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Archive for Abril, 2010

De seda

Era uma manhã clara e fresca, daquelas de primavera acabadinha de começar. Ela acordou-me cedo, com medo que não tivessemos tempo para tudo. Tínhamos passado na costureira no dia anterior, sempre de passo apressado, entre as aulas e a aula de dança. Eram os últimos preparativos para a festa que antecipávamos há meses ao pormenor, como se fosse o acontecimento do século. Vesti-me rápido e quase nem passei o pente no cabelo, tal a pressa. E meti à boca um croissant simples, que engoli de uma vez. Corri pelas escadas abaixo, bati com a porta da entrada, saltei o último degrau e tentei alcançá-la no fim da rua. Que ela ia muito rápida e ligeira. Parámos na melhor loja da melhor rua, com os melhores tecidos. E ela escolheu o melhor, o mais fino, o mais suave, o mais bonito. Para o dia mais especial de sempre.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Bélgica aprueba prohibir el velo islámico integral en espacios públicos

http://www.elmundo.es/elmundo/2010/04/29/internacional/1272565808.html?a=31c58faa739da382eefa67886b3162f6&t=1272573967&numero=

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Glamour

Quartos. Muitos. Crescentes ou minguantes. De luxo ou nem tanto. Terra pálida numa paleta selecta de cores escolhidas a dedo. Como os tecidos, a decoração, os sapatos e as passarelas. Ruas enormes, com o sol a ser escondido pelos edifícios altos. Tão altos que parecem tocar o céu. Passos elegantes passeiam pelas avenidas de uma das cidades mais mediáticas do mundo fazendo concorrência directa com o design mais arrojado de uma cidade que grita ‘glamour’.

E como o ‘glamour’ nunca pode estar só, os melhores tiveram que ir até lá mostrar porque gostam tanto deles. De ocidente a oriente.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Armani abre primeiro hotel em Dubai e planeja outro para Milão

http://oglobo.globo.com/viagem/mat/2010/04/28/armani-abre-primeiro-hotel-em-dubai-planeja-outro-para-milao-916448750.asp

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Num continente deste tamanho, é impossível manter as amizades e inimizades por muito tempo. As fronteiras desvanecem-se com o tempo, com as mudanças, com as esperanças e com os sonhos.

Num continente deste tamanho não importa a cor da pele ou a crença religiosa. Não importa a profissão, quem são os pais ou em que escola cada um estudou. Não importa o que se defendeu ontem, porque muitas vezes não é o que se defende hoje, ou amanhã ou quando quer que seja.

Num continente deste tamanho o que importa é a quem se sorri. A quem se aperta a mão e com quem se faz negócios, protocolos ou somente uma conversa de circunstância.

Num continente deste tamanho importa que um presidente democrático aperte a mão a um presidente não tão democrático. E que eles sorriam. E caminhem de mãos dadas para o desenvolvimento da região.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Lula recebe Chávez amanhã para discutir assuntos bilaterais

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,lula-recebe-chavez-amanha-para-discutir-assuntos-bilaterais,543688,0.htm


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Dupla

Quando nasceram eram todos muito diferentes, não fossem também diferentes os dias, os anos, a nossa maturidade. Lembro-me de mal os ver ter logo vontade de os abraçar e ficar com eles para sempre, protegê-los sem medos, criá-los sem desconforto. Lembrei-me de te propor que ficasse eu com eles nos meses que se seguissem. Mas a medo, que contra as mães leoas, estas propostas nem sempre são bem vindas. Olhaste para mim com um ar enlevado e assentiste de imediato: soubeste na hora que era mesmo aquilo que eu queria. Sempre primei pela verdade: sou transparente – bem sabes -, sobretudo nas nossas coisas. Não consigo evitar um berro de vez em quando, quando o nervosismo aperta e não consigo explicar-me bem. Mas também não tento evitar as lágrimas quando estou triste ou me emociono com qualquer coisa. Bem sabes que sou assim, um sentimentalão. Fiquei eu com os pequenos, tu a trabalhar, eu a preparar biberões. Tu a ganhar para comprar o leite em pó, para pagar a gasolina, a renda, as contas. Eu a ensiná-los a comerem sozinhos, a mudar-lhes as fraldas, a vê-los darem as primeiras quedas de quem quer andar e ainda não consegue. Num instante estavam a dizer a primeira palavra. E não foi mother, nem mamá, nem outra coisa qualquer. Chamaram-me ‘padre’. E nem me interessou que tenha sido em castelhano, que a língua do coração assim o dita. Menos mal: ‘padre’ na língua da ‘madre’. Dupla.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

El padrazo Clegg

http://www.elmundo.es/elmundo/2010/04/24/internacional/1272118149.html

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Ardia na lareira aquele fogo bom, que antecipava os serões em família, com o crepitar da lenha seca como banda sonora e um joelho como almofada. Na sala, a média luz, antecipava-se uma noite de histórias e de que memórias, como todos os anos acontecia na mesma altura.

