Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Em Lisboa’ Category

carne viva

Peguei no telefone e liguei. Apresentei-me. Do lado de lá, uma voz negou aquilo que os outros escreviam. Notícia falsa, título sensacionalista. Larguei a história: nós não podemos incendiar as coisas que não são combustíveis, pensei. Economia positiva. Economia positiva. Às vezes é preciso esperar sorrateiramente, sem fazer barulho, e só ver as coisas acontecer à nossa frente. Como quando estamos à espera de uma boleia à entrada de um prédio qualquer, encostadas a uma parede. E as pessoas passam – nós vemo-las passar, sem fazer barulho, só a observar. E os olhares nunca se cruzam a não ser quando a boleia chega.

Ele nunca lá tinha ido e parece que foi de propósito. O jantar, combinado há uma semana, calhou exactamente no dia em que a polémica estoirou. Perguntei-lhe se tinha a certeza. Disse-me que sim. Há a visão romântica das coisas: o manifesto dado ao mesmo tempo que a factura em nome da empresa, um sorriso meio a medo, umas gargalhadas e uns olhares cúmplices de quem passou tanta coisa e há tanto tempo, e ainda assim não esqueceu nada. Como uma marca que se deixa, se entranha sem se estranhar, se apropria dos seus clientes sem que eles percebam que, de repente, passaram a precisar dela. Ontem, sem querer, não passámos de cavalo para burro. 100%.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito desta e de outras notícias relacionadas.

Anúncios

Read Full Post »

Lisboa, Lisboa.

Lisboa cheira a flores e amores. Cheira a ausências esquecidas e a chegadas ansiadas. Lisboa veste-se daquela luz de Verão que nenhuma cidade no mundo tem. Nem a cidade do Amor, nem a cidade que nunca dorme, nem a cidade dos canais ou a cidade abarcada pelo Cristo Redentor.

Calcorreiam-se espaços, de mãos dadas ou sorrisos abertos, como se o calor não incomodasse. Contam-se histórias, partilham-se vidas, há beijos nas esquinas abençoadas por Santo António.  Ocupam-se cadeiras com vista para o rio enquanto o sol mostra o seu fulgor numa luta desmedida com o vento que teima em não chegar para acalmar as temperaturas. Lisboa cheira a terra prometida. Sobe, desce, curva, estreita-se, alarga-se, mostra-se ladina, de chinela no pé.

Lisboa cheira a sonhos por realizar e a disparates por dizer. Cheira a sucesso. A mar. A amor. A cores.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da chegada do Verão à cidade das sete colinas.

Read Full Post »

Olham para lugar nenhum, com olhos tristes, vazios daquele brilho que associamos à felicidade. Velhos, novos, pretos, brancos, amarelos. Casados, noivos, solteiros, viúvos.

Desempregados ou quadros de empresas – são conjeturas, estas, que não sei quem são ou o que fazem estas pessoas que todos os dias me cruzam os passos. Sei que estão cansadas. Que aos 16 (não terá mais a miúda sentada aqui, agora) têm um olhar de sonhos desfeitos, quando ainda nem sequer os começaram a sonhar.

Têm olhos tristes estes que deviam agora levantar-se e lutar, com a mesma força com que há séculos se partiu por esse mundo fora quando esta terra não chegava para fazer sorrir. Têm olhos tristes e sem força.

E eu não gosto destes olhos. Não os quero ter, ver ou o ou ter qualquer ligação com olhares como estes. Lisboa devia ter olhos felizes, em cada uma das sete colinas com vista para o Tejo.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do atual estado de espírito português.

Read Full Post »

Azul.

Acordou-me com um beijo. Gosto de acordar com os beijos dela. Sabem a pasta de dentes e a amoras silvestres, do creme que usa sempre antes de se deitar. Tinha o pequeno-almoço em cima da mesa do quarto, com direito a sumo de laranja, ovos mexidos, café e o jornal. Estranhei toda aquela atenção, mas achei melhor não discutir. Retribuí o beijo mas deixei-me ficar, naquele monte de roupa quente, enquanto a envolvia com os meus braços.
O cabelo dela cheirava a frutos exóticos e tinha vestida a mais bonita camisa de noite. Algo se passa aqui.. Olhei rapidamente para o relógio à procura de uma data que me fizesse não passar por marido que se esquece tudo. Nada. Não era aniversário de casamento, de namoro, de primeiro beijo, de primeira noite de amor, de primeiro fim-de-semana juntos…nada. Optei por me não fazer de esquisito e reagi aos avanços da manhã. Afinal, um dia não são dias e nada como começar o dia como uma espécie de lua-de-mel versão mais curta.
Fui para o banho, ainda assim, com a ideia de que algo me estava a falhar. Liguei a música alto e meti-me debaixo do chuveiro. Enquanto a água me lavava aquela estranheza impregnada na alma apercebi-me que de facto não importava. Porque importando significava que precisava de momentos, de datas, de dias para a amar. E não preciso. Nem quero precisar. E aquela frase – a sempre – começou a martelar-me: Amar é um exercício de vontade. Sem dia nem hora marcada.
Saí do banho e voltei a envolvê-la nos meus braços. A manhã seria nossa. Como a vida. Toda.

