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Archive for Agosto, 2009

Agora é hora. De mudar de estratégia. De aprender com quem sabe. Agora é hora de explorar aquilo que muitos já disseram, antes, mas que teimámos em demorar a aceitar. É hora de mostrar porque somos os melhores, os únicos que devem continuar no cargo. Falta um ano. Precisamente um ano. Temos doze meses para mostrar que evoluímos, que estamos mais ousados, mais presentes, mais conscientes do que a sociedade nos pede e do que as pessoas precisam. Provámos que a crise podia não nos derrubar. Provámos que depois de tantos anos sob a alçada dos outros, aprendemos a ser melhores do que muitos deles.

Ou pelo menos estamos a tentar. Ainda que com o nosso espírito de “tudo se resolve”, vamos tentando. Mais ou menos corrupção. Mais ou menos problemas relacionados com as desigualdades sociais. Mas a verdade é que vamos tentando. E por isso somos os maiores. Em todos os sentidos. Mesmo que pareçamos abandonados, sem rumo, sem saber resolver os obstáculos do caminho.

Desta vez a internet. Talvez mais tarde que muitos dos nossos semelhantes. Mas chegámos. E a prova foi que o sistema não aguentou a curiosidade de um país. Do mundo, quem sabe?

Entrada na Nossa Agenda, a propósito da notícia:

Depois de início com problemas, ‘Blog do Presidente’ volta ao ar

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,presidencia-lanca-blog-para-divulgar-acoes-do-governo-federal,427259,0.htm

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São 18h58 marcadas no relógio do aeroporto de Heathrow, em Londres.

Os 20ºC da cidade da Rainha Isabel II iniciam a contagem para as baixas temperaturas de São Paulo. Devem estar uns 15ºC, 12ºC em alguns dias, e segundo a Internet. O voo saiu atrasado, depois de um pequeno-almoço aconchegante na companhia dos que mais importam. Faltaram os rostos da família, que prefiro sempre não ver antes da partida. A aventura é mais curta, desta vez, mas é também mais estimulante. E aterradora. A M. adivinhou-me o medo e a ansiedade e mais uma vez partilhou-a comigo. E eu senti-me acompanhada. E consegui sorrir, mesmo que com o coração apertado. A T. disse-me o “Até já…” de quem está quase a chegar para tornar fácil a distância e o desafio. São Paulo vai estar como quando a deixei. Maravilhosa, cheia de aventura, de emoção, a fervilhar de actividade. São Paulo vai ser a cidade onde o sonho se vai tornar realidade. Mesmo que para isso o Atlântico tenha que estar novamente entre mim e aqueles que me são importantes. Mesmo que para isso o Brasil seja a minha casa por mais uns meses – e isso até é maravilhoso!

Os sonhos partilhados são mais passíveis de concretizar. Este é partilhado por muitos. Não será mais fácil, mas será, certamente, mais completo.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do meu regresso ao Brasil. E do regresso de estórias escritas de ambos os lados do Atlântico. Dos dois hemisférios.

(Texto escrito ontem, dia 29 de Agosto de 2009)

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Como?

Ah!, e não te esqueças do mais importante, sim?No cimo de tudo, por favor. Não se lembrava de umas férias em que a frase fosse diferença. Ele arrumava todas as malas, escolhia a roupa, os sapatos…mas deixava sempre para ela aquilo que considerava mais importante. Ela nunca entendera porquê. Ele nunca lho explicara, mas saía com o sorriso misterioso e apaixonado que mantinha há tantos anos. Nada como partilhar os objectos mais importantes com as pessoas mais importantes.

As crianças corriam e divertiam-se na areia, bem protegidas pelos chapéus e pelo protector solar aplicado regularmente. Ela lia uns artigos que ficaram esquecidos na secretária durante tanto tempo. Ele olhava, quieto, para a mesa onde se empilhavam os livros seleccionados para as férias deste ano. O ritual repetia-se ano após ano. Quando toda a família já estava entretida ele olhava para as escolhas literárias do ano. Durante muito tempo. Decorava cada lombada, relia cada contracapa.  Era-lhe difícil escolher por qual começar. Ficção? Política? Relações familiares? Ambiente?

