Na Nossa Agenda

Outros Olhares… Na Nossa Agenda

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 Todos os dias a mesma mecânica. O dia nasce mais cedo ou mais tarde consoante a estação do ano, mas nasce sempre pelas mesmas horas. No hemisfério Norte há mais frio. No Sul, mais calor. Nos cinco continentes diferem as cores, a luz, os sabores, os cheiros e as recordações. Em cada país divergem a cultura, os hábitos, as dificuldades e as especificidades de povos, mais ou menos antigo.
Queremos que todos eles tenham lugar Na Nossa Agenda. Pelos olhos de quem os visitou, de quem lhes sentiu a essência, e a tentou retratar através de uma simples lente que encerra em si os segredos do congelar de momentos. Queremos também que, em poucas palavras nos contem a História e as estórias. Porque Na Nossa Agenda cabe um mundo inteiro de sonhos, de palavras, de imagens!
 
Assim, a cada segunda 2ª feira de cada mês, está marcada Na Nossa Agenda uma viagem pelo mundo fora. Por diferentes caminhos, experiências e objectivos. Com novos olhares. Diferentes do nosso! Hoje, o olhar é da Susana Marques.
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Mussulo, o descanso de Luanda

Outubro de 2006  

Ainda não se apanha o avião para ir de férias para Angola, como se vai para Cabo Verde, para São Tomé, ou para Moçambique… Angola está a reerguer-se, a reestruturar-se…

Quem apanha o avião para Luanda leva no bolso um visto de trabalho e não um guia de viagens… Mas quem em Luanda ainda não aceitou o convite ao ócio que o Mussulo faz, mesmo em frente, a uns minutos de barco?…

 

 

A ilha tem algumas moradias mais ou menos luxuosas… bem como modestas casas de pescadores

 

 

 

    

Soba, o senhor do Mussulo

Manuel Domingos é o ancião da ilha (que na realidade é uma península). Figura respeitada, foi escolhido pelos cerca de três mil habitantes do Mussulo para desempenhar as funções de Soba. O cargo não tem conotação política, mas responde à tradição ancestral de eleger um governante, supostamente o mais sábio e sensato dos habitantes de determinada região. Numa espécie de entrevista que tentei fazer-lhe contou-me que “quando há problemas familiares ou entre vizinhos não faz falta chamar a polícia”, já que “quem resolve é o Soba, todos o respeitam e o que ele diz é lei”. 

 

 

O Mussulo turístico: os bangalôs são, dizem as autoridades, as únicas construções permitidas no futuro… Espero que assim seja! 

 

 As meninas do Mussulo percorrem o areal virado para Luanda (a zona turística) vezes sem conta. Trouxas de panos coloridos cobrem-lhes a cabeça, os mesmos que estendem aos olhos dos banhistas e que dobram e desdobram a cada 10 metros… Ao pescoço carregam colares feitos de sementes e conchas, muitos, mais dos que as suas figuras franzinas parecem estar aptas a carregar. Aliviam o peso à medida que convencem mais uma cliente… 

 

Na minha passagem por Luanda percebi que a mulher é o sexo mais forte: vi inúmeras angolanas com cestos à cabeça a tentar vender alguma coisa, tirando partido do tédio das reincidentes filas de trânsito… Vi poucas mulheres em esplanadas… Essas estavam ocupadas por homens entretidos com a Cuca ou com a Nocal (as cervejas locais)… Os meninos do Mussulo não parecem dispostos a questionar o legado. Vi-os a brincar (e ainda bem!) na praia…Estes meninos não viveram a guerra e é neles que Angola pode ancorar a esperança. 

 

A pesca artesanal subsiste e garante subsistência

 

 

Luanda no horizonte

 

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