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Posts Tagged ‘amor’

Esquece as fórmulas mágicas. Um livro, uma aula, um conselho, só servem se forem postos em prática. E os planos, como sabes, concretizam-se na medida em que levantas o rabo da cadeira. Por isso, põe mãos à obra e tenta. Mesmo que não seja o que imaginaste, a realidade vai superar sempre a teoria.

Sê atento. Se o verbo estar é temporário, o ser é permanente. Ser implica estar sempre. Olhos bem abertos mesmo que o sorriso falhe. Mantém a sensibilidade de um recém-nascido, à flor da pele, do fundo das órbitas até à ponta das pestanas. Está atento aos movimentos, não descanses. Tem a noção de que, só assim, poderás encontrá-lo.

Partilha. O copo da escova de dentes, a rodela de chourico que guardas para comer depois das favas, o filme que comecaram a ver mas que, entretanto, algum dos dois deixou por ter adormecido, a manta que, dividida, só cobre os pés. Divide o melhor de ti e aquilo que mais gostas porque isso, como um milagre, em vez de perder-se vai multiplicar-se.

Não te distraias. Mantém o foco, concentra-te no essencial, não te percas em devaneios. Vais perceber que o amor não acontece quando menos esperas mas quando não perdes a oportunidade de o agarrar.

Descomplica. A simplicidade da frase choca com a dificuldade em pô-la em prática mas é possível. Torna-a real.

Volta ao início. E faz-te ao caminho. O amor é como ele. Faz-se a caminhar.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do dia dos namorados.

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viva os noivos!

Não sei o que te hei-de escrever. Penso, penso, apago, reescrevo. Por mais que tenha pensado e estudado uma maneira de dizer isto, nada fica bem, nada rima, nada é realmente a expressão daquilo que eu sinto hoje, agora, neste dia tão especial. Quero que sejas muito feliz, ouviste? Que os dias passem ser dares por eles, que as saudades um do outro sejam insuportáveis quando estão separados, que queiram dar beijos na boca um ao outro todos os dias – e todas as noites -, que nunca adormeçam zangados um com o outro. Que se aborreçam quando a exigência do outro baixa, que refilem quando sentem que o outro devia esforçar-se mais, refilar mais, exigir mais. Que queiram sempre a presença um do outro, que sejam os melhores amigos como só os apaixonados sabem ser, que se admirem, que se respeitem, que dêem as mãos sem pensar e que o conforto de fim do dia seja no abraço dos braços um do outro. Que, no fim de contas, todos os caminhos teus, minha Meg, vão dar ao João. E que, por mais voltas que o João dê, toda a procura de conforto, de compreensão e de amor vão dar às tuas mãos de unhas impecáveis, à tua gargalhada nem sempre fácil, ao teu refilar tantas vezes exagerado, ao teu “oh céus” de drama queen. Que confiem, que sejam sempre o porto seguro um do outro. Que o tempo para estarem juntos saiba sempre a pouco, naquela eterna insatisfação dos apaixonados que têm sempre o que dizer mesmo que passem horas a tagarelar em silêncio. Que os teus olhos nunca deixem de brilhar ao falar nele. E que os dele também se iluminem sempre, a cada vez que alguém fala de ti ou sempre que o telefone toca e és tu. E, sobretudo, que sejam um para o outro. Se essa é já a nossa certeza, façam-nos o favor de fazer dela também a vossa. Para sempre.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do casamento da Meg e do João. Hoje é isto

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Lisboa, Lisboa.

Lisboa cheira a flores e amores. Cheira a ausências esquecidas e a chegadas ansiadas. Lisboa veste-se daquela luz de Verão que nenhuma cidade no mundo tem. Nem a cidade do Amor, nem a cidade que nunca dorme, nem a cidade dos canais ou a cidade abarcada pelo Cristo Redentor.

Calcorreiam-se espaços, de mãos dadas ou sorrisos abertos, como se o calor não incomodasse. Contam-se histórias, partilham-se vidas, há beijos nas esquinas abençoadas por Santo António.  Ocupam-se cadeiras com vista para o rio enquanto o sol mostra o seu fulgor numa luta desmedida com o vento que teima em não chegar para acalmar as temperaturas. Lisboa cheira a terra prometida. Sobe, desce, curva, estreita-se, alarga-se, mostra-se ladina, de chinela no pé.

