Caminhou em direcção a casa com um autómato. Sem pensar, sem sentir, sem ver. Sabia que aquele estado de torpor não podia durar para sempre, mas também não ia lutar contra ele. Não queria. Era mais fácil assim.
Sentou-se na sala varrendo com os olhos o seu interior. Viu a chave do carro, a televisão nova, o home cinema, os sacos ainda por arrumar do último final de semana passado nas compras. Olhou para cima da mesa, onde repousavam os bilhetes de mais uma viagem – pelo menos uma por ano – de férias.
Quando ele entrou, as palavras ficaram presas. Olhou nos olhos deles e o mundo ruiu, de repente. Os sinais já tinham chegado há muito tempo mas eles não os viram. Não os quiseram ver. Acharam que era problema dos outros. Que não lhes ia chegar.
Mas chegou. E agora era hora de mudar. Pelo menos aquilo que ainda fosse possível. Porque tudo ia piorar [muito] antes de melhorar.
Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:
Desemprego em Portugal aumenta para 10,1%
http://economico.sapo.pt/noticias/desemprego-em-portugal-aumenta-para-101_81771.html
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