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Archive for Novembro, 2008

Lágrima mecânica

2088. Mundo sem água. Corpo sem alimento, Terra sem vida. Os corpos tantos anos mecanizados tiveram de adaptar-se às circunstâncias. E quase sem se aperceberem, todas as pessoas do mundo se transformaram em máquinas. Corpo duro, carapaça de aço e ferro onde nada penetra. As juntas vedadas não deixam nem passar o ar, com medo da ‘oxidação’. Os movimentos há muito ritmados, passaram a ser robóticos, ao som do compasso das buzinas. Os campos verdejantes perderam a cor, já não se lhes conhece sequer a frescura de outros tempos. Nem a leveza da agitação ao sabor do vento. O mar, outrora com água clara e transparente, deu lugar a um aglomerado de um líquido viscoso e escuro onde nem o mais resistente animal marinho conseguiria sobreviver. E a terra, tantas vezes povoada por culturas, foi comida pelas areias infecundas das praias e pelo desfazer das rochas.

E no entanto, há ainda memórias de quando o sol nascia e iluminava a terra castanha, de olhares para o horizonte à hora do pôr-do-sol. De viagens pelo mundo tão diferente, das montanhas e serras, das praias e do mar, mundo da neve, mundo do sol, mundo das chuvas e das não-chuvas. Uma bola feita de terra e água, mas de uma fecundidade e diversidade impressionantes. 

Tudo é agora artificial, mecânico, compassado, calculado, (in)afectuoso. Calcula-se prós e contras, viabilidade, sucesso. Equacionam-se razões, benefícios, contrapartidas. Sabem-se resultados mesmo antes de se empreenderem acções. Esqueceram-se os sorrisos, os abraços – que o corpo de aço não permite grandes flexibilidades – e os sentimentos. O coração foi-se também adaptando à constante condição de ser ingnorado e começou, primeiro a ficar duro como pedra, depois a ficar brilhante como vidro, e finalmente, a ficar impenetrável como ferro. No entanto, continuou a bater, agora sem necessidade de alimento nem possibilidade de paragem. Era máquina, como todo o resto.

E o que, há algumas décadas os estudiosos chamavam inteligência artificial, quando se referiam a robôs quase humanos, passou a chamar-se sensibilidade natural para os humanos que passaram a ser robôs. Porque a inteligência humana que criou ‘latas andantes quase sensíveis’ deixou-se impressionar de tal maneira que passou querer ser como elas. E conseguiu. 

Entrada na nossa agenda com base na edição de Dezembro da revista Courrier internacionalRobôs quase humanos -, uma das minhas eleitas para este fim-de-semana prolongado.

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Amanhã, Sábado, comece o dia pela fresquinha, na margem do Tejo, ainda o sol a entrar no horizonte. O vento frio refresca a face, aconchegada entre o cachecol e a gola alta do casaco.

Agasalhe-se bem, não vá constipar-se. Está previsto frio para os próximos dias. E no entanto, Lisboa vibra com possibilidades. Depois do passeio pelas margens do Tejo, siga pelo Cais do Sodré até à rua das Flores. Suba até ao Largo Camões e delicie-se com a vista sobre o rio. Passeie pelo Chiado e pare pela primeira vez, com um brunch no Hotel do Chiado, onde tem vista privilegiada sobre a cidade.

Siga pela rua Augusta, apanhe o metro no Terreiro do Paço. É melhor que regressar por aqui, logo à tarde, quando voltar. O cenário é propício ao encantamento, com flashes de luz branca que contrastam com as faixas azuis iluminadas. Metro até Santa Apolónia, siga rumo a Alfama. Paragem número 2: Feira da Ladra Alternativa, no Centro Cultural Dr. Magalhães de Lima (29 e 30, das 10h às 21h). O encontro de criativos portugueses realiza-se pela 16ª vez e pode encontrar todo o tipo de artigos, desde joalharia, passando pela pintura, roupa, fotografia, entre outros que, para além da criatividade, aliam preocupações de reutilização e reciclagem de materiais. Siga calmamente pelas ruas sinuosas da parte velha da cidade. Do miradouro, os telhados parecem-lhe uma enorme escadaria de tons terra, qual quadro pintado a óleo, cheio de relevos, ou manta de retalhos.

