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Archive for Maio, 2011

Há um oceano entre nós.  Dos grandes. Séculos e séculos de tradição separam duas famílias que têm tanto de diferente no estar como na expressão dos olhos ou no tom de pele. Há séculos e séculos de História – tantas vezes cruzada, nem sempre pelos melhores motivos – que nos separam. Que nos fazem parecer estranhos quando na verdade temos tanto em comum como o cargo que ocupamos.

Ela ocupa um dos mais antigos tronos da Europa. E eu a liderança da maior economia do mundo. Ela atravessou décadas e Governos. Eu, guerras e crises. Ela mantém-se firme no seu posto como se estivesse na meia-idade. Eu tento aguentar-me, tão honradamente quanto possível, estando, precisamente, na meia-idade.

Há um oceano entre nós. E anos, muitos anos. Há experiências, diferenças, mortes, casamentos, valores, atitudes…há muita coisa que nos separa. Mas quando lhe olho nos olhos, naqueles olhos cheios de vida ainda que cansados dos anos que teimam em passar por si, sei que é muito mais aquilo que nos aproxima.

É a ela que devo a honra de ser o primeiro presidente dos EUA a discursar na sua residência oficial. De ser o primeiro presidente dos EUA a cometer gaffes com o brinde. De ser o primeiro presidente dos EUA a conhecer a sua nova família depois do casamento mais aguardado do século. De ser. E de estar.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da visita do presidente Barack Obama ao Reino Unido.

http://www.bbc.co.uk/news/uk-13537972

*A um Oceano de distância

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O diz-que-disse. As contradições. As acusações. A calma que se esvai a contrastar com a  frieza traída pelas mãos trémulas. As inseguranças contra as [más] experiências. As demagogias. As fantasias. As mentiras e as parcas verdades. Os gritos, as infâmias, as deslealdades. A cortesia, a polidez, o sorriso estudado. Os carros, as gentes, as bandeiras. A comida oferecida, a comida procurada, as promessas sem fundamento nem futuro e as certezas de um futuro tão incerto quanto dramático foi o passado.

Os fatos escuros, os sorrisos de dentes todos. Os movimentos estudados, os olhares naturais. As dúvidas. As certezas. As angústias. As agonias. Os anseios. As alegrias.

O misto de sentimentos de que é feita uma campanha eleitoral. Ou a vida de todo um País.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da campanha para as legislativas de dia 5 de Junho de 2011.

*Sentimentos

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Vergonha. Embaraço. Desilusão. Crime. As palavras sucedem-lhe na cabeça enquanto olha para aquelas imagens vezes e vezes sem conta. A notícia acordou-o como uma bomba naquele Domingo. What??

O mundo precisa de inspiração. Precisa de credibilidade. Precisa de pessoas em quem se possa confiar. Que sigam alguns valores, normas, regras ou o que quiserem chamar-lhe. Não precisa de mais desilusões. Não precisa de falhanços como aquele retratado naquelas imagens que, mesmo ausentes, lhe não saem da cabeça.

Os olhos percorrem os ecrãs, os jornais, as revistas à procura de uma explicação. De algo que lhe mostre que é mentira. Que acabe com aquela estranha sensação de imundície que se lhe entranhou na pele como se tivesse sido sua a culpa de um [alegado] crime que não ousaria cometer.

Era naquele homem que, inconscientemente, durante os últimos meses tinha firmado as suas esperanças. Naquele olhar sapiente e bondoso. Que parecia cheio de verdade e de honra.

Levantou-se, desiludido, e olhou pela janela. Com o coração apertado e os olhos semicerrados. Em quem podemos confiar?

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:


IMF Head Strauss-Kahn Arrested for Sexual Attack

http://www.theatlanticwire.com/business/2011/05/imf-boss-strauss-kahn-arrested-sexual-assault/37734/

*Desilusão

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M&M’s

Há beijos e beijos. Há os beijos dos amigos e os dos amores. E ainda os das paixões. Que não têm obrigatoriamente que ser os mesmos dos amores. Os beijos na boca são os melhores. Há os doces e carinhosos, ténue juntar dos lábios que tão bem – ou mal – se conhecem. Há os quentes, que nos tiram o fôlego e nos fazem duvidar de se queremos mais ou paramos por ali de tão aflitos que estamos com falta de ar.

