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Archive for the ‘Na Nossa Agenda’ Category

alex total

Vou pegar nas coisas que tu disseste para começar o meu texto. Não me leves a mal o plágio, mas há coisas que as outras pessoas escrevem e dizem tão bem que nem vale a pena tentarmos mudá-las para tentarmos fazê-las brilhar mais do que brilham.

“Tínhamos um início de carreira e ele era perfeito. Passados 4 anos tudo mudou: se hoje o Sr Presidente quiser falar com o Marco tem de ir a Londres, se quiser conhecer a Joana, a Tatiana ou a Catarina tem de ir a Paris. Dentro de uns meses se quiser falar com o Rui pode ter de ir a Málaga, se quiser falar com o Mike terá de ir ao Rio de Janeiro, se quiser falar com a Daniela terá de ir a Hong Kong.”

Ontem disseste tudo. Vieste receber um prémio que te foi atribuído enquanto estavas fora, porque este país não te soube prender. Puseste a boca no trombone, seu sem vergonha, para uma coisa que nos angustia a todos. Falaste dos amigos que estão fora, dos outros que planeiam sair, pediste misericórdia, respeito pelo jornalismo. Aproveitaste o microfone para dizer verdades – uma coisa tão rara para a maioria que tem essa oportunidade – e falaste dos que te fazem falta, dos que foram.

Esta semana, numa entrevista sobre empreendedorismo – o palavrão que está na moda, que toda a gente usa mas que poucos sabem o que quer mesmo dizer – perguntava eu – acho que num tom já agressivo – se a pessoa em causa achava justo as pessoas novas, da nossa idade, terem que sair do país que não tem espaço nem oportunidades para elas. Dizia ele antes: ‘olhe que a emigração não é de hoje, que nos anos 60 já se emigrava muito’. ‘Olhe que não, que não é um drama que muitos fazem, que os jovens vão para fora para construírem carreiras apetecíveis’. E mandam postais, e marcam conversas de skype, e mandam prendas por correio nas festas de anos porque nem sequer podem cá estar. ‘Olhe que não, que até os meus filhos saíram há uns anos, bem antes de a crise ser tão grave’. E eu a insistir que não é justo a crise obrigar os de quem mais gostamos, que mais nos orgulham, a emigrar porque cá não têm hipótese. E, nos meus olhos, a ver a angústia e o desalento de quem adora um trabalho que não dá hipótese para mais nada: não dá tempo, não dá para uma casa arrendada, nem para grandes luxos, básico à parte.

Isto não é nostalgia. É real. Porque a Débora, a Catarina, a Rita, a Sara, foram mesmo embora. Despedi-me delas, dei-lhes abraços de até já, prometi-lhes visita. Foram embora porque a luz de Lisboa, os pastéis de Belém, o ‘bom dia’ em português e o conforto da casa dos pais ao fim-de-semana não chegaram para as prender cá. Foram à procura de uma coisa melhor (e quem as pode condenar?). Hoje estou em modo Alex total. Porque acordei com a sensação de que o teu jornalismo ontem – além de falar de todos os teus amigos que Cavaco não poderá conhecer se não viajar – contou a tua história. Porque ele não teria a oportunidade, a sorte, de te conhecer, se não fosse o prémio. Ou então, tinha de meter-se num avião a caminho dos States.

Um dia não serão precisos prémios para nos trazer de volta a casa.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do Alex.

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Casa

É casa aqui. É casa no aconchego do teu abraço, no repenicar do teu beijinho, no calor do teu olhar. É casa quando te leio. É casa quando ligas, quando te sinto no fundo do telefone, um sorriso. É casa quando estás aqui e também quando não estás mas parece que estás porque nunca deixas de estar. É casa quando apareces depois de fingires que desapareceste, quando convidas para jantar de surpresa e esperas que eu leve o vinho. É casa quando telefonas no caminho para perguntar como corre a viagem, casa quando sinto a orelha vermelha porque estás a pensar em mim. Casa quando passo a ser palavra nas tuas frases. É casa sempre que estás e te sinto. Casa quando escreves, quando cantas, quando me apresentas uma música de que gostas muito e da qual eu nunca ouvi falar.