Lisboa cheira a sonhos por realizar e a disparates por dizer. Cheira a sucesso. A mar. A amor. A cores.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da chegada do Verão à cidade das sete colinas.

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Não é um papel que define as coisas. Mas o teu nome está para o meu desde que eu nasci. Fui buscar-te o primeiro apelido, coladinho ao meu. Ofereceste-mo de graça, porque quiseste que, oficialmente, fosse já uma parte de ti, uma continuação tua. Mas ainda antes disso, já te reconhecia a voz. Durante meses falaste comigo, tocaste-me através de uma camada fina de pele que parecia não existir, de tão alta que sentia a tua voz, de tão forte que sabia a ligação. Nem quando tossias e eu tremia, o barulho me assustava. Porque eu sentia-me protegido sob a tua responsabilidade. Não sei porque me escolheste a mim, o que motivou esta escolha, como soubeste que era eu, que tinha que se eu e não outro qualquer. Mas – apesar do desconhecimento – pareces certa da tua escolha, não hesitas um instante que seja, manténs a pose mesmo quando duvidas de uma ou outra atitude, mesmo quando choras depois de me ralhares porque não me porto bem. Eu, de ti, não tenho a dizer mais do que o bem que me fazes, do bom que é um abraço teu, do doce a que me sabe um beijo vindo daí ou do agradável que é sentir o teu cheiro na minha roupa lavada e guardada com cuidado no meu armário. Fazes questão de estar sempre e de dar tudo o que tens. E continuo a estremecer quando sinto que te aproximas. Como no primeiro olhar – em que soube que eras mesmo tu aquela que me falava e eu não via, que soube que eras tu a encarregada pela minha alimentação cuidada e pelo calor e conforto (e até das canções de embalar e das festinhas à noite, quando eu estava mais inquieto). Um dia – penso tantas vezes – quero ser como tu. Continuo, como na primeira vez, a ter a certeza: a minha, não podia ser outra pessoa senão tu, mãe.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do Dia da Mãe. Que mãe, há só uma.

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Acordou, o sol tinha acabado de nascer. Olhou para o mar, brilhante da luz reflectida nas águas,  e sentiu a respiração compassada ao seu lado. Sem fazer barulho foi até à varanda respirar aquela maresia inigualável. Aquele sabor a sal e a sol que na cidade maravilhosa tinha mais encanto do que em qualquer outra do mundo.

Sentou-se a pensar no nada e no tudo em que se transformara a sua vida. Os riscos, as decisões, as lutas de todos os dias. Recordou, com um sorriso triste, os pais, sempre tão certos de tudo e tão pouco flexíveis às escolhas de vida. Uma nova panorâmica e os olhos fixaram aqueles braços abertos, tão acolhedores quanto libertadores, que abarcavam a cidade de que tanto gostava. O seu refúgio. Um dos portos seguros naquele continente que escolhera como casa.

Voltou para dentro e acordou-o com beijos de sabor a menta fresca. Sorriu o riso que era só deles e esqueceu todos os pensamentos mais dolorosos dos minutos anteriores. O que vamos fazer hoje? Passear à beira-mar? Beber águas de coco enquanto lemos o jornal?..hum?..

Com o serviço de quartos veio a notícia: Não há energia na cidade, senhores. Talvez seja melhor ficarem por aqui até os policiais entenderem o que está acontecendo na cidade. Mais a mais, estão dizendo que vem chuva aí…

Trocaram olhares e largaram as gargalhadas que os fizera, há tanto tempo, apaixonar-se um pelo outro. Que maçada, teremos que ficar por aqui, brincou ela enquanto se aninhava nos braços que eram só seus e percebia, como nunca antes, a maravilha da cidade que lhe acolhia os sonhos. Não há luz? Melhor para os sonhos, pensou.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Temporal deixa parte de bairros do Rio sem luz

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/04/sobe-para-8-numero-de-bairros-com-trechos-sem-luz-no-rio-diz-light.html

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Entrou em casa e sentiu o vazio invadi-lo, como se uma onda o tivesse engolido de um só trago. Olhou em volta, para as paredes ainda vazias, buracos na parede, brancas de ausências e solidão. De saudade. Largou chaves, carteira, telefone em cima da pequena mesa e suspirou. Não era falta de coragem, era excesso de vida.