Há ainda os beijos de sempre. Aqueles a que já nos habituámos e não têm surpresas. Que nos aquecem o coração mas nos fazem pouco à alma – a menos que tragam surpresas uma vez ou três.

Depois há os beijos de amor. Aqueles em que sentimos cada pedacinho de pele arrepiar-se porque sabemos que aquele não é só ‘mais um’. Aquele é ‘O’ beijo. O que nos faz querer que o mundo todo pare enquanto guardamos para sempre os cheiros, as sensações e o gosto.

Há beijos com sabor a gelado, outros com sabor a pecado. Há beijos com sabor a café ou a pasta de dentes. Mas os melhores são aqueles que têm o sabor do desejo.

Entrada na Nossa Agenda a propósito dos benefícios do beijo.

http://www.portaldascuriosidades.com/forum/index.php?topic=68927.0

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O sol batia-lhe, quente, na nuca, enquanto olhava o campo, mais uma vez. O verde entranhava-se-lhe na pele como se fosse parte dele. Respirava-o, sentia-o. Girou sobre si e ficou de frente para o sol. Aquele sol que todos os dias lhe dava força para continuar. Para mais uma tentativa. Mais um esforço.

São as dificuldades que nos tornam melhores. Que nos fazem ser mais. Que nos mostram se vale a pena.

Todos os dias tomava aquela decisão. Mais uma. A de continuar a viver e a ser feliz. Não com as memórias dos tempos áureos, mas com a esperança no que ainda podia ser o seu futuro. Mais uma tacada. Certeira, como sempre. O futuro tinha o perigo do incerto mas a beleza da felicidade. Nova tacada. Certeira. Não sabia para onde caminhava. Nem tão pouco durante quanto tempo seria capaz de o fazer. Mas sabia que tinha de continuar.

A vida é demasiado curta. Vivê-la, em pleno, é dar-lhe a importância que merece.

Continuaria a lutar, como sempre fizera: pelo trabalho, pelo amor, pela vida. Franziu os olhos, olhou para a bola e nova tacada. A vida podia ser só isto: sol, verde e um futuro risonho pela frente, pensou. Viver cada dia como se fosse o último. Sem deixar o que quer que seja para amanhã.

Mais uma tacada. A última. Elegante, firme, brilhante. Como ele próprio.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

La estrella más brillante se apaga

http://www.elpais.com/articulo/deportes/estrella/brillante/apaga/elpepudep/20110507elpepudep_7/Tes

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Não é um papel que define as coisas. Mas o teu nome está para o meu desde que eu nasci. Fui buscar-te o primeiro apelido, coladinho ao meu. Ofereceste-mo de graça, porque quiseste que, oficialmente, fosse já uma parte de ti, uma continuação tua. Mas ainda antes disso, já te reconhecia a voz. Durante meses falaste comigo, tocaste-me através de uma camada fina de pele que parecia não existir, de tão alta que sentia a tua voz, de tão forte que sabia a ligação. Nem quando tossias e eu tremia, o barulho me assustava. Porque eu sentia-me protegido sob a tua responsabilidade. Não sei porque me escolheste a mim, o que motivou esta escolha, como soubeste que era eu, que tinha que se eu e não outro qualquer. Mas – apesar do desconhecimento – pareces certa da tua escolha, não hesitas um instante que seja, manténs a pose mesmo quando duvidas de uma ou outra atitude, mesmo quando choras depois de me ralhares porque não me porto bem. Eu, de ti, não tenho a dizer mais do que o bem que me fazes, do bom que é um abraço teu, do doce a que me sabe um beijo vindo daí ou do agradável que é sentir o teu cheiro na minha roupa lavada e guardada com cuidado no meu armário. Fazes questão de estar sempre e de dar tudo o que tens. E continuo a estremecer quando sinto que te aproximas. Como no primeiro olhar – em que soube que eras mesmo tu aquela que me falava e eu não via, que soube que eras tu a encarregada pela minha alimentação cuidada e pelo calor e conforto (e até das canções de embalar e das festinhas à noite, quando eu estava mais inquieto). Um dia – penso tantas vezes – quero ser como tu. Continuo, como na primeira vez, a ter a certeza: a minha, não podia ser outra pessoa senão tu, mãe.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do Dia da Mãe. Que mãe, há só uma.

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