Olhou lá para fora pela janela do quarto. Tinha acordado com o cheiro do café a entrar-lhe pelas narinas enquanto se aconchegava no edredão. Certamente fora a senhora do andar de baixo. Ela acordava sempre cedo e fazia um dos melhores cafés da cidade. Ou do prédio. Ou então somente da vida dela, mas não importa. O café era óptimo. O sol batia no rio e toda a cidade estava envolta naquela luz amarelada que não se via em mais lado nenhum. Os pináculos de História recortados contra o céu e os topos dos edifícios faziam-na voar para longe. Para a 5.ª Avenida. Onde passeava com os inúmeros sacos de compras, se divertia, tomava uns deliciosos cappuccinos e se punha a par das novidades. Porque as viagens a Nova Iorque têm que ser com as amigas. Num estilo Sex and the City, para ela se sentir uma Carrie Bradshaw. Olhou em volta. O soalho de madeira encerada, a cómoda bem arrumada e a roupa largada em cima do sofá. Uma parede vermelha. As outras três brancas. Foi até à cama, novamente, e deu-lhe um beijo de bom dia. Voltou à janela, abriu-a e sentiu crescer-lhe a água na boca quando o cheiro a croissants quentinhos com chocolate subiu até ao quarto. E a rio. E a gente. E a história. E a café. E a sonhos. E a música de violino e lá ao fundo de um acordeão. Mas os croissants? Esses valiam o esforço de se vestir em dois minutos e descer as escadas. E voltar com eles quentes. E sentar-se na cama, com um tabuleiro preparado para dois.
Ah, não. Ninguém me convence do contrário. Não há melhor do que viver em Lisboa!
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Lisboa com melhor qualidade de vida que Nova Iorque
A capital portuguesa oferece melhor qualidade de vida do que Nova Iorque, Madrid ou Roma
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