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Archive for Janeiro, 2009

Era hoje. Tinha colocado o despertador para tocar três horas mais cedo. Sabia que a ansiedade ia tomar conta do seu espaço mal saísse da cama. Então decidiu acordar aos poucos. Como gostava daquele ritual…O despertador tocava uma vez. Uma hora mais tarde, outra vez. Uma hora depois, mais uma vez. Quando se levantava tinha a sensação de ter dormido imenso.

Mas neste dia foi diferente. Mal o despertador tocou pulou da cama, ainda nem o sol tinha dado os bons-dias. Tomou banho, calmamente, enquanto tentava acalmar o coração, que estava descompassado de tanta ansiedade. Arranjou-se e voou para fora de casa sem sequer tomar o pequeno-almoço. Sabia que isso não era bom. A mãe sempre lhe dissera que nunca saísse de casa sem comer. Mas também sempre a alertara para não deixar para depois aquilo que pudesse fazer agora. Iria plantar-se à porta da escola e seria a primeira a ver os resultados. Dali era só correr para o centro de candidaturas e escolher a melhor! AS melhores.

(…)

Entrou no autocarro e olhou em volta. Há tanto tempo que fazia o percurso que, muitas das vezes, já nem reparava nas pessoas que entravam e saíam. Nem sequer no motorista. Às vezes lamentava-se pelo facto de, com os hábitos, a subjectividade humana se perder. Tudo passa a ser normal, todos passam a ser alguém, sem que nos preocupemos sequer em conhecer nomes, idades, profissões. Cada um tem um passe e é um número. No meio de tantos outros. Apenas um número. A vida evolui assim, sem qualquer refutação. Começa-se por ser o centro das atenções, quando se nasce. De entrada na creche e depois na primária, vai-se adaptando as necessidades à oportunidade que os outros têm para as satisfazer, tendo em conta os restantes com quem se tem de conviver. E de repente já se anda sozinho no autocarro, é-se crescido, a caminho da faculdade. De um dos melhores tempos da nossa vida. Nunca os adultos se cansam de repetir. Os melhores. Os pensamentos voam e a travagem do autocarro abrupta interrompe a divagação. Tinha chegado finalmente.

(…)

Olhou para a lista imensa. Quinhentas. De todas as quinhentas ela podia escolher a que quisesse. Era a prenda que lhe davam por ser aluna nota 20 (ou 10, no sistema Americano). Qualquer uma. Era o passaporte para o sucesso, para a fama, para a vida que sempre sonhara longe daquelas fronteiras que a estrangulavam, que a proibiam de ser mulher em todas as acepções da palavra. Que a impediam de ser pessoa. De viver.

As primeiras eram Norte-Americanas (óbvio). Mas ela não gostava dos americanos. Continuou a percorrer a lista…Inglaterra, Suiça, Alemanha, Hong Kong, Singapura, Portugal… Portugal? Portugal é aquele ali na ponta mais Oeste da Europa, não é?, perguntou para o colega do lado, nem esperando pela resposta.

Nunca tinha pensado em Portugal…Tem uma das 500 melhores do mundo? Os olhos percorriam rapidamente a lista…

 

Entrada Na Nossa Agenda com base na notícia:

Pesquisa coloca USP como a 87ª melhor universidade do mundo*

LEONARDO FEDER
Fonte: Folha de São Paulo Online

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u496023.shtml

  *NA: Há cinco universidades portuguesas entre as 500 melhores do mundo. A Universidade do Porto (271º lugar), a Universidade do Minho(300º lugar), a Universidade Técnica de Lisboa (374º lugar), a Universidade de Coimbra (378º lugar) e a Universidade de Lisboa (479º lugar).

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A mosca anda armada em ave de rapina. Voa alto, passa fronteiras, olha o mundo de cima e acha-o – todo ele – acessível. É feroz como um felino, meiga como um ser humano, mas na sua essência há a paixão de um coração, ele mesmo, português. Há a nostalgia e a consciência de que os nomes lusos nem sempre são a melhor opção. A expressão anglo-saxónica é, nem tanto uma negação de origens, mas um esforço para a sua internacionalização. Anda debaixo dos pés mais ‘fashion’. É must have de estrelas do cinema e da música. Adorada por ícones, a mosca é, agora, nela mesma, um ícone, apesar de figurar nas solas de borracha onde se impregna. É uma mosca fiel, e sem deixar de ser vistosa, é confortável. É invejada. Nada invejosa. Antes astuta como um lince. Suave como espuma. Sedutora como um gato. Encantadora como uma borboleta.

Vai passando, sempre discreta – e sempre notada – por entre as ruas movimentadas de Londres. Não há fumo ou nevoeiro. A foggy London para os comuns é a amazing London para ela. A porta que leva à luz. Às outras ruas. Ao outro mundo. Atravessa a chuva ou o calor, ou o sol ou o vento ou o nevoeiro.

