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Posts Tagged ‘eleições’

Falem bem, caramba. Não se diz “há quatro anos atrás”. Tenham vergonha. Não dêem a emigração como desculpa para a abstenção num país de greves mensais e de queixas hora a hora. Num país assim, as pessoas deviam fazer fila à hora de abertura de urnas, porque sentem que há alguma coisa para mudar e porque têm o direito de se sentir participantes de um sistema que podem mudar. Não, não e não. Não venham com histórias de que a chuva e a praia e o vento e as dores de barriga e o preço da gasolina e o raio que o parta são desculpa para não irem votar. Tenham tino. Deixem de se queixar das irresponsabilidades dos políticos e olhem mais para dentro. Quantos, de vossa casa, têm mais de 18 anos e foram votar?

Olhem para os números: já bastam os declarados mortos que estão vivos e os mortos-vivos chamados às urnas. É assim tão grande o esforço de largar o Facebook e voltar àquela escola primária onde aprendemos a ler para sentir que também nós somos responsáveis pelo nosso futuro? Basta. Chega desta apatia desmedida que nos retira a capacidade de sermos mais. Chega de dar desculpas esfarrapadas para não fazer aquilo que nos cabe. Todas as razões são boas para sair de casa, e esta ainda melhor. É nestes dias em que podemos contribuir para alguma coisa que devemos fazer uso do nosso egocentrismo diário: sair de casa por nós.

Está tudo bem com as pessoas? Já chega de deixar a nossa vida nas mãos dos outros e, por cima disso, ainda dizer que não podemos fazer nada. A culpa disto também é nossa, muito nossa. Será que ninguém se dá conta? Caramba, que autoridade a nossa de estar sempre a criticar sem tentar olhar para o outro. Mexam esse rabo. E não me venham com histórias.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito disto. Que tristeza.  

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TragiComédia

Impossível. A palavra ecoa no ar, com o tom de surpresa que teima em não abandonar o espaço numa altura em que todos acreditavam num outro desfecho. Impossível, o grito de espanto, de revolta em algumas ocasiões. De repente, a pizza pode passar a ser um problema e as massas a voltar a fazer manchetes. Bunga-bunga é outra expressão que ensombra o ar, qual trovão longínquo em dia de tempestade que se adivinha.

Do lado de fora, multiplicam-se as exclamações. As esperanças desmoronam-se e os fantasmas do passado voltam a tomar forma, como se de formas compactas se tratassem. Mais incerteza, mais insegurança, mais um momento ‘ingovernável’. A calma que parecia, de alguma forma, estar a ser mantida, é ameaçada por mais festas, mais disparates, mais loucuras daquelas de que são feitos os sonhos de quem não sente o peso da responsabilidade. A comédia. O disparate. O bizarro. Impossível. A palavra é repetida até à exaustão como se pudesse desaparecer ao ser repetida muitas vezes. E agora? E agora?

Agora o tempo dirá para que lado penderá Itália. Uma Itália desfeita, sem rumo. Uma Itália entregue à comédia. Uma Itália que se espera que não se tenha entregado a tragédia.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

http://expresso.sapo.pt/grillo-venceu-mas-nao-quer-ser-parte-da-solucao-italiana=f789710

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Olhos fixos nas mãos que conhece tão bem. Há tanto anos. Enquanto esboça um sorriso sente as rugas a formarem-se nos cantos dos olhos. Cansados. Envelhecidos de tão pouco tempo que pareceu uma eternidade. Segura-lhe na mão com força e pergunta: tens a certeza de que conseguimos fazer isto novamente?

Ela olha, sorriso doce, cabelo caído como só permite na intimidade uma casa que já chamam lar: não faz sentido que o não faças. Que o não tentes. Que o não tentemos.

Lá fora ouvem-se os risos das crianças, já não tão crianças e os latidos do Boo. Ele olha em volta e respira fundo. Nas fontes, o cabelo grisalho de quem viveu para os outros quatro dos mais difíceis anos da vida de um mundo inteiro. Nem sempre com sucesso. Nem sempre tomando as melhores opções – sabe-o! -, nem sempre conseguindo fazer ouvir a sua voz no meio de um aparelho maior do que ele próprio.

Aperta aquela mão, macia, forte, que sabe sua aconteça o que acontecer. Levanta o olhar, exausto, com um último e vívido lampejo de força, de esperança, de compromisso. Sabe que não há escapatória. É o que quer fazer. É o que sente que deve fazer.

Yes, we can, diz. Yes, we can. Again!, repete. O sorriso volta-lhe ao rosto. A força ao olhar. A máquina está em movimento. Mais uma vez.

