremos que aguentar e muita fé. Em Deus, nos homens, nas contas públicas.

O problema é que elas não se resolvem sozinhas. E nós…não sei se nós ainda vamos a tempo de as resolver.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Portugal sets out plan to tackle deficit

http://www.ft.com/cms/s/0/947ec950-2ac7-11df-b7d7-00144feabdc0.html

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Deitara-se tarde no dia anterior, sem que tivesse dado por qualquer alteração no tempo, no espaço, na mobília. Tinha composto o napron da mesa da entrada, sempre impecavelmente passado, quase intocável. E nem o ladrar do cão do vizinho do andar de baixo lhe perturbou o adormecer sereno, tal era o cansaço daquela sexta-feira à noite. A semana tinha sido tramada, pensava sem poder comentar com ninguém o vazio que sentia por tê-la longe. Compôs a almofada debaixo da cabeça e fechou devagar os olhos.

Acordou com a luz da rua, não sabia bem que horas eram. Olhou para a janela – disfarçada pela cortina semi-transparente – e notou uma luz estranha, alaranjada, na rua. Não conhecia a cidade daquela cor, nunca tinha acontecido as janelas estarem amarelecidas, era cuidadoso com as limpezas, nunca deixava o pó acumular-se nas estantes, nos móveis, no chão. Levantou-se devagar e aproximou-se da janela, sem saber bem o que se passava. Afastou a cortina, os olhos muito abertos, a ansiedade a aumentar da expectativa do desconhecido. E viu: um manto de areia fina, alaranjada, inédita, cobrira toda a cidade. Tinha acordado num sítio novo. Numa cidade que não conhecia.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Pekín, bajo una capa de polvo y arena

http://www.elpais.com/fotogaleria/internacional/Pekin/capa/polvo/arena/elpgal/20100320elpepuint_1/Zes/1

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Voltas

O sol batia-lhe nos olhos e marcava-lhe as já profundas rugas que estavam com ele há tanto tempo quanto o desporto. Era uma das desvantagens de se jogar assim, sem óculos, para se conseguir ter total visibilidade. Ah, mas o ar puro…ninguém lhe conseguia tirar o prazer de jogar em pleno campo, com todo aquele verde brilhante do sol que teimava em não baixar no horizonte.

Caminhou, sorridente, pelo ‘green’ que há tanto nao pisava. Olhou em volta e respirou a solidão que aquele dia lhe garantiu, como tantos outros em que era só ele e o jogo. A vida tinha dado muitas voltas, é certo, mas sabia ter razões para sorrir. A vida estava a ser demasiado generosa, tendo em conta tudo o que já tinha feito.

Abriu os braços, respirou fundo e pôs mãos à obra. Já tinha perdido demasiado tempo. O título ainda é seu mas é preciso mais. Sempre mais. Agora era ele quem daria as voltas na sua vida. Que decidiria a prózima tacada. Definitivamente.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:


Tiger Woods’ green light to return to action at US Masters

http://www.heraldsun.com.au/sport/golf/tiger-woods-green-light-to-return-to-action-at-us-masters/story-e6frfgax-1225842051864

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É hora!

Foi passando por entre a massa de repórteres que teimavam em colocar-lhe os microfones em riste, como se assim fossem capazes de o obrigar a quebrar o silêncio. Tentava não olhar para os lados e trocou pouc mais do que três palavras com o assessor de há tantos anos.

Quando olhou lá para dentro percebeu que chegara ao agora ou nunca. Que seria o momento da verdade por que há tanto esperava. Já tinha passado por aquele nervoso antes. Desde os 14 anos que a política lhe estava no sangue e no dia-a-dia. Sabia o que tinha de ser feito mesmo quando todos os outros diziam que devia ir no sentido contrário.

Ergueu a cabeça e avançou resoluto em direcção ao palanque. Era agora ou nunca, sem dúvida. Nos olhos dos mais novos o cepticismo e o orgulho; nos dos mais velhos a descrença e o cansaço. Está na hora de mudar, diz o silêncio absurdo da multidão.

A hora é nossa. Está na hora de mudar. É hora de criar uma unidade capaz de destronar o poder instalado

***

Deitou-se estafado e tenso. A hora tinha chegado. Só não tinha a certeza de que a hora fosse dele.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do congresso extraordinário do PSD

http://www.cmjornal.xl.pt/noticia.aspx?contentid=812E7A0C-557B-4D58-A465-CF4D3C1ECB66&channelid=00000021-0000-0000-0000-000000000021

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In memoriam

Lá do alto, o cenário, outrora aterrador, é hoje magnífico. A luz amarela que banha a cidade e reflecte nas fardas bem engomadas, nos botões polidos, nos sapatos bem engraxados é única. E hoje parece ainda mais bonita, só por capricho dos céus.

As pequeninas flores que já despontam nas árvores, indiferentes ao frio que teima em não ir embora, é homenagem suficiente. Mas é preciso mais. Porque as memórias são assim: desaparecem com o tempo se ninguém cuidar delas. Hoje a cidade parece mais silenciosa. Como se todos tivessem feito um acordo tácito para deixar-nos, a nós, aves, entoar o cantico mais bonito, sem sermos interrompidos.

Porque hoje o dia é do canto mais sentido. PAra o qual nos preparamos o ano inteiro, pelo qual esperamos para podermos, também, honrar aqueles que desapareceram na catástrofe de há tanto tempo. Também a vimos e sentimos e sofremos. Mas as asas salvaram-nos e por isso sabemos que somos mensageiros da vida.

Hoje a nossa melodia vai ser a melhor de sempre. Por quem merece.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

División en el recuerdo del 11-M seis años después

http://www.elpais.com/articulo/espana/Division/recuerdo/11-M/anos/despues/elpepuesp/20100311elpepunac_1/Tes

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