Observe o Tejo, já o sol vai alto. Coma uma sandes num dos muitos tascos pitorescos da zona e apresse-se a caminhar pela calçada. São quase 14h30 e não quer perder o passeio “De Alfama à Mouraria” (Eu amo Lisboa. Info: 919 299 211), que permite captar em diversos locais as diferentes marcas deixadas pelos muçulmanos na capital, apesar das perdas que o tempo motivou.

Da Mouraria, é hora de voltar a descer porque o rio Tejo é imperdível, especialmente ao pôr-do-sol. E como o Parque das Nações não é só o Vasco da Gama cheio de gente e correrias à volta das prendas de Natal, vá até à República das Cervejas, e peça a cerveja que preferir para lhe fazer companhia enquanto vê o pôr-do-sol. Depois, e porque está e pode continuar cheio de Portugal, suba as escadas e escolha uma das deliciosas pizzas da Capricciosa, uma das mais italianissima pizzarias italianas em Portugal. Com calma. Prove as entradas, escolha a pizza e não saia de lá sem uma sobremesa que lhe dê energia para o resto da noite.

Desça as escadas e vire ali para o lado do Pavilhão Atlântico, onde o fado espera por si. Melhor. Carlos do Carmo espera por si para lhe mostrar o que foram os seus 45 anos de carreira como fadista, e para acabar o seu dia de Sábado em beleza.

Durma. Descanse bem nessa noite, porque no Domingo há mais coisas para fazer e saber em Lisboa. Acorde tarde. Por volta das 10h, que é o suficiente para recuperar do dia anterior.Volte ao rio. De cachecol, luvas, casaco quente e guarda-chuva. O Instituto de Meteorologia aponta 8ºC para esse dia. Ah, e botas. Quentinhas!Vá de metro para evitar os condutores de Sábado e as preocupações com estacionamentos. Saia na estação de Santa Apolónia (linha azul) e vá até ao Casanova, ali mesmo ao lado do Lux. Desta vez experimente um brunch noutro italiano, que é para lhes não perder o gosto. Leve os jornais e revistas do dia, da semana, do mês, e ponha a leitura em dia enquanto descansa nas mesas corridas ao estilo de cantina e pode olhar para o rio, lá fora, sabendo-se perto da bela e antiga Lisboa.

Quando se fartar – ou acabar de ler – volte a apanhar o metro ou o 759 da Carris e vá até ao Terreiro do Paço (estação Baixa-Chiado e uns metros a pé, no caso de escolher o metropolitano). Massagem de relaxamento, vídeos, dança, música ou teatro. Uma infindável panóplia de ofertas que não pode deixar escapar..até porque são totalmente gratuitas! Almoce qualquer coisa levezinha pelas tascas da Baixa – qualquer coisa vale – e depois ponha pernas ao caminho que andar é bom para aquecer. Volte ao Chiado e dê uma volta pela FNAC. Mas fique a um canto, sossegadinho, a ler uns livros novos e a ver as promoções que pode aproveitar para as prendas de Natal. Depois sugerimos que vá para casa, precisamente quando toda a gente se lembra de que é Domingo e de que na segunda ninguém precisa de trabalhar. Sente-se com um copo de vinho e uma tábua de queijos em frente à lareira (ou ao aquecedor) e descanse. Preferencialmente com um disco de Chopin na aparelhagem ou outra qualquer música que o faça relaxar.

 

Na segunda-feira¸ feriado, como continuar a conhecer Lisboa? Comece com a manhã em casa, para desenjoar dos dois dias anteriores. Até porque é feriado e os restaurantes vão estar cheiinhos de gente barulhenta e eufórica.Depois de um almoço descansado, o melhor é passar um resto de feriado solidário! Se for de metro até ao Cais do Sodré pode apanhar os autocarros 14 ou 15 e seguir até ao Centro de Congressos de Lisboa (antiga FIL) para um saltinho até à Feira de Solidariedade Novo Futuro. A Associação Novo Futuro dedica-se às crianças, adolescentes e jovens em risco, e propõe que faça as suas compras de Natal ao mesmo tempo que ajuda quem mais precisa! São presentes que não têm preço e que tornam o Natal numa festa muito mais bonita. Até pode jantar por lá e assim passa uma tarde completamente solidária, sem se render ao consumismo da época!