Recostou-se na cadeira e sorriu. Pegou num ao calhas. Como sempre fazia depois de destruir a pilha e espalhar todos os livros em cima da mesa. A mulher sorriu ao vê-lo fazer aquele gesto tão conhecido. Não importa, mesmo. Vou querer lê-los a todos. Como alguém pode passar sem livros? Estórias? Entrecruzar de vidas contadas com palavras e imagens imaginadas. Como?

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Veja a lista de livros que Obama levou para as férias

Fonte: i

http://www.ionline.pt/conteudo/20170-veja-lista-livros-que-obama-levou-as-ferias

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Não vou a tua casa todos os dias, é certo. E mesmo que não vá tantas como gostaria, sempre que lá entro o teu cheiro está no ar. Na mesa da entrada há uma fotografia tua. Sorridente sem ser exagerado. Distinto e subtil como só tu sabes ser. E confio que estejas escondido em qualquer sítio, ou que tenhas saído sem avisar, ou que te tenhas atrasado nalgum recado. Só depois reparo nos finos lírios lilás que ficam tão bem com a gravata que tens na fotografia. E lembro-me que já não estás porque desde aquele Julho nunca mais voltaste. Lembro-me e sinto saudades de pôr o guardanapo diferente para ti na mesa. Porque só gostavas dos de tecido. Tenho saudades porque nunca provei arroz de tomate tão saboroso como o teu. Saudades de te ver cruzar as mãos, chamar Pequenina à avó, Formiguinha à Madalena e Bailarina à Maria. Falta de fazeres companhia nos pequenos-almoços das férias. De gostares de saber das notas da escola em primeira mão. E de apareceres sempre nas vésperas das festas para animar o pessoal. Saudades de ti, das gargalhadas sentidas e do orgulho que transparecia a par do sentido crítico que nunca perdeste. Falta dos conselhos sábios e da calma da análise das coisas. Falta de ti, que és tão insubstituível como esta ausência dura de gerir e impossível de esquecer. Impossível de compreender.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia:

25 años sin Truman Capote

Se cumple un cuarto de siglo de la muerte del padre de la novela de no ficción

http://www.elpais.com/articulo/cultura/25/anos/Truman/Capote/elpepucul/20090825elpepucul_8/Tes

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Eu só queria descansar. Durante a minha vida inteira foi isto. A pressão. O quererem mais de mim. O pedirem mais. O exsigirem mais. A violência em troca de um desempenho melhor e cada vez mais rentável. Aos insultos sucederam-se as bofetadas, tantas delas tão fortes que me provocaram marcas quase indeléveis na minha pele. Ou talvez tenha sido somente na minha alma.

Depois foi a anulação de tudo o que eu sou. Do que eu era. Do que achava que era, creio. Afinal, tudo aquilo que eu era, ou deveria ser, estava a ser esmagado a um canto. Estava a ser desacreditado por aqueles que, supostamente meus semelhantes, deviam acreditar mais do que nunca.

Durante todo o tempo, todos os anos, todas os dias, eu tentei ser quem não era. Eu esforcei-me. Eu arranqurei a pele e suei as estopinhas. Eu acabei comigo, matei-me, retracei cada pedaço de mim, da minha alma. Fui um dos melhores, embora me sentisse um autêntico lixo – uma lixeira – por dentro. Nunca correspondi às expectativas. Às minhas, essencialmente. Nunca consegui ser mais do que uma capa de uma alma que não existia.

E eu só pedia descanso. Apesar da mediatização, eu só pedia descanso. Mas não era preciso tanto…Nunca pedi que fosse assim. Não assim. Pelo menos na morte eu merecia mais. Ao menos na morte…

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Dose letal de anestésico matou Michael Jackson

Fonte: DN

http://dn.sapo.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1343800&seccao=M%FAsica


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Máscaras

Letra a letra. Palavra a palavra. Frase a frase. Linha a linha. Tinha que ser com esta calma, este discernimento. Há mais de vinte dias que tudo mudou. A sofreguidão por fazer mais e dizer mais deu lugar à contenção para medir todas as palavras, todas as ideias, quase. Era preciso organizar o pensamento. A seguir descobrir a melhor forma de o verbalizar, mascarado de outra coisa. Mascarado. Era isso.

