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Archive for Janeiro, 2012

Não era a voz. Grave, quase ligeiramente rouca. Não era a figura. Pequenina, enfezada, sem beleza alguma em particular. Nem sequer eram os olhos. Castanhos, iguais a tantos outros. Podia ser pelo sorriso. Autêntico, presente, cheio. Mas também não era.

Era todo o conjunto. Era a figura, que se transformava debaixo de uns holofotes escondidos. Era a emoção, que ainda hoje, trinta anos de silêncio depois, faz arrepiar quem a ouve a cada acorde. Era a melodia, alterada a cada espectáculo, mas sempre sem fugir do tom. Era o riso, a alegria, a cor, o movimento.

Elis era tudo e era nada. Inigualável porque genial. Deslumbrante porque modesta. Estupenda, porque sempre, a cada dia melhor.

A voz, inconfundível, única porque bem usada, calou-se há trinta anos. O génio, esse, nunca morrerá.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da celebração do 30.º aniversário da morte de Elis Regina.

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Olhos fixos nas mãos que conhece tão bem. Há tanto anos. Enquanto esboça um sorriso sente as rugas a formarem-se nos cantos dos olhos. Cansados. Envelhecidos de tão pouco tempo que pareceu uma eternidade. Segura-lhe na mão com força e pergunta: tens a certeza de que conseguimos fazer isto novamente?

Ela olha, sorriso doce, cabelo caído como só permite na intimidade uma casa que já chamam lar: não faz sentido que o não faças. Que o não tentes. Que o não tentemos.

Lá fora ouvem-se os risos das crianças, já não tão crianças e os latidos do Boo. Ele olha em volta e respira fundo. Nas fontes, o cabelo grisalho de quem viveu para os outros quatro dos mais difíceis anos da vida de um mundo inteiro. Nem sempre com sucesso. Nem sempre tomando as melhores opções – sabe-o! -, nem sempre conseguindo fazer ouvir a sua voz no meio de um aparelho maior do que ele próprio.

Aperta aquela mão, macia, forte, que sabe sua aconteça o que acontecer. Levanta o olhar, exausto, com um último e vívido lampejo de força, de esperança, de compromisso. Sabe que não há escapatória. É o que quer fazer. É o que sente que deve fazer.

Yes, we can, diz. Yes, we can. Again!, repete. O sorriso volta-lhe ao rosto. A força ao olhar. A máquina está em movimento. Mais uma vez.

Entrada na Nossa Agenda a propósito das eleições presidenciais nos EUA, em Novembro de 2012. Obama é o único candidato democrata. Os Republicanos estão em campanha para escolher o candidato que enfrentará o atual presidente na corrida à Casa Branca.

 

 

 

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