 A partir daí, é voltar a casa e voltar ao trabalho…Mas não fique triste. Lisboa é sempre um local encantador, mesmo quando não podemos deambular pelas suas ruas.

 

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A envolvência do tempo

 

A chuva batia com mais força no telhado. Ali, no morro, era muito mais audível o som da água a espancar sem dó o telhado da casa, a cair em bátegas pesadas na rua, já inundada pelos dias de chuva consecutivos. Quando olhou pela janela, viu a noite cerrada, ouviu o murmúrio do vento forte e aconchegou nos braços a mulher que dormia a seu lado. Depois pensou que seria melhor levantar-se e colocar junto de si o seu bem mais precioso. Quando olhou para o berço, sentiu a alegria imensa de ter ouvido a palavra “pai”, pela primeira vez, nesse dia. Pegou naquela pequena trouxa de mantas aconchegadas e levou-a para a cama. Agora sim, podia dormir descansado.Tinha a seu lado, para toda a vida, os seus dois grandes amores. Deu-lhes do seu calor, do seu colo. Deu-lhes o amor incondicional por entre os uivos de um vento que agora já os envolvia e enchia os ouvidos de tal forma que mais nada existia à sua volta!

E num súbito capricho do tempo e de quem nele manda, as duas mulheres da sua vida escaparam-se-lhe dos braços e fugiram da vida. Assim. Sem aviso. Sem hipótese de retaliação ou defesa. Assim. Como uma folha de outono levada por uma rabanada de vento. Ou uma cana de bambu levada pela corrente de um rio feroz e cujos gritos não conseguem, sequer, chegar à margem mais próxima. Exacto. Elas foram como canas de bambu arrastadas pelas águas…para sempre. E deixaram-no sozinho.

 

Entrada na minha agenda sobre a notícia:

“Schwamach conta como a chuva destruiu sua família; mulher e filha de 11 meses morreram”

25 de Novembro 2008

Fonte: Estadão

 “O Rui Itajaí-Açu chegou a 11,60 metros à meia-noite. O problema mais grave, contudo, foram as centena de graves deslizamentos que ocorreram nas últimas 72 horas, afirmou o prefeito, João Paulo Kleinübing.”

 

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STAR(BUCKS)

 

Há mais uma razão para passear por Lisboa, concretamente pela zona de Belém. A cadeia norte-americana Starbucks abriu hoje a segunda loja em Portugal e decidiu instalar-se bem pertinho do Mosteiro dos Jerónimos, dando aos turistas – porque os lisboetas querem cada vez mais fugir da confusão – uma grande oportunidade para experimentar produtos típicos de dois países diferentes, de uma só vez. A nova localização – a primeira loja do grupo internacional foi inaugurada no Centro Comercial Allegro, em Alfragide – privilegia os passeios junto ao Tejo e torna-se mais um pretexto para visitar uma das zonas da cidade com maior oferta cultural por metro quadrado. Senão vejamos: uma passagem rápida por um dos mais ‘famosos’ cafés do mundo – e ao mais genuíno estilo nova-iorquino do ‘take away’ – permite, enquanto se bebe um delicioso Cappuccino ou um Café Moccattio, caminhar pelo jardim de Belém, aproveitar a exposição patente no CCB, relembrar as visitas da escola primária ao Planetário e revisitar o Mosteiro dos Jerónimos com os seus claustros encantadores. A visita pode terminar – ao mesmo tempo que se saboreia um muffin de chocolate ou um pastel de Belém – com um olhar sobre o Tejo, enquanto se caminha entre o Padrão dos Descobrimentos e a Torre de Belém.

O estilo manuelino da zona, antes ‘polvilhado’ de canela e açúcar com cheirinho a pastéis quentes, tem assim uma nova companhia. Mesmo a tempo de se juntar às músicas de Natal e ao ar gélido da beira-rio – Lisboa está em alerta laranja pelas temperaturas baixas – aparece o famoso copinho de papel, que não é bem castanho, mas também não é beige. Tem mais a cor do papel de cartão, que tantas vezes é o abrigo dos “moradores” menos afortunados daquele lado da cidade.

