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Posts Tagged ‘portugueses’

Falem bem, caramba. Não se diz “há quatro anos atrás”. Tenham vergonha. Não dêem a emigração como desculpa para a abstenção num país de greves mensais e de queixas hora a hora. Num país assim, as pessoas deviam fazer fila à hora de abertura de urnas, porque sentem que há alguma coisa para mudar e porque têm o direito de se sentir participantes de um sistema que podem mudar. Não, não e não. Não venham com histórias de que a chuva e a praia e o vento e as dores de barriga e o preço da gasolina e o raio que o parta são desculpa para não irem votar. Tenham tino. Deixem de se queixar das irresponsabilidades dos políticos e olhem mais para dentro. Quantos, de vossa casa, têm mais de 18 anos e foram votar?

Olhem para os números: já bastam os declarados mortos que estão vivos e os mortos-vivos chamados às urnas. É assim tão grande o esforço de largar o Facebook e voltar àquela escola primária onde aprendemos a ler para sentir que também nós somos responsáveis pelo nosso futuro? Basta. Chega desta apatia desmedida que nos retira a capacidade de sermos mais. Chega de dar desculpas esfarrapadas para não fazer aquilo que nos cabe. Todas as razões são boas para sair de casa, e esta ainda melhor. É nestes dias em que podemos contribuir para alguma coisa que devemos fazer uso do nosso egocentrismo diário: sair de casa por nós.

Está tudo bem com as pessoas? Já chega de deixar a nossa vida nas mãos dos outros e, por cima disso, ainda dizer que não podemos fazer nada. A culpa disto também é nossa, muito nossa. Será que ninguém se dá conta? Caramba, que autoridade a nossa de estar sempre a criticar sem tentar olhar para o outro. Mexam esse rabo. E não me venham com histórias.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito disto. Que tristeza.  

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Não suporto o cinismo e a incredulidade. Aqueles que se entranham na pele e nos fazem mais pálidos só porque lhes passamos ao lado. A facilidade do pessimismo que tolda o pensamento faz-me, quase todos os dias, pensar em algo que para muitos é quase ofensivo: tenho pena de ter nascido em Portugal. Não pelo País, em si. Portugal tem o melhor clima de sempre, uma costa lindíssima, boa comida, bons vinhos. Mas aos portugueses falta-lhes a clarividência. A vontade.

Enquanto descia a Avenida, saia comprida e botas nos pés, o sol rompendo a medo umas semi opacas nuvens, sentiu a cara molhada. Há muito tempo que não sentia o ‘clique’ do encaixe. Tudo é um drama.  Tudo é difícil. Tudo é problemático. Como se também ela não tivesse os problemas de todos os dias. Somos sempre os piores, só sabemos imitar bem, não criamos, não somos, não sabemos.

Contou, e chegaram-lhe os dedos das duas mãos, os portugueses que esboçavam um sorriso. Que andavam, pelo menos ligeiramente felizes. A desesperança sentia-se no ar enquanto apressava o passo, sedenta de que o ar do rio lhe pudesse aliviar a dor da alma. Não quero estar aqui, repetia, incessantemente, quase cantando a mesma melodia. Não quero estar aqui. Não quero estar aqui.

Sabia-se mais.Sabia-se melhor. Sabia que os portugueses eram mais do que aquilo que diziam. Que queriam ser. Tinha a certeza – sabia-o como a si mesma – de que havia portugueses fantásticos no mundo. De que a vida lhe tinha mostrado isso com as pessoas com quem se tinha cruzado. E de repente aquele som, inimitável, de um ‘email’ a chegar.

Abriu um sorriso. Eu sabia, murmurou. E reviu, vezes sem conta, aquele vídeo que – lá está, ninguém queria saber – também falava português.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da campanha ‘Retratos da Real Beleza’, da Dove.

 

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