O sol batia-lhe, quente, na nuca, enquanto olhava o campo, mais uma vez. O verde entranhava-se-lhe na pele como se fosse parte dele. Respirava-o, sentia-o. Girou sobre si e ficou de frente para o sol. Aquele sol que todos os dias lhe dava força para continuar. Para mais uma tentativa. Mais um esforço.
São as dificuldades que nos tornam melhores. Que nos fazem ser mais. Que nos mostram se vale a pena.
Todos os dias tomava aquela decisão. Mais uma. A de continuar a viver e a ser feliz. Não com as memórias dos tempos áureos, mas com a esperança no que ainda podia ser o seu futuro. Mais uma tacada. Certeira, como sempre. O futuro tinha o perigo do incerto mas a beleza da felicidade. Nova tacada. Certeira. Não sabia para onde caminhava. Nem tão pouco durante quanto tempo seria capaz de o fazer. Mas sabia que tinha de continuar.
A vida é demasiado curta. Vivê-la, em pleno, é dar-lhe a importância que merece.
Continuaria a lutar, como sempre fizera: pelo trabalho, pelo amor, pela vida. Franziu os olhos, olhou para a bola e nova tacada. A vida podia ser só isto: sol, verde e um futuro risonho pela frente, pensou. Viver cada dia como se fosse o último. Sem deixar o que quer que seja para amanhã.
Mais uma tacada. A última. Elegante, firme, brilhante. Como ele próprio.
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La estrella más brillante se apaga
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