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Posts Tagged ‘cultura’

Fizeram batalhas para conseguirem fazer o que sempre quiseram. Lutaram sem olhar a meios para atingir objectivos, andaram de fugida em locais públicos como se fosse vergonha lutar por aquilo em que se acredita. Gritaram a viva voz os sonhos que queriam concretizar e choraram sobre os pensamentos que nunca passaram disso mesmo. Bateram nas convenções, desafiaram olhares indiscretos e foram vítimas de frases cortantes, de palavras azedas, de estalos de luva branca. Sempre acreditaram que devagar se vai longe, que dos cobardes não reza a história e que a sorte protege os audazes. Mas sofreram na  pele os indicadores a apontarem, ávidos de preconceito. Sofreram com o entusiasmo dos conservadores e dos que nunca precisaram de lutar por nada para terem o que queriam. Temos muito a aprender com os que correm atrás dos sonhos: são eles, eles só, que sabem o que custou a liberdade. 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Cavaco Silva promulga diploma que permite casamento homossexual<!–Voltar–>

http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=94&did=104504

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Na corda bamba

Num país de brandos costumes, num país relativamente calmo, onde não é perigoso andar na rua, deixar os miúdos brincarem à porta de casa, correrem livres pelo campo e irem sozinhos ao cinema ao fim-de-semana. Num país assim, onde pouca gente passa fome e longe dos olhares indiscretos. Onde a maioria das pessoas tem dinheiro para comer, para beber, para passear. Onde a pobreza está camuflada por altos muros ou paredes de casas abandonadas. Num país que cresceu devagar, sempre na cauda da Europa. Mas onde os atrasos são para o bem e para o mal, portanto um país onde nem tudo é mau. Num país com tudo isto, onde impera a saudade, a nostalgia, a hospitalidade. Num país onde de repente um governo anuncia um plano austero que prevê o aumento drástico dos impostos…o que acontece?

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Portugal unveils ‘crisis tax’ to cut deficit

 Drive to cut deficit to 4.6% of GDP in 2011

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De seda

Era uma manhã clara e fresca, daquelas de primavera acabadinha de começar. Ela acordou-me cedo, com medo que não tivessemos tempo para tudo. Tínhamos passado na costureira no dia anterior, sempre de passo apressado, entre as aulas e a aula de dança. Eram os últimos preparativos para a festa que antecipávamos há meses ao pormenor, como se fosse o acontecimento do século. Vesti-me rápido e quase nem passei o pente no cabelo, tal a pressa. E meti à boca um croissant simples, que engoli de uma vez. Corri pelas escadas abaixo, bati com a porta da entrada, saltei o último degrau e tentei alcançá-la no fim da rua. Que ela ia muito rápida e ligeira. Parámos na melhor loja da melhor rua, com os melhores tecidos. E ela escolheu o melhor, o mais fino, o mais suave, o mais bonito. Para o dia mais especial de sempre.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Bélgica aprueba prohibir el velo islámico integral en espacios públicos

http://www.elmundo.es/elmundo/2010/04/29/internacional/1272565808.html?a=31c58faa739da382eefa67886b3162f6&t=1272573967&numero=

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Posso explicar-te como era dantes, mas nunca vais conseguir perceber. Porque hoje conheces os teus amigos pelas palavras que eles escrevem no teclado do trabalho. E vês como estao no ecrã no computador. Contas-lhes as novidades por telefone. E trocas ideias com os teus colegas e com os chefes por email. Agora tens um telefone que te diz a que horas acordar, que te lembra daquele medicamento que tens de tomar à hora certa. E uma lista com nomes e números aos quais podes ligar se for precisa alguma coisa. Partilhas as novidades com o mundo no Twitter, contas as pequenas e grandes conquistas no Facebook. Desejas “Feliz Natal” por sms e cantas os “Parabéns a você” por telefone. Os outros respondem com “carinhas alegres” :), tristes 😦 ou chateadas :/ . Ou remetem-se ao silêncio de quem não sabe bem o que dizer. E tu, falas, escreves, conquistas, descreves, confessas-te sem precisar de falar. Sem precisar sorrir a alguém. Sem precisar tocar na mão de alguém. Quando eu te quiser explicar como lhe acariciava a face e conseguia dizer-lhe o quanto gostava, o quanto precisava através desse toque, tu não vais perceber. Porque isso do alcance “toque” não é exprimível apenas a soletrar a palavra. Por mais que eu mastigue “t-o-q-u-e”, não vai chegar. Desculpa. Não vou perder o meu tempo a explicar-te. Encontramo-nos logo? Mostro-te como é.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito dos encontros da actualidade. Em formato digital.

