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Posts Tagged ‘Barack Obama’

Há um oceano entre nós.  Dos grandes. Séculos e séculos de tradição separam duas famílias que têm tanto de diferente no estar como na expressão dos olhos ou no tom de pele. Há séculos e séculos de História – tantas vezes cruzada, nem sempre pelos melhores motivos – que nos separam. Que nos fazem parecer estranhos quando na verdade temos tanto em comum como o cargo que ocupamos.

Ela ocupa um dos mais antigos tronos da Europa. E eu a liderança da maior economia do mundo. Ela atravessou décadas e Governos. Eu, guerras e crises. Ela mantém-se firme no seu posto como se estivesse na meia-idade. Eu tento aguentar-me, tão honradamente quanto possível, estando, precisamente, na meia-idade.

Há um oceano entre nós. E anos, muitos anos. Há experiências, diferenças, mortes, casamentos, valores, atitudes…há muita coisa que nos separa. Mas quando lhe olho nos olhos, naqueles olhos cheios de vida ainda que cansados dos anos que teimam em passar por si, sei que é muito mais aquilo que nos aproxima.

É a ela que devo a honra de ser o primeiro presidente dos EUA a discursar na sua residência oficial. De ser o primeiro presidente dos EUA a cometer gaffes com o brinde. De ser o primeiro presidente dos EUA a conhecer a sua nova família depois do casamento mais aguardado do século. De ser. E de estar.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da visita do presidente Barack Obama ao Reino Unido.

http://www.bbc.co.uk/news/uk-13537972

*A um Oceano de distância

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Um dia acreditámos que era possível. Acreditámos, ainda sem saber o que a vida nos reservava, se estaríamos longe, pert ou assim-assim.

Acreditámos com a alegria ingénua das crianças que sonham. Que sonham com força, com toda a sua alma e o seu coração. Acreditámos, porque acreditamos que os sonhos são possíveis. Mesmo que os outros os não percebam!, mesmo que sejam só nossos, que sejam tontos, que pareçam disparatados aos olhos de quem os vê ou ouve – mas não os sonha. E isso faz toda a diferença.

Sonhámos, acreditámos, lutámos, trabalhámos, duvidámos, hesitámos…e no final estávamos lá. As duas. A quatro mãos, como nas vezes em que eram só sonhos e crenças de crianças que afinal são crescidas. As duas. A quatros mãos, como aqui.

“Porque se todos os sonhos são possíveis…então todos são passíveis de se concretizar!!!! Porque remar contra a maré a duas… é difícil mas é possível!”

E foi!

 

Entrada na Nossa Agenda a propósito da presença de Barack Obama na Cimeira da NATO, em Lisboa.

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Congrats

Acordou, como sempre, de madrugada. O tempo ou o sol ou que fosse não o deixava dormir manhã adentro. Há anos que era assim. Esticou o braço para o lado e sentiu o vazio de uma cama que era para dois. Sentiu falta dos risinhos barulhentos que enchiam a casa e o coração a cada despertar, a cada manhã.

Levantou-se e olhou para o céu azul que adivinhava mais um dia de sol e de trabalho. Depois do ginásio, arranjou-se enquanto delineava o plano diário. Sabia onde queria jantar. Nem que o céu caísse sobre a sua cabeça, ao menos isso ia fazer. Escolher uma das actividades diárias não lhe parecia pedir muito.

Enquanto descia as escadas sorriu e voltou a sentir a falta das mãozinhas pequeninas que geralmente o acompanhavam. Mas havia objectivos maiores, este ano. Era preciso ficar e mostrar como se fazia um país. Com sacrifícios, com cedências, e com força de vontade.

E acima de tudo, com amor. Como dizia Oscar Wilde, pensou, ‘só o amor, qualquer que seja a sua natureza, pode explicar o enorme sofrimento que há no mundo’.

O sorriso abriu-se-lhe quando, ao entrar na sala ouviu uma gravação preparada pelos leais empregados que passavam com ele mais um ano. Happy birthday Mr. Presideeeeeent, cantava aquela voz tão conhecida.

E riu com gosto, ao perceber que as missões mais cobiçadas são também as mais difíceis. E recompensadas.

Entrada na Nossa Agenda a propósito do 49.º aniversário de Barack Obama.

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Os outros

“Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.”

Sophia de Mello Breyner Andresen

Os outros agiram muitas vezes por medo, outras tantas por vaidade. Vários foram corajosos, mas esqueceram o brilho no olhar. Minto. Talvez um ou outro possa rivalizar com a força que agora emanas a cada palavra proferida.

Os outros calaram-se tantas vezes quando era preciso gritar. Ficaram vozes surdas, mudas, vazias, perdidas no vendaval em que o mundo andou porque calaram. Por medo? Por coragem? Por sabedoria?

Os outros não tinham a tua presença. Nem a tua estatura. Nem a tua inteligência e a tua candura. Os outros mostravam-se altivos, tu mostras-te humilde. Os outros agiram sem ter, tantas vezes, em conta quem estava em redor; tu escutas. Os outros preferiram a fama ao trabalho. A popularidade ao efectivo. Tu preferes a justiça. E a verdade.