O copinho de papel, portanto, com STARBUCKS bem grande para toda a gente saber o que está a beber (que o que não faltam são lojas em Lisboa a vender cafés e afins em copinhos de papel), com a tampa de plástico para a dita bebida não arrefecer. Uma verdadeira ode às boas práticas ambientais.

Mas quem é que se lembra disso quando pode passear em Belém, com o clima de fim de tarde, um pastel de Belém numa mão e um copinho do Starbucks na outra?

No fundo, o Starbucks é como o McDonalds. Vai passar a estar em todo o lado para satisfazer os nossos desejos mais urgentes!

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Uma máquina chamada coração

Olhei a fotografia. Morena, vestida de azul. Um azul-hospital. Daqueles azuis que, quando visitamos um hospital, não se esquecem.

Caminhava compassada, sem medos, ainda que apoiada. Por outras. Outros corpos. Com pernas mais fortes. Braços mais fortes. Ainda assim, há alguns meses que o coração deixara de bater. Mas ela caminhava. O passo certo, apoiava-o também nos pés, ora frágeis, ora fortes. Ora frios, ora quentes. Ora rápidos, ora lentos. Conforme a velocidade da engrenagem.

Era, na verdade, de uma engrenagem que se tratava. Como todos os corpos, em que o ‘músculo-mor’ consegue fazer andar tudo à sua volta. A ela, acerca da vida não restavam dúvidas: queria vivê-la sem hesitações. Mesmo que tivesse por momentos de apoiar os braços nas enfermeiras. E caminhar vagarosamente, a uma velocidade a que nem o mais lento dos animais conseguiria. ‘As pessoas são diferentes. As velocidades são também’, pensava, sem se questionar. Os tempos em que perdia momentos a questionar o porquê das coisas tinha já passado.

Agora era o corpo. Ele mesmo. À espera. Os músculos respondiam ao chamamento cerebral. O pensamento corria rápido, tantas vezes mais veloz que a própria fala. Mas o sorriso, mantinha-o inalterável. E o sangue? Esse continuava a ser bombeado. Pum-pum. Pum-pum. Qual bomba que não se cansa. Pum-pum. Pum-pum. As pessoas chamam-lhe coração. No caso dela, houve dias em que o corpo era apenas uma máquina. Total. Viva. Mas bombeada por um coração artificial. Alimentada única e exclusivamente por ele. E pela alma cheia que a ansiedade – de ter um só para si, todo, só seu – alimentava.

Na minha agenda, esta estória. Com base na seguinte notícia:

Mundo: Adolescente viveu quatro meses sem coração

21.11.2008

Fonte: Reuters

Depois de um primeiro transplante falhado, uma adolescente norte-americana de 14 anos teve de esperar quatro meses por uma nova cirurgia.

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Relatividades

 

Ele foi passando por entre as prateleiras cheias de roupa e demais equipamento desportivo. Tudo com cheiro a novidade, tudo a pedir aventura. As botas chamavam pelas montanhas ainda frias do orvalho da manhã. As calças pavoneavam os seus bolsos-multi-funções-para-tudo-e-mais-alguma-coisa e apontavam para os canivetes suíços e as redes mosquiteiras-para-todas-as-ocasiões.

Depois passeou, vagarosamente, no corredor dos polares. Vermelho, verde, branco, preto. As cores desfilavam pelos olhos enquanto de cabeça ia fazendo contas ao que seria oportuno gastar nesse momento.

Mais um pensamento rápido em relação ao saldo da conta bancária e a decisão de contenção de custos.

“Arrrrgggh, como odeio ser pobre!”

 

Entrou novamente nas coloridas e agitadas ruas da cidade, onde o cheiro a castanhas se foi misturando com as músicas de Natal. Pela janela aberta do carro entravam as cores e as fragrâncias de Novembro. Parou num sinal vermelho, mesmo entre a Av. de Roma e a Frei Miguel Contreiras.