A mosca é glamourosa, é atrevida. É única e tão multiplicada. Imitada, nunca imitadora. De Westminster à London Bridge, de Cambridge à Cornualha, das telas de cinema às salas de teatro, ela voa, livre, poderosa, ambiciosa.

 

A mosca voa assim, em altos voos, sem medo de que as temperaturas da estratosfera lhe congelem as asas. Afinal, é mosca de deserto e de pólos. E é portuguesa, pois então. E isso diz muita coisa. Mais que não seja que deveríamos ter orgulho em ter uma mosca como ela. Mesmo que seja em inglês.

 

Entrada Na Nossa Agenda com base na notícia:

Must Have

A portuguesíssima Fly London é n. º 1 no Reino Unido

Fonte: OJE

http://www.oje.pt/noticia.aspx?channelid=F4714A99-63D1-44A2-A04A-731BDCDADA0A&contentid=47EC7E1C-1723-4986-B8DF-4AF9AF0E2EDA

 

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Enquanto se revirava, procurando o sol, como estava na sua natureza (aliás, na sua genética, no cerne da sua existência, visto ter sido para isso que fora criado), pensou em como cada vez lhe custava mais este ritual.  Há muito -se é que alguma vez acontecera – que não sentia tanto calor, que não lhe era doloroso fazer aquilo que tinha que ser feito.

Olhou à sua volta. Todos os seus companheiros padeciam do mesmo mal: calor! Perguntou para um deles se se lembrava de um Verão como aquele. Verão?Mas ainda não é Verão! Náá…cá para mim os Homens voltaram a fazer das suas. Lá de cima, brilhando com todas as forças, as faces coradas da temperatura, retorquiu o Sol: Amigos, tenho pena, mas tudo tende a piorar.

Quando ouviu este estranho diálogo, levantou os olhos do livro, a testa brilhante da água que não parava de correr. As costas, apoiadas no tronco rugoso e à sombra das folhas agora queimadas ofereciam uma sombra muito pouco fresca. Olhou à  volta e tudo o que viu foram ondas de calor. A seara, dourada, confundia-se com a luz do sol.  As pétalas dos girassóis, murchas, tentavam não sucumbir às altas temperaturas. Tirou o lenço do bolso e passou-o pela cara.  Em casa as crianças dormiam, na frescura de quartos totalmente revestidos a azulejo, que quase os matavam de frio no Inverno, mas os faziam sobreviver àquele descalabro ambiental. Em pleno mês de Março.  Lá dentro a mulher tomava o 3.º banho do dia e tentava não desmaiar. O carro, na garagem, nem sequer podia ser utilizado durante o dia, sob risco de queimar. Nem um cigarro se atrevia a fumar, não fosse o sol acendê-lo por vontade própria, entre os seus dedos.

Na cidade, a uns 40km de distância, tudo era pior. .Mais abafado. Mais quente. Mais poluído. Mais estupidamente destruidor.

Até quando isto vai durar?, pensou!

Lá de cima, novamente o Sol, afogueado:  Pelo menos mais mil anos. Pelo menos…graças a vocês!

Entrada na Nossa Agenda sobre a notícia:

Aquecimento global é “irreversível”

http://dn.sapo.pt/2009/01/28/ciencia/aquecimento_global_e_irreversivel.html 

Fonte: DN online

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Pequenino

Quando nasci e olhei à minha volta, vi tudo tão nítido que me assustei. Não é normal que um bebé acabadinho de nascer consiga olhar nos olhos da própria mãe e decorar nesse primeiro instante o sinal que tem por cima do lábio e saber que ela não tem rugas nos cantinhos dos olhos. O normal, isso sim, sei-o agora, é que o recém-nascido retenha o seu cheiro e a reconheça por isso. Só que comigo foi logo diferente. Depois dos primeiros exames médicos, os meus pais foram alertados para o facto de eu não ser um recém-nascido normal, na medida em que a nível cerebral, contava com um grau de desenvolvimento muito acima daquilo que era considerado vulgar.

Alertados – nós três – para um crescimento intelectual mais rápido e com muito menos obstáculos, voltei para casa dos meus pais com pouco menos de uma semana de vida e já com a cabeça fixa, sem precisar de ser apoiada quando me pegavam e me deitavam no berço. Passado um par de semanas, tinha já os quatro incisivos na boca, bem crescidos, e uma grande cabeleira escura e encaracolada. Comecei a conseguir percorrer toda a casa de gatas aos quatro meses, a correr pelo jardim aos seis, e com oito já lia perfeitamente, sem ajudas. Verdi, Beethoven, Bach – pautas e mais pautas de composições – tocava-as em piano menos de quatro semanas depois de ter começado a ter aulas, com o melhor pianista do país. Daí a escrever grandes textos foi um passo, e aos seis anos escrevi uma dissertação que foi tema de uma tese de mestrado de uma das referências em Pedopsicologia, em Londres.