Os outros podem ter sido melhores e piores. Mas tu és diferente! E isso basta…

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Obama levanta la prohibición que impide la entrada en EE UU de seropositivos

La restricción fue establecida hace 22 años, en época de Reagan

 http://www.elpais.com/articulo/sociedad/Obama/levanta/prohibicion/impide/entrada/EE/UU/seropositivos/elpepusoc/20091030elpepusoc_14/Tes

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Inventa-se de tudo um pouco hoje em dia. Há carros alimentados a chocolate, grandes pontes suspensas sobre fios, estranhas criações e pessoas que se relacionam friamente com outras. O mundo é desconhecido quando se chega. Testam-se limites, como se o desafio fosse apenas e só experimentar o mais possível. E se das experiências não vier nada de novo, se dos erros não se aprender a tirar o maior partido das coisas, isso não é impedimento para continuar a percorrer o caminho. É tão e só uma maneira estranha e passiva de viver. Continua-se porque sim.

Vive-se de promessas. Os políticos prometem um mundo melhor, sem desigualdades de maior e onde todos podem viver em paz e sossego. Os médicos exaltam investigações extraordinárias que podem abrir caminho a um conjunto de descobertas que mudem a vida e a maneira como se encara o mundo. Os comuns prometem-se todos os dias serem mais e melhores, vencerem obstáculos próprios, serem o melhor possível. E um prémio que vem assim, pouco mais de um ano após o vencedor entrar no mundo mediático, soa a estranho, neste mundo onde as promessas nem sempre são reais. A mim, não me soa a efectivo. Soa-me a antecipação de um futuro melhor. Um Nobel por antecipação. Um incentivo. Um prémio pelas promessas que se avizinham.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito do Nobel da Paz, anunciado cerca das 10 horas de hoje (em Lisboa), em Oslo.

GALARDÓN | Anunciado en Oslo

Obama, Nobel de la Paz

http://www.elmundo.es/elmundo/2009/10/09/internacional/1255078949.html

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Estava frio quando saiu, naquela manhã. Aconchegou o cachecol e fechou o último botão do casaco. Ainda bem que vim de botas, pensou enquanto estugava o passo até ao carro. Bom dia, senhor, sorriu-lhe o motorista, respiração gelada e luvas de pele, encolhido no grande sobretudo de pele. Bom dia. Pode colocar o carro pertinho da porta? Está frio para as crianças virem até aqui.

Elsa sairam, só quase olhos debaixo de tantos agasalhos. Adeus, mãe, até logo. Quando chegaram à escola, o páteo era um mar de cor. Gorros e cachecóis verdes, amarelos, vermelhos, azuis, às riscas e às bolinhas. casacos compridos, botas de borracha. Ele sorriu para elas e seguiu viagem que o dia ia ser longo. Para variar.

(…)

Querido, tens a certeza de que é preciso ires de botas?, disse-lhe ela em ar de graça. Claro, como não? Viste o frio que estava ontem? Ia gelando da porta até ao carro.

Abriu a porta de casa e sentiu um bafo quente. Não era Verão, mas parecia claramente que a Primavera se tinha antecipado e que decidira fazer-lhes uma surpresa. Ia morrrer de calor se repetisse os agasalhos do dia anterior. Meninas!, troquem de roupa!! Está demasiado calor para botas e luvas, hoje.

A caminho da escola pensou em como tudo muda tão rapidamente. E em como ele, agora, tinha o poder de fazer alguma coisa para ajudar. Sim, faria parte das prioridades da agenda. Mais um erro da administração anterior para corrigir, mas, apesar de já ser tarde, era pior se não fizesse coisa alguma.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Conferência sobre o clima na ONU
Obama diz-se “determinado” a combater aquecimento global 
 
 

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Como?

Ah!, e não te esqueças do mais importante, sim?No cimo de tudo, por favor. Não se lembrava de umas férias em que a frase fosse diferença. Ele arrumava todas as malas, escolhia a roupa, os sapatos…mas deixava sempre para ela aquilo que considerava mais importante. Ela nunca entendera porquê. Ele nunca lho explicara, mas saía com o sorriso misterioso e apaixonado que mantinha há tantos anos. Nada como partilhar os objectos mais importantes com as pessoas mais importantes.

As crianças corriam e divertiam-se na areia, bem protegidas pelos chapéus e pelo protector solar aplicado regularmente. Ela lia uns artigos que ficaram esquecidos na secretária durante tanto tempo. Ele olhava, quieto, para a mesa onde se empilhavam os livros seleccionados para as férias deste ano. O ritual repetia-se ano após ano. Quando toda a família já estava entretida ele olhava para as escolhas literárias do ano. Durante muito tempo. Decorava cada lombada, relia cada contracapa.  Era-lhe difícil escolher por qual começar. Ficção? Política? Relações familiares? Ambiente?

Recostou-se na cadeira e sorriu. Pegou num ao calhas. Como sempre fazia depois de destruir a pilha e espalhar todos os livros em cima da mesa. A mulher sorriu ao vê-lo fazer aquele gesto tão conhecido. Não importa, mesmo. Vou querer lê-los a todos. Como alguém pode passar sem livros? Estórias? Entrecruzar de vidas contadas com palavras e imagens imaginadas. Como?

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Veja a lista de livros que Obama levou para as férias

Fonte: i

http://www.ionline.pt/conteudo/20170-veja-lista-livros-que-obama-levou-as-ferias

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