Acordou, o sol tinha acabado de nascer. Olhou para o mar, brilhante da luz reflectida nas águas, e sentiu a respiração compassada ao seu lado. Sem fazer barulho foi até à varanda respirar aquela maresia inigualável. Aquele sabor a sal e a sol que na cidade maravilhosa tinha mais encanto do que em qualquer outra do mundo.
Sentou-se a pensar no nada e no tudo em que se transformara a sua vida. Os riscos, as decisões, as lutas de todos os dias. Recordou, com um sorriso triste, os pais, sempre tão certos de tudo e tão pouco flexíveis às escolhas de vida. Uma nova panorâmica e os olhos fixaram aqueles braços abertos, tão acolhedores quanto libertadores, que abarcavam a cidade de que tanto gostava. O seu refúgio. Um dos portos seguros naquele continente que escolhera como casa.
Voltou para dentro e acordou-o com beijos de sabor a menta fresca. Sorriu o riso que era só deles e esqueceu todos os pensamentos mais dolorosos dos minutos anteriores. O que vamos fazer hoje? Passear à beira-mar? Beber águas de coco enquanto lemos o jornal?..hum?..
Com o serviço de quartos veio a notícia: Não há energia na cidade, senhores. Talvez seja melhor ficarem por aqui até os policiais entenderem o que está acontecendo na cidade. Mais a mais, estão dizendo que vem chuva aí…
Trocaram olhares e largaram as gargalhadas que os fizera, há tanto tempo, apaixonar-se um pelo outro. Que maçada, teremos que ficar por aqui, brincou ela enquanto se aninhava nos braços que eram só seus e percebia, como nunca antes, a maravilha da cidade que lhe acolhia os sonhos. Não há luz? Melhor para os sonhos, pensou.
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Temporal deixa parte de bairros do Rio sem luz
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