Só que ao mesmo tempo que via tão grande desenvolvimento, houve sempre uma parte de mim que, apesar das grandes facilidades, sentia um tom de desafio em cada passo dado. É comum querer-se mais, mesmo que se trate da vida de um rapaz com seis anos acabados de fazer. Só que no meu caso, enquanto os rapazes ditos ‘normais’ entram para a escola primária e aprendem a ler e a escrever, eu era um todo de entusiasmo com processos químicos, tratamentos médicos e programação informática. Nos tempos livres, ouvia música comum, estava com amigos comuns, ia ao cinema com os colegas da escola, ajudava-os nos estudos e nos trabalhos. Vida normal? Sempre a tive. Cada um tem os seus desafios, aquilo que mais gosta, as coisas que odeia. Eu gosto de ler, adoro escrever, e sou apaixonado por Química. Agora, com 8 anos, levo uma vida normal. Estudo, leio, vou ao cinema. Tudo o que é vulgar na minha idade. Há um pormenor que  impressiona os outros, o que, para ser sincero, às vezes me chateia: sou sempre o mais baixo da minha turma. 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da seguinte notícia, publicada na edição online do Jornal de Notícias:

Tem 8 anos e anda na universidade

O inglês Ainan Cawley é considerado o menino mais inteligente do mundo. Tem oito anos e estuda química numa universidade, um ano depois de ter passado no exame de acesso.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1121875

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Enquanto fumava mais um cigarro sem filtro, observava a rua. Que o vira nascer, crescer, transformar-se, orgulhosamente, naquilo que é hoje: um homem de trabalho, de luta, de convicções.

Estava sentado no alpendre da velha casa. Aquela onde os avós tinham morrido, um depois do outro. De velhice. O alpendre das fotografias do casamento dos pais. O alpendre onde aprendera a declamar poesia, a tocar guitarra e, muitos anos antes, onde deu os primeiros passos e as primeiras quedas. A rua estava iluminada por uma luz amarelada, num dia quente e colorido pelas folhas alaranjadas das árvores outonais. Do outro lado do passeio, conseguia ver a luz acesa da mesa do relojoeiro que vivia e trabalhava mesmo em frente. A cadeira de verga, de baloiço, chiava ao balançar.

Ao lado, numa pequena mesa de apoio, repousava a arma de que nunca se separava. Ah, doce país o seu, em que os valores ainda eram mais fortes que qualquer ideologia ocidentalizada que agora tentavam colocar na cabeça de toda a gente.

Era cedo. Umas 10 horas da manhã, talvez. Perdera, com o tempo, a capacidade de ver as horas pela posição do sol. Hoje, por uma questão de cortesia, permitiriam mais armas ali dentro. Mas só aquelas. O seu poder era demasiado elevado para que alguém, sequer, ousasse pensar em combater com eles.
Aliás, o lema do bairro estava numa placa suja bem ao seu lado: Bem-vindos à La Piedrita em paz. Se vens em guerra, vamos combater-te. Pátria ou morte!” .

Da primeira vez que se falou no aviso, não concordou de imediato. A educação que lhe fora ministrada não apelava à violência, mas o amor à Pátria e aos valores do país sobrepuseram-se ao longo do tempo e convenceram-no de que, se quisesse preservar as tradições, teria de lutar pela sua conservação diariamente. Como no amor, que só sobrevive se for regado todos os dias.

Por aquele ideal regera toda a sua vida. Obedecia cega e obstinadamente ao seu comandante, que sabia ser a melhor pessoa para um país como o seu. Os cidadãos não precisavam de pensar. Ele cuidava de todos, da melhor forma possível. Que raio de ideia a dos norte-americanos e dos europeus chamarem àquilo em que viviam uma democracia. Ele sempre desconfiara de que eles não eram muito inteligentes…

 

*Matar e morrer por ele

 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Matar y morir por Hugo Chávez

Grupos parapoliciales venezolanos están dispuestos a defender la revolución por la vía de las armas

MAYE PRIMERA – Caracas – 26/01/2009

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Matar/morir/Hugo/Chavez/elpepuint/20090126elpepuint_1/Tes

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Taxi driver

Gosto de conduzir. Sempre gostei. Quando tirei a carta, com os 18 anos fresquinhos, já conduzia há pelo menos 4. Era o meu pai que ia comigo, muitas vezes, para o descampado onde em 98 construíram o Parque das Nações. Todos os domingos – o único dia que ele tinha livre de trabalho e de preocupações – íamos juntos dar ‘uma volta’. Parávamos logo depois da rotunda do aeroporto, ele encostava à direita e trocávamos de banco. Eu não tinha mais de 14 anos. Tenho a certeza.