É sempre casa quando me citas um verso de cor e eu calo o final da frase – mesmo que a saiba – para tu sentires que brilhas para mim. É casa quando escondes o olhar de esguelha que queres que eu não veja.

É casa quando me negas um beijo que depois de dás em troca de outro. É sempre casa quando olhas para mim, quando os teus olhos percorrem os meus lábios e sorriem às minhas palavras, mesmo que não faças ideia do que falo ou porque o digo. É casa quando os teus olhos dizem que sim ao que a tua boca diz que não, porque é casa conhecer-te melhor a cada passo. Casa sempre que ameaças abraçar-me e cumpres a tua promessa. É casa a sensação de te conhecer hoje melhor do que ontem e pior do que amanhã, porque a doce expectativa de ver em ti aquilo que eu procuro é sempre quente. É casa sempre que penso em ti. Porque é sempre casa quando chegamos e nos sentimos bem. E tu és esse sítio.

É casa quando chego, casa quando cheiro, casa sempre que tu estás, onde tu estás. É casa quando tenho saudades e sempre que as mato. É casa em ti.

Entrada na nossa agenda a propósito de coisa nenhuma, senão isto.

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Não, não és má amiga. Mas tens falta de tempo. E isso às vezes é chato. Porque te sentimos a ausência de forma mais particular. Gostava que pudesses jantar e lanchar sempre comigo quando te proponho. Na maior parte dos dias não podes. Sei que o não fazes por mal, mas porque tens o tempo contado. Mas às vezes temo que te estejas a perder em caracteres diversos e esqueças que os beijos e os abraços também te dão a ganhar. Não em euros, é certo, mas em conforto.

Às vezes precisamos dos teus beijos e dos teus abraços. Ou somente da tua presença, que tu não és lá muito dada a carinhos. Mas não faz mal. Porque a tua presença enche uma casa de sorrisos e de boas energias. Apreciamos a tua presença ao jantar, mesmo quando falas menos do que nós – quase sempre – e te ris dos nossos disparates. Não, minha querida, tu não és uma má amiga. Bem pelo contrário, és uma das melhores.

Mas não te esqueças de arranjar, mesmo que na tua agenda mega cheia, um tempo para podermos ter-te presente, não porque te sentimos, mas porque te vemos. Pode ser?Prefiro-te cinco minutos em físico que uma hora em caracteres. E por isso mesmo, por seres tão boa amiga, nos fazes falta. Aqui ou em Londres ou em qualquer outro recanto do mundo.

:*

Entrada na Nossa Agenda a propósito da falta de tempo que, entre outras coisas, nos tem mantido longe deste blogue.

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Ano Novo

Tempo. Foi a palavra do ano e temo que continuará a sê-lo em 2012. Por entre tempo – que demos, que partilhámos, que fizemos render – o tempo foi e será sempre o nosso melhor amigo. Devido ao ‘tempo’ nasceu o nome de um blogue que pouco tem estado na nossa agenda. Porque a nossa se encheu de riscos, de entrevistas, de projetos, de problemas, de soluções, de desafios que nos roubaram mais tempo do que aquele que achámos que seria necessário para fazermos a vida com que sempre sonhámos.

O tempo é caprichoso: exige-nos disponibilidade, rouba-nos liberdade, ocupa-nos os dias já atarefados e, mais do que tudo, deixa-nos pouco para pensar. É difícil gerir algo assim porque nos foge ao controlo: consentimos que nos consuma os períodos que destinámos aos amigos, à família, ao trabalho. O tempo que destinámos a nós. A estarmos connosco.


Mas foi também o tempo – escasso, precioso – que nos trouxe aqui. Que nos juntou, quatro mãos com pouco tempo e que tentam sempre roubar algum ao que ainda nos sobra. Quatro olhos que tentam ver para além dos minutos, dos segundos que teimam em passar mais depressa quando o mundo parece girar a um ritmo mais rápido do que o normal.

