Mussulo, o descanso de Luanda
Outubro de 2006
Ainda não se apanha o avião para ir de férias para Angola, como se vai para Cabo Verde, para São Tomé, ou para Moçambique… Angola está a reerguer-se, a reestruturar-se…
Quem apanha o avião para Luanda leva no bolso um visto de trabalho e não um guia de viagens… Mas quem em Luanda ainda não aceitou o convite ao ócio que o Mussulo faz, mesmo em frente, a uns minutos de barco?…
A ilha tem algumas moradias mais ou menos luxuosas… bem como modestas casas de pescadores
Soba, o senhor do Mussulo
Manuel Domingos é o ancião da ilha (que na realidade é uma península). Figura respeitada, foi escolhido pelos cerca de três mil habitantes do Mussulo para desempenhar as funções de Soba. O cargo não tem conotação política, mas responde à tradição ancestral de eleger um governante, supostamente o mais sábio e sensato dos habitantes de determinada região. Numa espécie de entrevista que tentei fazer-lhe contou-me que “quando há problemas familiares ou entre vizinhos não faz falta chamar a polícia”, já que “quem resolve é o Soba, todos o respeitam e o que ele diz é lei”.
O Mussulo turístico: os bangalôs são, dizem as autoridades, as únicas construções permitidas no futuro… Espero que assim seja!
As meninas do Mussulo percorrem o areal virado para Luanda (a zona turística) vezes sem conta. Trouxas de panos coloridos cobrem-lhes a cabeça, os mesmos que estendem aos olhos dos banhistas e que dobram e desdobram a cada 10 metros… Ao pescoço carregam colares feitos de sementes e conchas, muitos, mais dos que as suas figuras franzinas parecem estar aptas a carregar. Aliviam o peso à medida que convencem mais uma cliente…
Na minha passagem por Luanda percebi que a mulher é o sexo mais forte: vi inúmeras angolanas com cestos à cabeça a tentar vender alguma coisa, tirando partido do tédio das reincidentes filas de trânsito… Vi poucas mulheres em esplanadas… Essas estavam ocupadas por homens entretidos com a Cuca ou com a Nocal (as cervejas locais)… Os meninos do Mussulo não parecem dispostos a questionar o legado. Vi-os a brincar (e ainda bem!) na praia…Estes meninos não viveram a guerra e é neles que Angola pode ancorar a esperança.
A pesca artesanal subsiste e garante subsistência
Luanda no horizonte




Muito boas fotos!
Adorei a foto reportagem!
Parabéns a jornalista Susana Marques
adorei as fotos e vou para lá
[…] olhar. Merece uma Agenda cheia de otimismo e de sonhos. Merece estórias a duas e a quatro mãos. E outros olhares.Merece que voltemos a apostar neste projeto que nasceu simplesmente pela existência de um ponto em […]