As máscares sempre serviram para o bem e para o mal. As belíssimas de beleza, as quase assustadoras tribais. As máscaras dos Carnavais de rua e as dos finos bailes da alta sociedade. A máscara esconde o ladrão ou a jovem mais bela. Esconde o Zorro, o Super-Homem. Esconde o mais pérfido vilão sem nunca revelar quem está por detrás.

É disso que estas palavras necessitam agora. De uma máscara que lhes esconda a essência. Mas esta tem que ser especial. Um corte diferente, talvez uma pintura mais discreta. É preciso deixar vestígios do que ela esconde, sem os mostrar. Mascará-los. Transformá-los. E fazer com que a tinta continue a correr. Afinal, há cem anos que a tinta corre. Não é – novamente – este pequeno precalço que a vai secar.

Mascarar. O truque é mascarar. Primeiro as palavras. Depois os pensamentos.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da páginal inicial do site do jornal Estado de S. Paulo, onde se enuncia há quantos dias o jornal se encontra sob censura, depois de uma acção em tribunal interposta pela família de José Sarney.

http://www.estadao.com.br

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Saiu da cama sem o acordar. Eram 4h, como sempre. Nem precisava de despertador, tão automatizada já estava nos horários. Desceu ao pequeno ginásio particular e deu início à hora de treino diária. Subiu, tomou banho, arranjou-se. Roupa prática e elegante, como habitualmente. Foi até à cama e deu-lhe um beijo no rosto. Ainda podia deixá-lo dormir mais meia hora. Foi até à cozinha e viu se estava tudo em ordem para o pequeno-almoço.  Passou pela sala e olhou para a mesa impecavelmente preparada para a primeira refeição do dia.

Voltou aos quartos e acordou as filhas, com um sorriso e muitos beijos. Vá, vão lá acordar o papá. Saltaram para cima da cama, papá, papá, bom dia!Acorda, papá. Está na hora! Ele sorriu e o0lhou para a mulher. A força que ela tinha para manter a magia familiar era algo a que ainda não se habituara, mas que o fazia gostar mais dela a cada dia que passava.

Vá, todos fora da cama. O pequeno-almoço vai ser servido daqui a 15min. Meninas, quero as camas feitas. Querido, apressa-te que hoje tens a agenda cheiissima.

Tal como a dela. Beijos e abraços e levar as crianças à escola. Ir às instituições que estão ao seu cuidado. Passar pelo cabeleireiro e tomar umas quantas decisões para os próximos dias. Almoço de trabalho. Ir até ao gabinete e dedicar umas horas às burocracias, antes de mais um acto oficial em que tinha que estar ao lado do marido. Estava acordada há 14h com o mesmo sorriso, a mesma energia, a mesma segurança. Quando as crianças chegaram ajudou-as nos trabalhos de casa e teve com o marido a meia hora de conversa obrigatória, todos os dias. Há coisas que perdem a graça se nos esquecermos de as partilhar.

Há muita gente que te tem como exemplo!, querida. E eu cada vez tenho mais orgulho em ti! Obrigada por estares sempre tão no comando de tudo, disse-lhe com um sorriso cansado. Aquele era o melhor momento do dia. Em que se sentavam os dois na sua sala, ele descalço com os pés no pequeno tamborete, ela enrolada no sofá, ao seu lado, encostada ao seu ombro.

Eu é que agradeço, por me deixares ser tanto! Mas afinal, que seria de ti sem im?, respondeu-lhe com um sorriso brincalhão, enquanto se aconchegava melhor.

Os poderosos tambám precisam de mimos. De descanso. E de reconhecimento.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Michelle Obama estreia em lista das mais poderosas da “Forbes”

Fonte: Folha de São Paulo

http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u612303.shtml

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