A mosca anda armada em ave de rapina. Voa alto, passa fronteiras, olha o mundo de cima e acha-o – todo ele – acessível. É feroz como um felino, meiga como um ser humano, mas na sua essência há a paixão de um coração, ele mesmo, português. Há a nostalgia e a consciência de que os nomes lusos nem sempre são a melhor opção. A expressão anglo-saxónica é, nem tanto uma negação de origens, mas um esforço para a sua internacionalização. Anda debaixo dos pés mais ‘fashion’. É must have de estrelas do cinema e da música. Adorada por ícones, a mosca é, agora, nela mesma, um ícone, apesar de figurar nas solas de borracha onde se impregna. É uma mosca fiel, e sem deixar de ser vistosa, é confortável. É invejada. Nada invejosa. Antes astuta como um lince. Suave como espuma. Sedutora como um gato. Encantadora como uma borboleta.
Vai passando, sempre discreta – e sempre notada – por entre as ruas movimentadas de Londres. Não há fumo ou nevoeiro. A foggy London para os comuns é a amazing London para ela. A porta que leva à luz. Às outras ruas. Ao outro mundo. Atravessa a chuva ou o calor, ou o sol ou o vento ou o nevoeiro.
A mosca é glamourosa, é atrevida. É única e tão multiplicada. Imitada, nunca imitadora. De Westminster à London Bridge, de Cambridge à Cornualha, das telas de cinema às salas de teatro, ela voa, livre, poderosa, ambiciosa.
A mosca voa assim, em altos voos, sem medo de que as temperaturas da estratosfera lhe congelem as asas. Afinal, é mosca de deserto e de pólos. E é portuguesa, pois então. E isso diz muita coisa. Mais que não seja que deveríamos ter orgulho em ter uma mosca como ela. Mesmo que seja em inglês.
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Must Have
A portuguesíssima Fly London é n. º 1 no Reino Unido
Fonte: OJE