Não era a voz. Grave, quase ligeiramente rouca. Não era a figura. Pequenina, enfezada, sem beleza alguma em particular. Nem sequer eram os olhos. Castanhos, iguais a tantos outros. Podia ser pelo sorriso. Autêntico, presente, cheio. Mas também não era.
Era todo o conjunto. Era a figura, que se transformava debaixo de uns holofotes escondidos. Era a emoção, que ainda hoje, trinta anos de silêncio depois, faz arrepiar quem a ouve a cada acorde. Era a melodia, alterada a cada espectáculo, mas sempre sem fugir do tom. Era o riso, a alegria, a cor, o movimento.
Elis era tudo e era nada. Inigualável porque genial. Deslumbrante porque modesta. Estupenda, porque sempre, a cada dia melhor.
A voz, inconfundível, única porque bem usada, calou-se há trinta anos. O génio, esse, nunca morrerá.
Entrada na Nossa Agenda a propósito da celebração do 30.º aniversário da morte de Elis Regina.