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Da injustiça

As injustiças dão cabo de nós. Chegam de mansinho, escondidas por sorrisos e palmadinhas nas costas. Geralmente estão à nossa volta, a pairar como aqueles fantasmas que teimam em nos atormentar.

Mas nós gostamos de acreditar. De acreditar que o mundo é melhor. Que as injustiças estão a acabar, que à nossa volta é tudo verde, rosa, amarelo, azul-cor-de-céu.

Quando o sol se pôs ela chorou. De dor. De sofrimento atroz por se saber enganada por sorrisos e palmadinhas nas costas. Por se sentir terrivelmente traída pelo sistema. Pelas pessoas.

Quando o sol nasceu ela ergueu a cabeça. Sempre com o apoio daqueles que importa, sorriu mesmo que magoada e seguiu em frente. Certa do seu valor e de que o seu trabalho valia bem mais do que aquilo que lhe faziam crer.

Certa de que apesar das injustiças e das crueldades do mundo, ela ia vencer mais este desafio. Como fizera a sua vida inteira. Porque é isso que ela é: uma vencedora!

Entrada na Nossa Agenda a propósito das pessoas que são todos os dias injustiçadas. E que não desistem!

Digital

Posso explicar-te como era dantes, mas nunca vais conseguir perceber. Porque hoje conheces os teus amigos pelas palavras que eles escrevem no teclado do trabalho. E vês como estao no ecrã no computador. Contas-lhes as novidades por telefone. E trocas ideias com os teus colegas e com os chefes por email. Agora tens um telefone que te diz a que horas acordar, que te lembra daquele medicamento que tens de tomar à hora certa. E uma lista com nomes e números aos quais podes ligar se for precisa alguma coisa. Partilhas as novidades com o mundo no Twitter, contas as pequenas e grandes conquistas no Facebook. Desejas “Feliz Natal” por sms e cantas os “Parabéns a você” por telefone. Os outros respondem com “carinhas alegres” :) , tristes :( ou chateadas :/ . Ou remetem-se ao silêncio de quem não sabe bem o que dizer. E tu, falas, escreves, conquistas, descreves, confessas-te sem precisar de falar. Sem precisar sorrir a alguém. Sem precisar tocar na mão de alguém. Quando eu te quiser explicar como lhe acariciava a face e conseguia dizer-lhe o quanto gostava, o quanto precisava através desse toque, tu não vais perceber. Porque isso do alcance ”toque” não é exprimível apenas a soletrar a palavra. Por mais que eu mastigue “t-o-q-u-e”, não vai chegar. Desculpa. Não vou perder o meu tempo a explicar-te. Encontramo-nos logo? Mostro-te como é.

Entrada Na Nossa Agenda a propósito dos encontros da actualidade. Em formato digital.

http://www.elmundo.es/especiales/2010/01/4000encuentros/index.html

Pegamos em  acontecimentos. Em pequenos gestos. Em vidas alheias. Em imaginação. Com todos estes elementos, temos construído a nossa agenda. E temo-la dado a conhecer. Depois foram os olhares dos outros que passaram a fazer parte dela – nossa e vossa – com imagens e palavras. Agora, preparamos outra maneira de ver o mundo, de contar histórias. De agendar a vida.

Há músicas que nos marcam. Melodias que nos entram na pele. Letras que não nos saem da ponta da língua. Há momentos que nos percorrem a memória quando uma música passa na rádio. Quando uma letra é sussurrada por um desconhecido na rua. Quando acordamos com uma canção que nos percorre o dia e adormece connosco. A rúbrica número dois da Nossa Agenda é esta. Outros Ouvidos. À terceira 3.ª-feira de cada mês. Porque a vida – e a nossa agenda – (também) é feita de música.

Hoje, os ouvidos são do Rodolfo Oliveira Leal.

Quando a Margarida me pediu este “árduo” desafio, confesso que tive que dar voltas à cabeça! Passados alguns minutos, concluí que não tenho 5 músicas da minha vida. Tenho 500 músicas que aos poucos e poucos vão passando e vão marcando os meus percursos. Contudo, consegui seleccionar facilmente o número que a Guida me pediu. Não sei se são as 5 músicas mais importantes da minha vida, mas são músicas que me fazem parar…que me fazem pôr o rádio mais alto…cantarolar a letra ou mesmo partilhar o seu significado. São músicas para mim intemporais, de vários estilos. Tentei re-pescar na minha cabeça um bocadinho de cada de forma a diversificar a minha escolha.

A primeira é o RUNAWAY dos THE CORRS…esse grupo que marcou a minha adolescência. 4 irmãos, ao estilo bem irlandês e bem típico que sempre me esforcei ao máximo por seguir! Tenho a discografia completa e cheguei mesmo a ir vê-los (em plateia vip) ao pavilhão atlântico. Runaway (em especial na versão UNPLUGGED) é a música mais marcante e com a qual mais me identifico.