A mãe veio da cozinha com a há habitual taça de pipocas quentinhas que só elas, a escorrer manteiga. Apagam-se as luzes e faz-se silêncio porque agora é hora de recordar: dos tanques à coluna, de Santarém a Lisboa, das fardas aos civis, das espingardas aos cravos.

Todos os anos são poucos para agradecer quem pelo país fez tanto. Todos os anos são já insuficientes para agradecer a quem já partiu, esquecido nas teias de uma qualquer memória. É por isso que devem haver serões como estes. Para que as memórias, ainda que poucas, não deixem morrer o muito que ainda permanece para todos.

Entrada na Nossa Agenda a propósito das comemorações do 36.º aniversário do 25 de Abril.

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O mundo é assim. Com coisas mais ou menos ridículas. Com ideias conservadoras ou demasiado avançadas. Com pessoas que não sabem quando devem calar ou quando deve continuar com ideias, crenças ou convicções.

O mundo é feito de extremos, mesmo que pelo meio não se olvide a escala de cores que os une. É feito de Martin Luther KingS, de Mahatma GhandiS, de MadreS TeresaS de Calcutá e de HitlerS, MussoliniS ou ChávezS.

O mundo, como nós o conhecemos, é mau e bom e triste e feliz em várias pessoas em vários lugares. É idiota e inteligente, ambicioso e intriguista, audacioso e temente. É feito de amarelos, vermelhos, azuis e verdes e todas as cores possíveis do universo. É feito de branco.

O mundo, feliz ou infelizmente, tem espaço para todas as pessoas. Melhores ou piores. Mais ou menos racionais. É por isso que Chávez é presidente da Venezuela e Barack Obama é líder dos EUA. Porque há espaço para todos.

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Pegamos em  acontecimentos. Em pequenos gestos. Em vidas alheias. Em imaginação. Com todos estes elementos, temos construído a nossa agenda. E temo-la dado a conhecer. Depois foram os olhares dos outros que passaram a fazer parte dela – nossa e vossa – com imagens e palavras. Agora, preparamos outra maneira de ver o mundo, de contar histórias. De agendar a vida.

Há músicas que nos marcam. Melodias que nos entram na pele. Letras que não nos saem da ponta da língua. Há momentos que nos percorrem a memória quando uma música passa na rádio. Quando uma letra é sussurrada por um desconhecido na rua. Quando acordamos com uma canção que nos percorre o dia e adormece connosco. A rúbrica número dois da Nossa Agenda é esta. Outros Ouvidos. À terceira 3.ª-feira de cada mês. Porque a vida – e a nossa agenda – (também) é feita de música.

Hoje, os ouvidos são da Erica Rodrigues.

Escolher cinco músicas.

O melhor da música, para mim, é o efeito que tem no meu estado de espírito. Transporta-me a outros momentos, faz-me sentir e reviver emoções, faz-me ser feliz. Para escolher só cinco músicas, resolvi adoptar um critério: cinco músicas que me fazem sentir cinco coisas diferentes.

Música que me dá força

Ain’t no mountain high enough – Marvin Gaye e Tammi Terrell

A letra só por si já é uma mensagem de empowerment. Faz-me sentir que sou capaz de fazer tudo. Até de escolher só cinco músicas

Música que me deixa bem-disposta

Ben Harper – Steel My kisses

Esta foi a categoria mais difícil, porque felizmente há muitas que cumprem os requisitos. Gosto muito da energia desta música!

Música que me faz dançar

The time of my life – Dirty Dancing

Inevitavelmente, ouvir esta música é regressar às intermináveis férias da escola, em que eram várias as tardes que passávamos a ver e rever o filme. E as noites que passávamos a sonhar com a coreografia.

Música que me acalma

É isso aí – Ana Carolina e Seu Jorge

Apesar de ser uma música que conheço há muito pouco tempo, foi uma das primeiras que decidi que seria escolhida. Adoro-a.

Música que me faz sentir apaixonada

Come What May – Moulin Rouge

Apesar de não ser um dos meus filmes favoritos, adorei a cena desta música. E acho a letra fantástica.

E depois desta selecção, tenho a certeza de que da próxima vez que ouvir rádio vai passar uma música que me vai fazer pensar: Bolas, deveria ter escolhido esta.


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