Voz límpida, limpidez de fado. Lembra os clássicos, as grandes músicas. Lembra a grandiosidade de outros tempos, quando as vozes se sobrepunham aos acordes, de quando o Fado era um destino inevitável. O palco é pequeno para o timbre. Nasceu do ventre de uma fadista e herdou-lhe a voz. Depois foi uma questão de tempo até que a vontade de sobrepusesse à vergonha. De surpresa, confessou-se apaixonada pelo fado. Mas só em cima do palco do Coliseu, os mais próximos puderam ver para crer. A menina loura, covinhas nas bochechas, de sorrir, cantava mesmo. E bem.
Acendem-se as luzes. É hoje outra, a sala que a recebe. Em memória da diva do Fado, Amália Rodrigues, Carmo canta para o Campo Pequeno. É uma questão de tempo até que todos os lugares fiquem preenchidos. No Fado, mais do que talento, há paixão. É uma coisa que vem, de dentro para fora. Da alma. E que se partilha. Uma paixão chamada voz.
Entrada Na Nossa Agenda a propósito da notícia “Campo Pequeno enche para homenagear Amália”. O concerto, com a participação da fadista Carminho (entre outros), serviu de comemoração ao 21º aniversário do último espectáculo de Amália Rodrigues no Olympia, em Paris.
Fonte: IOL