A segunda que escolhi foi o PRESÉPIO DE LATA do português RUI VELOSO. Vale a pena ouvir música portuguesa e o Rui Veloso é a prova disso. O Presépio de Lata não é nenhum êxito do cantor, daqueles como o “Não há Estrelas no Céu” ou mesmo “a Paixão”. O Presépio de Lata fala das pessoas que não têm Natal…das pessoas com um Natal diferente. E quem ouviu a música uma única vez (em especial durante a quadra natalícia) sabe do que falo!!

Diversificando os estilos, e talvez dada a minha formação musical ter sido maioritariamente clássica, é impossível não citar o prelúdio de John Sebastian Bach que foi adaptado recentemente e é reconhecido pelo AVE MARIA de GOUNOD. Obra sacra de forte carga emocional, interpretada por muitos cantores e com estilos diferentes. Ainda assim, o prelúdio está lá e a ideia de Bach permanece tão actual como a canção.

A quarta música é algo especial também. Gravada no dia do meu aniversário (25/11/1984), DO THEY KNOW IT’S CHRISTMAS reúne vários artistas mundialmente conhecidos numa causa única de solidariedade. Ok! Algo corriqueiro nos nossos Natais, Do They Know it’s Christmas segue a mesma linha de causas sociais como o We are the World etc etc. Vale a pena ver este vídeo e relembrar vozes únicas na mesma música e por uma boa causa!

A última tinha obrigatoriamente que ser da Disney! Ainda hesitei entre escolher aleatoriamente uma do Andrew Lloyd Webber ou da Disney mas rapidamente me lembrei do GO THE DISTANCE intepretado pelo Michael Bolton no filme Hércules. Balada única com uma musicalidade genial e tão característica, ao estilo inconfundível das bandas sonoras Disney!

http://www.youtube.com/watch?v=lenkR5XzSJc

E por mim…não são as 5 musicas da minha vida mas sim…5 músicas que me marcaram! ;)

Porque é bom partilhar música com os outros e sobretudo porque é bom diversificar as escolhas! ;)

Abençoados

Há em todas as cores. Rosa choque, amarelo, cor-de-laranja, preto, branco e até o tradicional castanho e afins, mais próximo – dizem – da realidade. Uns gostam mais dele, outros não ligam nenhuma. Muitos certamente não acreditam. Uns viram-no de cabeça para baixo quando se zangam com ele. Outros oferecem-lhe flores para agradecer.

Ele vai passando imune aos comentários, às dissertações e difamações. Já está habituado a ser culpado pelas consequências da desatenção, do egoísmo, do egocentrismo. Mas ele mantém a sua expressão calma e serena: a idade já lhe ensinou que não vale a pena dramatizar. Nunca vai conseguir que o ouçam, mesmo! Aliás, tem pena de já não conseguir rir a bom rir.

Interiormente está a rir-se como nunca. As coisas estão a ficar tão absurdamente divertidas, com todos a fazerem considerações sobre a sua pessoa – uma vez mais. Sobre aquilo de que ele gosta ou não gosta, sobre aquilo que abençoa ou não, sobre o que vai acontecer ou deixar de acontecer num dia que, afinal é o seu.

Enquanto as flores lhe toldam o olhar, sorri com a mente. Porque se lembrou de repente que, pelo menos desta vez, não vai ter as culpas pelos acontecimentos. Quem sabe, até o vão deixar esquecido no seu próprio dia!

Entrada na Nossa Agenda a propósito das notícias:

Câmara de Lisboa vai permitir casais gays nos casamentos de Santo António

http://www.publico.pt/Local/camara-de-lisboa-vai-permitir-casais-gays-nos-casamentos-de-santo-antonio_1417928

Gays fora de bodas de Santo António

Do céu

Começaram a encher o céu como se fossem pássaros migratórios. Do nada passou-se ao tudo, e embora isso não trouxesse mudanças, a ele soube-lhe a qualquer coisa muito parecido com a liberdade. Um sinal, vindo do alto, de que ainda era possível a mudança. Concentrou-se novamente no seu trabalho, mas sempre com os ouvidos presos ao céu. Era incrível.

Nas ruas toda a gente comentava sobre o mesmo. Finalmente havia um assunto de conversa novo e – surpresa – podia ser falado livremente, sem medos. Há tanto tempo isso não acontecia qe todos falavam em surdina, com medo de que o volume lhes tirasse a verdade. O existir. Além disso, sabiam que não ia durar muito tempo, por isso, aproveitavam enquanto podiam. Para que a oportunidade não fugisse!

Ele levantou os olhos mais uma vez e agradeceu aos céus. Podia parecer egoísta, mas a verdade é que pelo menos uma coisa boa estava a revelar-se no meio de tantas coisas horríveis: a mudança. A abertura. A esperança de que ainda era possível.

Quando voltou a baixar os olhos, sorriu.

Entrada na Nossa Agenda a propósito da notícia:

Cuba permite a EE UU usar su espacio aéreo para vuelos de evacuación en Haití

http://www.elpais.com/articulo/internacional/Cuba/permite/EE/UU/usar/espacio/aereo/vuelos/evacuacion/Haiti/elpepuint/20100115elpepuint_6/Tes

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