Action, réaction, dizia o senhor do seu filme favorito. Assim, a frio. Action, réaction. A música que tão poucas [mas] intensas vezes partilharam ressoava-lhe na cabeça, tentava penetrar aquele silêncio de ausência, lágrimas e impotência. Podiam passar dias, semanas, meses, anos e ele nunca se iria habituar a entrar numa casa vazia. Não eram só as conversas, a televisão, o cheiro a comida ou o cheiro ao amor a que sempre se habituara. Era sobretudo o sorriso.  Que lhe enchia a alma e o coração todos os dias.

Nunca se iria habituar, mesmo que mudasse de casa mil vezes. Action, réaction. Já tentara agir, reagir, voltar a agir… já tentara antecipar dores, sofrimentos. Provocar emoções e sentimentos. Action, réaction. Para o bem e para o mal.

Sentou-se no sofá e colocou o a cabeça entre as mãos. As lágrimas corriam-lhe, frias, por entre os dedos vazios. Tão vazios que quase sentia a ausência dos dedos dela. O disparar de coração a cada toque, o brilho no olhar a cada mirada secreta. Action, réaction. Era hora de agir.

Mesmo que isso doesse tanto como perder a vida. Era hora de agir. Porque o amor, não importa onde esteja, acaba sempre por vencer. O verdadeiro. O que importa. O que faz sorrir.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Luís Figo faz declaração de amor à mulher

http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=1819838

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Azul.

Acordou-me com um beijo. Gosto de acordar com os beijos dela. Sabem a pasta de dentes e a amoras silvestres, do creme que usa sempre antes de se deitar. Tinha o pequeno-almoço em cima da mesa do quarto, com direito a sumo de laranja, ovos mexidos, café e o jornal. Estranhei toda aquela atenção, mas achei melhor não discutir. Retribuí o beijo mas deixei-me ficar, naquele monte de roupa quente, enquanto a envolvia com os meus braços.
O cabelo dela cheirava a frutos exóticos e tinha vestida a mais bonita camisa de noite. Algo se passa aqui.. Olhei rapidamente para o relógio à procura de uma data que me fizesse não passar por marido que se esquece tudo. Nada. Não era aniversário de casamento, de namoro, de primeiro beijo, de primeira noite de amor, de primeiro fim-de-semana juntos…nada. Optei por me não fazer de esquisito e reagi aos avanços da manhã. Afinal, um dia não são dias e nada como começar o dia como uma espécie de lua-de-mel versão mais curta.
Fui para o banho, ainda assim, com a ideia de que algo me estava a falhar. Liguei a música alto e meti-me debaixo do chuveiro. Enquanto a água me lavava aquela estranheza impregnada na alma apercebi-me que de facto não importava. Porque importando significava que precisava de momentos, de datas, de dias para a amar. E não preciso. Nem quero precisar. E aquela frase – a sempre – começou a martelar-me: Amar é um exercício de vontade. Sem dia nem hora marcada.
Saí do banho e voltei a envolvê-la nos meus braços. A manhã seria nossa. Como a vida. Toda.

Rosa.

Ontem comprei um champô novo. Compro sempre os champôs pelo cheiro, e nunca pelas características. Os de amêndoa enjoam-me, os de côco lembram-me a praia e não gosto de a ter no cabelo, mas na pele. Gosto dos frescos, de frutos silvestres ou de citrinos. Gosto dos mais leves, como gosto dos vinhos brancos em vez dos tintos. Os brancos são mais frutados, mais amargos, menos encorpados. Encorpados, gosto de amores. Daqueles que me fazem querer gritar de tanto acreditar. Dos que me deixam sobressaltada pela ausência e pela aproximação. Dos que baralham os dados e nos fazem ser aquilo que nunca pensámos conseguir. Mais forte, mais corajosa, menos maricas, mais comunicativa, melhor. Como estava a dizer: hoje comprei um champô novo. Estava a acabar o outro e resolvi mudar, que o meu cheiro já me é familiar de mais. Quero um aroma que se misture com o meu, uma pessoa que seja a minha casa, um perfume que se misture com a luz da manhã. Quero um novo amor.

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