Rosa.

Ontem comprei um champô novo. Compro sempre os champôs pelo cheiro, e nunca pelas características. Os de amêndoa enjoam-me, os de côco lembram-me a praia e não gosto de a ter no cabelo, mas na pele. Gosto dos frescos, de frutos silvestres ou de citrinos. Gosto dos mais leves, como gosto dos vinhos brancos em vez dos tintos. Os brancos são mais frutados, mais amargos, menos encorpados. Encorpados, gosto de amores. Daqueles que me fazem querer gritar de tanto acreditar. Dos que me deixam sobressaltada pela ausência e pela aproximação. Dos que baralham os dados e nos fazem ser aquilo que nunca pensámos conseguir. Mais forte, mais corajosa, menos maricas, mais comunicativa, melhor. Como estava a dizer: hoje comprei um champô novo. Estava a acabar o outro e resolvi mudar, que o meu cheiro já me é familiar de mais. Quero um aroma que se misture com o meu, uma pessoa que seja a minha casa, um perfume que se misture com a luz da manhã. Quero um novo amor.

Read Full Post »

Da ausência

Era para vir cá mais cedo, mas não deu. Há dias que penso em vir escrever, dar-te alguma atenção, conversar contigo. Mas os dias passam tão rápido, as horas tão ocupadas, os minutos tão avassaladores, que – e até tenho vergonha de admitir – nem sempre tenho ‘paciência’ para voltar aqui. És importante, não nego. Foste pensado ao pormenor, com carinho, com tudo aquilo que um projecto deve ter. Foste pensado a dois, como os bebés que nascem dos casais em todos os dias do ano. De todos os anos. E se vão multiplicando em expressão e em amor. Como nos filmes. E não há semana em que não me lembre de ti com todo o carinho com que te fui construindo. Mas as coisas são mesmo assim. Já dizem na vida real. Que as relações são mesmo de altos e baixos, de paixão e de desencantamento. De velocidade e pausa. Como a nossa. Por isso, hoje vou fazer uns bolinhos contigo, dar-te alguma atenção. Conversar contigo sobre os últimos meses. Fazer um balanço: o possível. Porque sei que não será o que eu mais queria. Mas aquele que é necessário para avançar.

Read Full Post »

Misturam-se os idiomas enquanto as cores desfilam diante dos olhos. Cansados. Há sorrisos frescos e olheiras de saturação e desesperança. Os barulhos e as campainhas não param de chegar, cada vez mais ritmados e cada vez mais alto. Pelo menos assim parece, tal as repetições e repetições e repetições que já tiveram que ouvir.

Há meias-de-leite e sandes de fiambre nas mãos das crianças, cansadas de ver sempre o mesmo lugar de não ter com o que se distrair. Já não há músicas novas nos iPod, nem bateria dos computadores, nem energia nos corpos. Nem bancos livres ou rostos desconhecidos.

Já não se olha para a agenda, já não se desmarcam compromissos. Não é preciso. Já não há ‘gadget’ que divirta ou que distraia, nem conversas novas que possam ser feitas. Ou posição para se estar.

Tudo é saturação e aborrecimento. E o cinzento que tudo provoca é invisível. Pelo menos aqui.

Read Full Post »

Poder. Arrogância. Presunção. Excelência. Preconceito. Desaparecimento do mundo como o conhecemos. Ideias, valores e ideais. Diferenças. Relações.

O pensamento como base do fazer, do conhecer e do ser. As relações que ajudam, que estimulam e que favorecem. As ideias pre-concebidas e a verdade das coisas. Do saber. Do poder.

Profissionais. Mérito. Debate.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do Workshop “Ciência, Política e Media”

http://viveraciencia.wordpress.com/cienpolmedia/

Read Full Post »

Older Posts »