E apesar de o tempo não ter abundado, os nossos olhos não deixaram de passar – e de querer contar –  pela deposição e morte de alguns dos ditadores mais famosos do nosso século: Mubarak, Kadhafi, Ben Ali, Kim Jong-Il. Emocionámo-nos com as celebrações dos dez anos do 11 de Setembro. Chorámos a ausência da poderosa voz de Amy Winehouse. Lamentámos a perda da genialidade de Steve Jobs. Aplaudimos a morte de Osama Bin Laden. Mas arrepiámo-nos com os momentos desumanos que a antecederam. Cantámos – ainda que em silêncio – a voz calada de Cesária Évora. Contámos os presentes no ‘Occupy Wall Street’. Fechámos a cortina a Elizabeth Taylor. Espantámo-nos com o caso Strauss Khan, Angustiámo-nos com os tumultos em Atenas. Saímos à rua com os indignados em Lisboa. Quisemos estar na Líbia. Acenámos aos noivos reais britânicos. (E suspirámos por um amor assim.) Convidámos amigos para celebrar aniversários. Celebrámos aniversários de amigos. Demos beijinhos e abraços a quem mais gostamos e quisemos estar mais, revoltámo-nos com a ausência muitas vezes forçada e tantas vezes angustiante.

Tentámos ser, com o pouco tempo que nos sobra, um pouco do tempo que vos ocupa. Feliz Ano Novo!

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Aniversário três #5

Hoje é a nossa vez. Acaba a semana de comemorações. Obrigada. E parabéns a nós. Cá vai, pelas duas. *

Imaginámo-la primeiro, já crescida, com histórias para contar. Como aquelas caras cheias de rugas, que algumas mulheres tentam disfarçar com pó da cor da pele, aquelas cabeleiras com brancos pintados de outra cor mas onde se vê que as raízes têm anos e anos de vida. Sabes que as coisas mais bonitas são as feitas por nós? Porquê? Porque são nossas. E nós não somos como aquelas miúdas que acham que a galinha da vizinha é sempre melhor do que a delas. Porque quando nos apetece encontrar-nos, mudamos de planos, apanhamos táxis, fazemos trinta por uma linha. Saltamos entre pingos de chuva ou entre raios de sol, arranjamos desculpas por telefone e sorrimos na rapidez de um segundo – se só tivermos um para partilhar. Porque quando temos prazos que cumprir, dormimos menos, acordamos mais cedo, bebemos mais cafés, abdicamos de ler os jornais. Partilhamos trabalho em horas de jantar curtas – como todas – e vamos pela noite dentro, se preciso for. Que ela é boa conselheira e é no seu silêncio que melhor nos mexemos entre sinais de pontuação e imagens alheias. É que o mais importante é cumprir os compromissos que assumimos, aqueles que escrevemos na nossa agenda, os que sublinhamos com marcadores fluorescentes ou os que escrevemos com cores mais garridas. Aqueles que assumimos connosco e com os outros e com as estórias que nos cruzam o caminho.
Depois, criámo-la pequena, recém-nascida, sem arquivo, só com planos. Começámos com cadência certa, entre vírgulas e pontos finais, e continuámo-la sem a interferência de um oceano pelo meio. Notou-se que viajámos, que vimos outras coisas. E basta reler os primeiros textos para perceber o quanto crescemos – e como crescemos! O quanto mudámos a nossa maneira de falar, de ver as coisas, de olhar em volta, de nos relacionarmos com os outros. O mais interessante da nossa agenda – a nossa terceira agenda (cujo quarto ano inauguramos agora ) – é aquilo que ela reflecte de nós.
Dos nossos dias, da nossa falta de tempo, da nossa inspiração, na nossa vida. Dos olhares dos outros mas tanto dos nossos, da nossa correria, dos nossos pensamentos e dos nossos sorrisos (que isso é coisa que não mudou. Os sorrisos. Continuamos a sorrir como há três anos, ainda que com mais cansaço e eventualmente mais uma ou outra ruga de expressão).
É isso mesmo. Há três anos que esta agenda reflecte a nossa vida. Vivida a quatro olhos. A quatro mãos.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do 3º aniversário.

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Mais um dia de comemorações, mais um presente especial. A Débora (que, acho, mal conhece a Margarida) escolheu dois textos publicados nestes três anos. E sim, hoje é o dia. Criámos o Na Nossa Agenda faz hoje três anos. Certinhos. Mas amanhã há mais festa.

