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Archive for Março, 2011

‘Geração à rasca’

“PROTESTO APARTIDÁRIO, LAICO E PACÍFICO.
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal. Protestamos:
– Pelo direito ao emprego! Pelo direito à educação!
– Pela… melhoria das condições de trabalho e o fim da precariedade!
– Pelo reconhecimento das qualificações, competência e experiência, espelhado em salários e contratos dignos!

Porque não queremos ser todos obrigados a emigrar, arrastando o país para uma maior crise económica e social!”

Recebo, todos os dias, vários convites para participar neste evento. Uma manifestação que ‘vai mudar o mundo’. Que de repente vai deitar abaixo a nossa classe política, empregar milhares de pessoas e resolver todos os problemas do nosso país. A mesma geração que se quer juntar numa manifestação de ‘milhões’ na Avenida da Liberdade, é a mesa geração que vive em casa dos pais sem se importar, que não trabalha ‘fora da área’, que faz quatro estágios não remunerados  – porque o aceita!! – que rejeita dar passos atrás para dar mais em frente e que ainda diz mal das opções dos outros.

É a mesma geração que trabalha anos a recibos verdes porque ‘não tem opção’, que não vai para fora ‘porque não pode’, que não faz outros trabalhos ‘porque não tem que fazer’.

É a mesma geração que não percebe que é nas pequenas coisas que o mundo muda. Que não entende que por cada estágio não remunerado que aceita o está a legitimar para todos os que vêm atrás; que não entende que a cada mês que passa em casa dos pais está a adiar o futuro; que não tem sentido de sociedade de cada vez que aceita receber salários ‘por debaixo da mesa’, que não tem orgulho e que nem tão pouco sabe o que quer.

E esta geração, aquela a que eu pertenço, pede-me que me junte a eles num protesto que vai mudar nada. Porque não podemos fazer protestos mas não pedir aumentos no trabalho; não podemos fazer protestos e não pedir contratos; não podemos fazer protestos e quando vamos às festas dos amigos, oferecer-lhes um bilhete de concerto em vez daquilo que a pessoa pediu ou precisa. Não podemos ir a protestos quando só sabemos cobrar direitos e esquecer que temos deveres. Não podemos ir a protestos quando nem sequer levantamos o rabo da cadeira para ir votar.

Não, não vou a estes protestos ou manifestações ou whatever. Lamento. Mas lamento muito mais perceber que as pessoas gastam as energias em coisas muito menos úteis do que aquelas em que deviam.

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito do protesto marcado para dia 12 de Março.

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