Nunca gostei muito de estudar. O meu pai dizia que nem toda a gente tinha de ser ‘doutor’ e que nem achava mal que começasse a trabalhar. Eu gostava de conversar, tinha boa conversa. O meu pai sabia muita coisa e eu gostava de acompanhá-lo nos serviços mais longos, porque era nessas viagens que ouvíamos mais rádio e tínhamos tempo para divagar acerca dos assuntos da actualidade do país e do mundo. Sempre gostei muito de ler. Exigia-lhe que me comprasse os jornais diários, e devorava-os também, na viagem de autocarro casa-escola-casa. Já na altura em que os meus colegas se deliciavam com histórias aos quadradinhos, eu devorava enciclopédias. Sabia toda a História de Portugal, o nome e o cognome dos reis das quatro dinastias, as datas de início e fim das Grandes Guerras, a história da queda do muro de Berlim e as causas do crash na bolsa de Nova Iorque. Havia dias em que o meu pai, eu e um cliente mais afoito à conversa, prolongávamos o tempo entre o pagamento e a factura para trocar mais ideias sobre a Guerra do Golfo, ou debatíamos as questões que levaram ao bombardeamento de Pearl Harbour.

E quando foi altura de decidir o meu futuro, mal completei 18 anos, decidi tirar a carta e ser taxista. Conversa e condução sempre foram a minha paixão. E trabalhar durante a noite nunca foi problema para mim. Trabalho deve ser feito com paixão. Deve ser uma vida triste ter de fazer todos os dias aquilo que não se gosta. E eu sempre gostei do barulho do motor a trabalhar.

Taxistas sujeitos a «casting» nos aeroportos

Ideia vai ser apresentada ao Governo, depois de discutida com intervenientes do sector

Fonte: Agência Financeira

http://www.agenciafinanceira.iol.pt/noticia.php?id=1035819&div_id=1730

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Aproximou-se a medo do átrio do hotel, rumo ao desconhecido. Não conhecia ninguém por ali. Há anos que não passava naquela zona da cidade. Conhecia os arredores da capital de cor, dos passeios no jardim. Sabia como as cores das folhas mudavam com a passagem das estações. E recordava-se de como a cor da cidade, ao longe, tinha mudado, desde que as fábricas se haviam instalado no subúrbio.

Ali, mesmo à entrada, havia alguns homens vestidos de igual. Pensava como as coisas tinham mudado. Estavam de fato escuro, distinto, mas os casacos tinham os botões cor de sol, e na cabeça usavam chapéus que levantavam ao abrirem as portas dos carros que iam chegando. Estava um grande burburinho por ali. Notou que havia muitos fotógrafos à entrada, microfones e gravadores preparados para registar o momento e algumas máquinas de filmar. Quis beliscar-se para sentir que não estava a sonhar, mas foi interrompida por um toque no ombro. Ainda bem que veio!

Estremeceu ao ouvir a frase. Há anos, décadas que ninguém lhe dizia algo, sequer, parecido. Virou-se e viu um homem de fato escuro e cabelo grisalho, elegante, sem dúvida, com ar de pessoa de negócios. Obrigada, conseguiu murmurar. Por favor, acompanhe-me.

Quando transpuseram a porta do hotel houve como que uma tempestade. Parecia que a cidade se tinha transformado em luz e sons desconexos em várias vozes. Rapidamente percebeu que eram os sucessivos flashes e os repórteres em directo em frente às respectivas câmeras. Tapete vermelho e um lustre reluzente por cima do balcão da recepção.

Quarto 415, minha senhora. Boa estada! Mais uma vez estranhou o tratamento, mas a presença masculina a seu lado deu-lhe coragem para manter o ar imperturbável – ainda que deliciado. Queria descalçar os sapatos cansados para não macular o chão. Queria rir e chorar e rezar agradecendo aquele momento. Quando entrou no quarto, sozinha, olhou pela janela e viu o palanque vazio.

Apressadamente aprendeu a mexer no chuveiro, deliciou-se com o sabonete, a espuma, a limpeza. Enquanto se enrolava no fofo roupão branco reparou na garrafa de champanhe. Abriu-a e colocou um pouco na flute debruada a dourado.

Sentou-se em frente à janela.

 

Estava ali a maior graça de todas. A esperança da Nação. O homem que já conseguira que ela, residente no banco número 3 da praça central, tivesse a noite de rainha com que sonhara durante anos…

 

Asombroso cuento de hadas en Washington: un hombre invita a 300 indigentes a vivir el 20-E con todos los lujos

Inspirado por el mensaje de esperanza de Obama, un estadounidense decide invitar a más de 300 personas sin hogar a vivir en directo la investidura y la ceremonia del baile del presidente

Fonte: hola.es

http://www.hola.com/actualidad/200901226990/cuento/hadas/washington/1/

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