Entrada na Nossa Agenda a propósito das eleições presidenciais nos EUA, em Novembro de 2012. Obama é o único candidato democrata. Os Republicanos estão em campanha para escolher o candidato que enfrentará o atual presidente na corrida à Casa Branca.

 

 

 

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Adeus!

As coisas não estão para brincadeiras. Toda a gente sabe disso e sente-o na pele, todos os dias. É preciso trabalhar, lutar, manter um sorriso nos lábios e continuar a trabalhar. E a lutar. E a manter um sorriso nos lábios.

Foram anos difíceis, duros, mas cheios de alegria, também. Anos de muita felicidade, em que percebi finalmente que liderar pessoas não era só vantagens. Nem eram só facilidades. Era, acima de tudo, dormir pouco, pensar muito, rodear-me dos melhores e tentar perceber uma vida que não é a minha. Nunca foi. Não sei o que é chegar ao final do mês sem dinheiro para o supermercado. Não sei o que é esperar subsídios. Não sei o que é sentir o peso dos impostos em tudo o que faço.

Mas sei que tentei. E que dei o meu melhor, mesmo que muitos tenham dito o contrário. E mesmo que o meu melhor não tivesse melhorado nada. Mas tentei.

E agora saio, cansado, semi-derrotado por não ter conseguido fazer mais e melhor. Saio para dar lugar a sangue novo e a ideias novas. Saio para descansar do mundo e da vida. E passo a ‘batata quente’ a outros, que, seguramente, poderão fazer mais e melhor. Acredito nisso.

Adeus. Obrigado por tanto. Adeus.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia

Zapatero dice adiós

http://www.eldiarioexterior.com/zapatero-dice-adios–39391.htm

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O som veio lá do alto. Como todos os dias. Ecoava pela cidade para acordar para mais um dia de trabalho. De vida. Hoje era diferente. Hoje era o primeiro dia do resto da sua vida, mas tudo começou como sempre.

Pela janela a torre erguia-se imponente, em todo o seu esplendor, em toda a sua majestade. Símbolo de força para o mundo. Sinónimo de final, para ele.

Pegou no jornal e sentou-se à mesa do pequeno-almoço. Sorriu agradavelmente para a empregada que lhe serviu o café e contraiu os músculos da cara. Não se sentia bem. As mãos, frias, agradeceram aquela chávena quente mas o coração continuava gelado. Como o dia.

A decisão seria somente oficializada porque sabia o que todos pensavam. Falhara. Redondamente e sem retorno. Falhara naquilo que mais deveria ter feito bem, mas não conseguia sentir remorso. Sentia tristeza, somente. Por não ter conseguido ser melhor. Por não ter sabido. Por não ter concretizado.

Sim, o dia ia continuar cinzento. A semana, talvez. Mas ele já não teria aquele monstro sempre pontual a olhar para ele. Ia viver novamente no anonimato do seu cubículo. Cinzento, como o dia lá fora.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

UK election scramble for undecided vote

http://www.ft.com/cms/s/0/7e8dac80-5874-11df-9921-00144feab49a.html

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As folhas em branco repousavam sobre a mesa.  O professor esperava o toque da campainha para iniciar a distribuição dos exames.  Virados para baixo, para que ninguém começasse a prova antes do tempo estipulado. Ao segundo toque o “ruge-ruge” das folhas a serem viradas e a ansiedade a transparecer em cada rosto nervoso.  Numa secretária uma garrafa de água.  Na outra um chocolate. Em todas elas os Bilhetes de Identidade. Os primeiros sorrisos de alívio depois de uma passagem rápida por todo o enunciado. Os grandes fantasmas estavam de fora. Assim seria fácil. Tal como tinham previsto. Em ano de eleição nunca falha.

Para os repetentes, foi o prémio da lotaria. No ano anterior tinham tido vontade de chorar à primeira pergunta. Agora facilmente fariam todas. E mais, conseguiriam boas notas. Sem qualquer dúvida. É a vantagem. Quando corre muito mal num ano, no ano seguinte safamo-nos sempre. Ninguém quer um país em que a média das classificações na disciplina da línuga materna é 10…

José Saramago e Luís de Camões ficaram nos livros. Em casa.  Nem uma espreitadela aos exames dos quase-universitários. As eleições estão à porta. E a média dos últimos exames de português faz corar qualquer português que se preze – atenção, que se preze! Por isso, o mais fácil é mesmo tabelar por baixo. Se o exame for mais fácil todos tiram boas notas. Ficam contentes. Votam em quem lhes facilitou a vida. As notas sobem. As entradas nas universidades também. E o número de propinas.

Se é uma boa solução para todos, deixemos Luís de Camões descansar das suas aventuras e desventuras e José Saramago continuar a escrever bons livros.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Exames nacionais
Professores de Português consideram que prova não repetirá “resultados catastróficos” 

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