http://www.elmundo.es/especiales/2010/01/4000encuentros/index.html

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Olho para ti como se fosse a primeira vez, como se não te tivesse visto já tantos dias, pensado em ti tantas horas, sonhado contigo tantas noites e acordado com a tua cara na minha cabeça, a tua voz a soar nos meus ouvidos e as tuas expressões já debaixo da minha língua. Apoderaste-te da minha alma como se fosses dono de mim, como se eu fosse uma extensão do teu sonho, do teu pensamento, da tua pele. E de repente já faço parte das tuas rotinas, da tua vida. Sem querer, transformo-me no soro que te alimenta quando não comes. Os meus braços afogam-te o corpo, como se a vida debaixo do mar fosse muito mais do que aquilo que sempre sonhaste. E tentas evitar ligar-te a outros que não a mim, com medo que me perca de amores por ti. Porque sabes que da interdependência só podem resultar beijos mais quentes. E mais sentidos. Um amor maior do que aquele que já temos. E isso a ti assusta-te mais do que a ideia de algum dia – por mais remoto que seja – poderes parar de me beijar. Que o nosso beijo, desde o primeiro dia – sabe-lo bem – é eterno. E com ele contas sempre. É como se já fosse o teu coração. Aquilo que te faz viver.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

EEUU | Críticicas de los colectivos gays

Los besos sacuden la televisión de EEUU

http://www.elmundo.es/elmundo/2009/11/27/television/1259356773.html

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Entrou de rompante em casa, como quem vai tirar o pai da forca, que até me assustou. Sei que nesta idade – a idade da discórdia, da rebeldia, de todas as afirmações, aquela que chamam a idade do armário – são comuns este tipo de atitudes, mas quase me matou do coração, a marota da miúda. Vinha com o cabelo despenteado pelo vento, e vi logo pelos lábios frios que encostou na minha bochecha quando me cumprimentou, que tinha estado no telhado, a espreitar por aquele tubo ampliador do céu que o avô e eu lhe tínhamos dado, quando no 5º ano, começou a estudar as constelações. Nunca pensei eu que aquilo fosse incentivo para, agora aos dezoito, estar prestes a entrar para astronomia. Nunca acreditei nessas coisas de astronautas, planetas, luas e sóis, cometas e afins. Disse ao avô, na altura, que não comprasse o canudo à miúda, que a podia distrair de coisas mais importantes, e podia afastá-la da realidade. Eu sempre vi as estrelas, sei que elas existem, mas querer explorá-las é de mais. Acho descabido, quando aqui há tanta coisa que ainda não se sabe. Para quê explorar aquilo que está tão longe? que é intocável? Só que hoje estava eufórica – a sonhadora – com a descoberta divulgada. Hoje, via-se-lhe nos olhos um brilho especial, de quem está mais perto de concretizar um sonho. Hoje senti que ver é a melhor forma de comprovar. Mas só a seguir a sentir. E ela contou-me, entusiasmada, que tinham descoberto uns novos planetas num sistema diferente. E confirmou que integraria a equipa de exploração da descoberta. E eu repensei também as minhas dúvidas, pedi-lhe que me procurasse vídeos da chegada do homem à lua. E ouvi-a com atenção, a traduzir o relato jornalístico originalmente em inglês. Por ela, passei a acreditar que todos os sonhos podem ser passíveis de concretizar. É só acreditar neles.

 

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

ASTRONOMÍA | Hallazgo realizado por la ESO

Descubren una treintena de planetas fuera de los límites del Sistema Solar

http://www.elmundo.es/elmundo/2009/10/19/ciencia/1255954813.html

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Muda

Sei que o mundo é um sítio que nunca fica muito tempo no mesmo sítio, e à medida que os anos passam mais sinto isso. Sou nova – eu sei – e, por mais que tente esquecer-me tenho telefonemas constantes dos meus pais a controlarem todos os meus passos. E quando não são eles, é a agência, que controla onde vou, a que horas, com quem, e quando volto. É uma vida vivida de forma completamente partilhada. Se me notam algum segredo, vá de pressionar até ao momento em que não aguento mais e me vejo obrigada a contar tudo com todos os pormenores, como se o pessoal e intransmissível não existisse neste mundo paralelo, nesta realidade à parte em que me meti há quase uma década. E se olho para trás e penso no quanto a minha vida poderia ter sido diferente, penso logo que mais diferente do que eu mesma, é aquela ali no cartaz, aquela que seria eu e me daria orgulho. Mas que não tem as minhas curvas, nem a minha cor. Nem sequer a minha alma. Que deve ter ido com os cortes de cintura, e de braços e de pescoço, feitos por aquele programa demoníaco que vai às entranhas e resgata a nossa essência. Como se até isso pertencesse a outro que não eu.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

La modelo retocada por Ralph Lauren declara que la despidieron por “estar gorda”

La marca adelgazó exageradamente la cintura de Filippa Hamilton en una de sus publicidades

http://www.elpais.com/articulo/gente/modelo/retocada/Ralph/Lauren/declara/despidieron/estar/gorda/elpepugen/20091014elpepuage_3/Tes

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