Cá vai. Gosto muito do conceito deste blog, vocês deviam divulga-lo mais!! Até já eu olho para as noticias de outra forma. 🙂

Lisboa Menina e Moça

Pelo sabor a Lisboa com um aroma de Nova Iorque. Porque Nova Iorque é sonho mas Lisboa será sempre Lisboa.
Enquanto leitora emigrante este texto faz-me recordar o orgulho que tenho das minhas origens, apesar das razões que me levaram a deixá-las. Tem as cores do Tejo, da bica, dos croissants… e sobretudo cor de Casa.

Taxi Driver

Por ser um texto ao estilo (alucinante) da Mariana. Senão vejamos: conduzir, família, jornais, querer saber sempre mais. Trabalho com paixão. Conversas dentro do táxi. Seja de dia ou de noite, o que importa e que ela vá a caminho de alguma coisa. Só que, por acaso, a Mariana vai sempre sentada no banco de trás.”

Obrigada Deb. *

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E ao terceiro dia, outro presente. Uma leitora atenta, uma fã que faz corar e uma miúda que é das mais amiga, especiais s e divertidas que conhecemos. Mais um presente especial. Obrigada pela paciência, pela visão diferente e, sobretudo, pela amizade. Obrigada Teresa.

“Estou com o Luís Baptista: É tramado, este convite! Só não digo que vem envenenado, porque é um prazer ler, reler, e re-emocionar-me com os vossos textos.

Pressão enorme, esta de escrever no vosso espaço de mestria literária… e para além da dificuldade na escolha dos textos, existe também a urgência de mudar as regras, para não magoar duas amigas… vocês são as duas TÃO igualmente boas que, lamento, vou iniciar um post de indignada e marchar em forma de pura desobediência em relação ao convite endereçado!

De cada uma escolho não um, mas DOIS textos, aqueles que me puseram a pensar: “raios, quem me dera ter pensado isto e desta forma”! De seguida, ainda os esquartejo e divido em dois grupos, o grupo da tragédia e o grupo da esperança… confusos? eu também, mas vamos todos acreditar que isto no fim vai fazer algum sentido!

O grupo da tragédia é tão importante como o da esperança…. porque uma das coisas que gosto no vosso blog é a abordagem das tristezas que nos assolam! Hoje em dia ninguém olha para a tragédia, ninguém quer aprender com ela… vocês retratam-na de uma forma que me comove, com a poesia que me realça a compaixão, e o lirismo de quem sabe que o hoje e todas as experiências da vida são para ser tratadas com carinho, não vá o diabo tecê-las…    
 
Doeu-me o coração quando li isto… volta-me a doer de cada vez que releio… é dos posts mais duros de uma pessoa geneticamente gentil… mas há posts que têm de ser escritos assim, há realidades tão cruéis e desnecessárias que só podem ser pintadas com brutalidade!
Não sei como é estar naquele lugar escuro, mas já tive uns quantos lampejos da vida de hospital… e o melhor combate ao abandono é descrevê-lo com fidelidade, por vezes chocante… como ela o fez.
O vosso blog também é recheado de esperança… esperança para dar e vender. A esperança de fazer a diferença tem sido concretizada em realidade. Os vossos textos fazem diferença na minha vida, e os vossos leitores ficam diferentes depois de passarem aqui no vosso “modesto estabelecimento virtual”. A esperança neste “estaminé” é de uma candura que comove!
 
A esperança no caos, o medo e a adrenalina… balas esvoaçantes panelas fazendo parte do cenário… há um nonsense neste post que imita o nonsense de uma favela… a vida rotineira lado a lado com o crime, os milhões sem voz, a impunidade de neo-bábaros… até que um dia surge a esperança, num colectivo e Brasileiro “vamo qui vamo”… um post brilhante de quem ama o Brasil, e sabe que neste povo há uma eterna generosidade.
Esperanças des-sintonizadas… esperanças que chegam tarde demais, esperanças de receber mais… a complexidade da vida de casal, o ponto onde tudo desaba, mesmo que na altura não se suspeite… a gota de água… e de shampôo… uma radiografia ao cérebro masculino e feminino, um tratado sobre relacionamentos! Que nos surpreende e deixa de queixo caído.
E pronto, para os que viram sentido nisto tudo, obrigado por terem chegado até ao fim, para os outros, mil desculpas e o conselho de lerem o blog, que é bem mais claro do que eu… para elas, um grande beijinho de parabéns, e o desejo de muitos mais posts nesta mágica e poética agenda!!!”
Obrigada. *

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