Automaticamente virou a cabeça para o lado direito e olhou para um monte disforme depositado na beira da estrada.

Um olhar mais atento e percebeu que era uma caixa de cartão. Ou a casa do sem-abrigo que lá dentro se encolhia tentando fugir ao frio e à crueldade da noite lisboeta.

 

Nesse momento sorriu e os olhos disseram o resto…Ainda bem que lá deixara as calças, as camisolas, os canivetes, os relógios! Que eles fossem todas as suas tristezas.

 

 

 

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Filmes e filmes…e filmes.

O que é que o Into the Wild, o 007 – Quantum of Solace e o Body of Lies têm em comum? Nada, diria o comum dos mortais.

Um fim-de-semana!, diz quem os viu, assim, em três dias seguidinhos e por esta mesma ordem.

 

Into the Wild  não tem muita novidade – o filme é de 2007, dirigido por Sean Penn e com texto original de John Krakauer. A história – verídica – é a de um rapaz americano de classe média alta, Chris McCandless, que decide transformar-se em Alexander Supertramp e renunciar a tudo aquilo que os pais amam: o dinheiro, os carros, a imagem, a sociedade.

O seu objectivo é chegar ao Alasca e provar – não tanto aos outros quanto a si próprio – que é possível viver longe da civilização com toda a felicidade do mundo. Chris, perdão, Alexander, chega ao Alasca. Vive lá durante umas semanas. E morre. Curiosa e estupidamente de fome.

Mas o que esta história tem de fascinante é o facto de John Krakauer ter pegado nela e ter feito da sua narrativa um best-seller enquanto Sean Penn a transformou num sucesso de bilheteiras. Durante anos, Krakauer, jornalista da Outsider, pesquisou tudo sobre a viagem de McCandless. Fez o mesmo percurso que ele, falou com as mesmas pessoas que ele, chegou aos mesmos lugares. Penn olhou de uma forma muito realista para o rapaz que se fotografou encostado ao autocarro que lhe serviu de casa durante cerca de quatro meses e dentro do qual acabou por morrer.

Um filme que se destaca pelo argumento – infelizmente real – pela magnífica banda sonora e pela fotografia. Razões suficientes para se passar três horas sem descolar do ecrã J

 

Daniel Craig volta como 007 e volta a não desiludir. Ah, sim, já lá vai o tempo em que o Bond só era giro se fosse moreno assim à laia de Pierce Brosnan. Um filme de acção que tira o fôlego nos primeiros dez minutos e que dificilmente deixa o espectador tomar um “deep breath” antes de recomeçar em velocidade alucinante.

Pois está claro que não tem muitas surpresas: morre quem é suposto morrer. Vive quem é suposto nunca ter fim. Aplausos para Judi Dench, como sempre assertiva e imprescindível. E para Craig. E para o realizador. Quantum of Solace tem das melhores cenas de acção do cinema. E daquelas difíceis de conseguir.

 

Body of Lies é o novo filme de Ridley Scott com Leonardo DiCaprio e Russell Crowe.

O cenário é a “situação” no Iraque e posteriores actividades da CIA, da Jihad ou da Al-Qaeda (mistura-se tudo num só filme que é para não ferir susceptibilidades)

E é sobre um agente da CIA (DiCaprio) que ora está na Turquia, ora está na Jordânia, ora vai aos EUA, ora está outra vez na Jordânia, agora a ser torturado, ora está somente a mostrar os seus dotes como “falante” de árabe.

DiCaprio já não é mais o Jack Dawson do velhinho Titanic. Depois de The Departed (Martin Scorcese), manteve-se acima da fasquia. E fica-lhe bem. Tal como a barba. E a expressão dos olhos. Ao longo dos anos, melhorou significativa e positivamente a expressividade do olhar.

Crowe está como se poderia esperar dele: muito bem! Especialmente quando manda o olhar azul por cima das lentes dos óculos de meia-lua, no papel de cínico e cruel director da CIA.

Mas um aplauso maior para Mark Strong, no papel do elegante, frio e infalível chefe da polícia secreta jordana. O papel é secundário mas a prestação é de protagonista.

 

Que saudades de ter o cinema em agenda!

 

 

 

 

 

 

 

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