Passamos a vida a pensar no que vamos fazer amanhã. Naquilo que podemos remarcar para a próxima semana e no que podemos deixar para o ano a seguir. Passamos os dias a pensar em como conseguiremos adiar mais uma vez aquele almoço, aquele café, ou o jantar com os amigos que já não vemos há tempos, mas decerto haverá mais oportunidades, e esta semana não é claramente a melhor.
Imaginamos viagens magníficas e programamos visitas para quando as férias permitirem. Resolvemos os problemas depois, e adiamos consecutivamente um amo-te, adoro-te ou somente és muito importante para mim. Achamos – sem perceber – que somos invencíveis, que ninguém nos pode destruir, que somos eternos pelo menos até aos 70 anos.
Acreditamos que vamos poder ver os filhos, os netos, os bisnetos. Quem sabe um pouquinho mais se nos apressarmos a ter filhos e eles não se demorarem muito a começar a próxima geração. Queremos saber fazer tudo e achamos que não há necessidade de ensinar os mais novos porque estamos sempre lá para fazer aquilo de que eles precisarem.
Até que de repente somos confrontados com a efemeridade da vida. E percebemos que fizemos tão pouco. E que dissemos tão poucas vezes aquilo que realmente deveria ser dito.
Entrada na Nossa Agenda a propósito de todas as intempéries que têm assolado o mundo e tirado a vida a milhares de pessoas. E a propósito de todos aqueles que morrem, todos os dias, e se esqueceram de viver a vida.
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